Descrição de chapéu Eleições 2020

Eleição em Ribeirão Preto tem desistências em série e prefeito tucano com maior coligação

Onze políticos disputam sucessão municipal; o presidente da Câmara Municipal, por exemplo, anunciou a desistência da disputa dias depois de convenção partidária

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Ribeirão Preto

A eleição deste ano em Ribeirão Preto (a 313 km de distância de São Paulo) é marcada pelo número recorde de candidatos à prefeitura e por desistências em série até mesmo após a realização das convenções partidárias.

Onze postulantes ao cargo, inclusive o atual prefeito da cidade, Duarte Nogueira (PSDB), 56, disputam o pleito com mais candidatos desde a redemocratização no país.

A cidade do interior de São Paulo sempre teve seis ou sete concorrentes entre 1988 e 2012, número que subiu para nove na última eleição, até alcançar o patamar deste ano. E poderiam ser ainda mais.

Prefeito de Ribeirão Preto Duarte Nogueira (PSDB) fez um pronunciamento nesta segunda-feira (27) sobre as novas normas de quarentena na cidade - Prefeitura de Ribeirão Preto

No último dia 18, o presidente da Câmara Municipal, Lincoln Fernandes (PDT), 41, anunciou a desistência da disputa dias depois de a convenção partidária ter homologado seu nome como candidato.

O deputado federal Ricardo Silva (PSB), 35, que em 2016 levou a disputa ao segundo turno contra Nogueira e era visto como o candidato natural da oposição ao tucano, anunciou ainda antes das convenções que estava fora da disputa pela prefeitura.

Já o juiz aposentado João Gandini (MDB), 64, assim como Lincoln, desistiu depois das convenções. Ele alegou, em comunicado, que saiu da disputa para defender sua honra, dignidade e história, sem dar detalhes. “Desisti do sonho de governar com justiça minha cidade. Na verdade, desisti de tentar, não do sonho.”

Lincoln disse que não faltaram esforços de sua parte para unir a oposição e que a decisão de recuar foi “difícil, mas responsável”. “Em um ano de eleições atípicas, não se constrói sozinho um projeto de prefeitura de última hora”, disse em comunicado.

Já Ricardo afirmou que assumiu em definitivo como deputado federal há quatro meses e, por isso, tem um mandato pela frente. “Não posso romper neste momento.” Ele assumiu a vaga que era ocupada por Luiz Lauro Filho, 41, que morreu em Campinas após uma parada cardíaca.

Ricardo e Gandini disputaram a eleição de 2016 e conquistaram, respectivamente, 70 mil e 36 mil votos. Somaram no primeiro turno, portanto, 106 mil —mais do que Nogueira, que conseguiu 100 mil e depois venceu o pleito no segundo turno.

PSB e MDB apresentaram duas candidaturas femininas, as únicas entre os 11 concorrentes. O PSB lançou a ex-reitora da USP (Universidade de São Paulo) Suely Vilela, 66, numa coligação com outros quatro partidos. Ela foi secretária da Educação de Nogueira em 2017, primeiro ano da atual gestão.

O MDB optou por Cris Bezerra, 52, para o lugar de Gandini, com o apoio de outras quatro legendas. É a primeira disputa à prefeitura de ambas.

Quem também estreia na disputa é o promotor aposentado Antônio Alberto Machado (PT), 62, que entra na campanha sem coligação com outras siglas. Assim como ele, Coronel Usai (PRTB), 56, Gersio Baptista (PMN), 64, Rodrigo Junqueira (PSL), 43, e Vanderley Caixe (PC do B), 43, tentam pela primeira vez o cargo, todos sem coligações.

O ex-deputado federal Fernando Chiarelli (Patriota), 63, tenta pela terceira vez chegar à prefeitura, assim como Mauro Inácio (PSOL), 51, enquanto Emilson Roveri (Rede), 59, está na segunda disputa.

Em uma eleição pulverizada, o prefeito Nogueira foi quem conseguiu mais apoios, numa coligação com outras seis siglas. É a quinta participação dele em eleições municipais —em duas, foi derrotado pelo ex-ministro Antônio Palocci e, em outra, pela ex-prefeita Dárcy Vera.

A avaliação de diretórios locais é de que a mudança no sistema de candidaturas para vereadores motivou o lançamento de tantos candidatos. As coligações —uniões de partidos— para o Legislativo estão vetadas.

É a primeira vez que a decisão, que veio com a Emenda Constitucional nº 97, de 2017, é aplicada em eleições municipais e partidos tentarão fortalecer suas bancadas na Câmara a partir da exposição de candidatos à prefeitura, dizem. As coligações seguem válidas para cargos majoritários —prefeitos, senadores, governadores e presidente da República.

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