Descrição de chapéu Eleições 2020

Pouco ativo nas redes, Covas terá desafio em eleição com políticos influencers

Equipe diz que tucano turbinará ação na internet e fará campanha suave; adversários têm milhões de seguidores

São Paulo

Apesar da juventude, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), 40, se formou politicamente em um ambiente offline, quando o corpo a corpo com o eleitor e a televisão ditavam os rumos de uma eleição.

Em uma disputa na qual a arena virtual ganha mais protagonismo pela exigência de isolamento devido à pandemia, o prefeito ainda mantém um perfil bastante discreto nas redes sociais.

Até a metade da semana passada, Covas não atualizava seu perfil no Twitter desde outubro de 2019 e o seu último post no Facebook era datado de abril deste ano. O Instagram, rede preferida e atualizada pelo próprio prefeito, tem novidades com maior frequência.

A equipe de comunicação do tucano pretende vitaminar a presença de Covas nas redes, com ajuda na militância. No entanto, ele encontrará pela frente políticos que já estão mais bem habituados ao ambiente virtual.

Em levantamento feito pela Folha na quinta-feira (10), Covas figura em quinto no número de seguidores nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter), com 441 mil seguidores (veja quadro).

À direita, Joice Hasselmann (PSL) tem 3,3 milhões seguidores, o maior número entre os pré-candidatos. Atrás dela, um pré-candidato da esquerda, Guilherme Boulos com 2,9 milhões. Em terceiro, outro candidato da direita, Arthur do Val, o Mamãe Falei (Patriota), com 2,7 milhões.

O YouTube não foi incluído na conta, uma vez que nem todos os pré-candidatos possuem perfis por lá. Ali, quem mais se destaca é o deputado estadual e youtuber Mamãe Falei, com 2,6 milhões de inscritos em seu canal.

Os três acima são políticos que assumem posições contundente, do tipo que reverbera nas várias redes que mantêm —alguns deles, inclusive, usam o TikTok, febre entre jovens. Mas mesmo políticos da velha guarda como Celso Russomanno (Republicanos), Márcio França (PSB) e Andrea Matarazzo (PSD) têm sido mais presentes na internet que Covas.

O tucano, por ser prefeito e estar à frente nas pesquisas, deve ser o alvo preferencial das críticas, tanto online quanto offline.

Coordenador da campanha de Covas, Wilson Pedroso diz que a presença do prefeito nas redes aumentará agora. No entanto, indica que o tucano manterá a postura mais suave, fiel à linha “radical de centro” que prega. “Nós vamos fazer uma campanha alegre, sem ataques. A postura que o Bruno adota a gente vai buscar na campanha também”, diz.

Pedroso, que antes de trabalhar com Covas foi braço direito do governador João Doria (PSDB) na prefeitura e no governo, diz que as redes deverão ser usadas para desmentir as prováveis notícias falsas que aparecerão durante a campanha, incluindo aí também o WhatsApp.

“Vamos preparar nossos voluntários para ampliar suas redes e na proteção contra as fake news. Como a pandemia ainda não terá acabado, você vai ter muita dificuldade de fazer a campanha tradicional de distribuição de folhetos porta a porta. WhatsApp vai ser o porta a porta dessa eleição”, afirma Pedroso, frisando não se tratar de WhatsApp em massa, proibido nas eleições.

O prefeito foi eleito como vice de uma chapa de um político que surgiu já na época da ascensão das redes sociais na política, o ex-prefeito e atual governador Doria.

Ele mantém seus canais atualizados com frequência, com uma equipe voltada a isso, inclusive usando os meios para entrar em assuntos polêmicos e embates políticos.

Já Covas adota um tom mais morno na única rede que usa, o Instagram. Na plataforma, ele expõe o dia a dia de prefeito e também a vida pessoal, com fotos de academia, do filho e do tratamento médico contra o câncer. Mas, de vez em quando, também dá respostas mais duras a quem o critica.

Na última semana, uma seguidora escreveu em um post dele: “Que história é essa de volta às aulas sem vacina? É para agradar quem?”. Covas, então, respondeu: “Antes de atacar que tal se informar!? A prefeitura não determinou nenhuma volta às aulas”.

O coronavírus dominou o noticiário e, na visão da equipe de Covas, faltou apresentar os feitos da gestão. Entre os trunfos que devem estar no foco, estão a inauguração de CEUs (Centros Educacionais Unificados), o aumento de vagas em creche e a maior verba para zeladoria.

Opositores de Covas avaliam, porém, que a pandemia fez com que a gestão dele não passasse pelo mesmo escrutínio durante o período pré-eleitoral que outros prefeitos.

Eles avaliam que outro ponto que melhorou a imagem de Covas foi o modo como ele se portou durante um tratamento de câncer, ao permanecer no trabalho. Isso se soma também ao sobrenome, constantemente explorado pelo prefeito, que costuma usar o slogan Covas sendo Covas.

O cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV, diz que o tucano deverá desenvolver a habilidade nas redes durante as eleições, apoiado da estrutura do partido, acostumado a esse tipo de disputa. E ressalta que Covas joga com a vantagem de ser prefeito.

“Isso significa ele estar em várias frentes, seja a do combate ao coronavírus seja a da gestão. Agora, por outro lado, não tem como ignorar e não dar a atenção devida às redes sociais. Ele terá que pelo menos usar os mesmos canais em que será desafiado para responder”, diz.

O corpo a corpo, porém, não será totalmente abandonado, apesar da pandemia. Na definição de sua equipe de campanha, ele irá a locais onde haja segurança e que não se choquem com a mensagem de distanciamento social pregada por Covas.

“Se der para ir a um evento de igreja onde estiver tudo regular, com espaçamento entre as pessoas, ou a uma caminhada na rua com segurança, ele irá”, diz Wilson Pedroso.

Na posição de prefeito, Covas já tem uma agenda de eventos externos com bastante frequência.

O tucano acelerou inaugurações que coubessem no prazo eleitoral, até 15 de agosto. Agora, sem poder mais entregar obras pessoalmente, ele vai vistoriá-las.

Além disso, comparece a eventos que remetam a elas, como foi o caso de evento na quinta-feira (10), uma solenidade relacionada ao projeto de lei que tá nome de personalidades negras aos 12 CEUs que a gestão pretende entregar.

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