Descrição de chapéu Coronavírus senado

Senador Arolde de Oliveira, 83, é o primeiro congressista a morrer com Covid-19

Aliado de Bolsonaro e crítico de isolamento social, parlamentar estava internado havia mais de um mês

Brasília e Rio de Janeiro

O senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ), 83, morreu na noite desta quarta-feira (21) vítima de complicações causadas pela Covid-19. Ele estava internado havia mais de um mês.

Fundador do Grupo MK de Comunicação, um dos maiores do segmento evangélico, e aliado do presidente Jair Bolsonaro, Arolde é o primeiro congressista da atual legislatura a morrer em decorrência da doença causada pelo novo coronavírus.

"Comunicamos que nesta noite (21 de outubro) o senhor Jesus recolheu para si nosso amado irmão, o senador Arolde de Oliveira. Falecido vítima de Covid e como consequência falência múltipla de órgãos", disse nota encaminhada pela família e postada nas redes sociais.

Arolde de Oliveira durante reunião na sede do PSD com empresários e o então vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos - Alessandro Shinoda - 10.jan.2012/Folhapress

Arolde foi eleito em 2018 junto com o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que lamentou a morte em redes sociais.

"Um grande guerreiro se foi!!! Meu irmão Arolde de Oliveira , é assim que vou me lembrar de você, sorridente, competente e dedicado ao cargo que exerceu. Que Jesus o receba de braços abertos. Meus sentimentos aos familiares e amigos!", escreveu Flávio.

O líder do PSD no Senado, Otto Alencar (BA), lamentou a perda. "Estou em prantos, eu gostava demais do meu amigo. Cessou de viver", disse o senador à Folha, assim que soube da notícia.

Arolde de Oliveira estava em seu primeiro mandato de senador. Ele era titular da Comissão de Ciência e Tecnologia. Gaúcho, o senador era natural de São Luiz Gonzaga.

Os suplentes dele são Carlos Francisco Portinho e Renata Cordeiro Guerra.

Arolde de Oliveira foi deputado por nove mandatos. O senador era presidente estadual do PSD no Rio de Janeiro. Ele era ainda economista, engenheiro, militar e professor.

O senador, que morreu de Covid, dizia que a doença era causada por um vírus chinês e criticava também o isolamento social.

"Os números do vírus chinês no mundo e no Brasil demonstram a inutilidade do isolamento social. Autoridades, alarmistas por conveniência, destruíram o setor produtivo e criaram milhões de desempregos. O presidente Jair Bolsonaro, isolado pelo STF, estava certo desde o início", escreveu, em rede social, em 19 de abril.

"Efeito covidão? Total de óbitos de abril a julho em 2019, 437.433, e em 2020, 491.336, aumento de 53.903. Como se os inimigos do Brasil comemoraram 100.000 mortes só pelo vírus chinês? Acho que muita gente vai responder por crime de corrupção e até de homicídio. Aguardemos...", escreveu Arolde em 11 de agosto.

O senador também era um defensor do uso de cloroquina no tratamento à Covid. O medicamento não tem eficácia científica comprovada contra a doença.

"Na medicina pode ser recomendável ter uma segunda opinião. O tratamento da Covid-19 com cloroquina divide a opinião dos especialistas. Fico com a sugestão do uso do medicamento desde o início, como quer o presidente @jairbolsonaro", escreveu o senador, em rede social, em 10 de abril.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), divulgou nota de pesar.

"É com profunda tristeza que acabo de receber a notícia de que perdemos o senador Arolde de Oliveira, representante do estado do Rio de Janeiro. Arolde faleceu por complicações decorrentes da Covid, contra as quais já vinha lutando em uma Unidade de Terapia Intensiva. Infelizmente, mais um brasileiro perdeu a vida por consequência desse vírus que já ceifou mais de 150 mil pessoas do nosso país", escreveu Alcolumbre.

"Deputado federal por nove legislaturas, Arolde de Oliveira chegou ao Senado Federal em 2018, e a esta Casa trouxe a experiência legislativa, o surpreendente poder de comunicação e o exemplo de sua conduta afetuosa e cordata", disse o presidente do Senado, em nota.

Alcolumbre afirmou ainda que o Senado decretou luto oficial. "Um dia triste para esta Casa. Um dia triste para os seus eleitores, admiradores, amigos e, especialmente, os seus familiares. Que Deus o receba em sua infinita misericórdia e console sua família neste momento de dor."

Nesta quarta, Arolde de Oliveira foi a única ausência na bancada do PSD na sessão que aprovou o nome do juiz federal Kassio Nunes, 48, para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Os senadores que estavam em sessão semipresencial pediram orações pelo estado de saúde do parlamentar, que já era considerado delicado.

Durante a sabatina de Kassio, a presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Simone Tebet (MDB-MS), chegou a pedir orações pela saúde do colega.

"Eu peço permissão para, em nome da comissão, de todos os seus 27 senadores e suplentes, enviar daqui as nossas melhores energias, a nossa oração para que a família tenha força neste momento", disse ela.

"E, se a nossa oração servir, que ela possa neste momento transpor as paredes desta Casa, chegar ao Rio de Janeiro, onde se encontra o nosso queridíssimo senador Arolde, e dar-lhe toda a energia para que ele possa sair o mais rápido possível dessa situação de cuja gravidade, repito, eu não tinha conhecimento."

Arolde de Oliveira pegou Covid-19 em ainda em setembro. No início de outubro, ele precisou ser internado em função da doença. Ele estava internado no Rio de Janeiro.

"É lamentável. Com enorme consternação que recebo a notícia. Arolde é mais uma vítima da enorme tragédia que se abate sobre todos nós, brasileiros, que é a pandemia. Neste momento só podemos pedir a Deus que ilumine todas as autoridades brasileiras, especialmente o presidente da República, para que possamos juntos, e sem divisões, superar esse momento dífícil", disse o líder da Rede, Randolfe Rodrigues (AP).​

Nesta quarta, o Senado tinha dois parlamentares internados por causa da Covid-19: Arolde de Oliveira e Eduardo Braga (MDB-AM), relator da indicação de Kassio ao STF. Braga apresenta bom quadro de saúde, segundo assessores.

O senador do Rio de Janeiro, em junho deste ano, teve quebra de sigilo decretada por Alexandre de Moraes, no STF. Ele estava sob investigação no caso dos atos antidemocráticos.

A quebra do sigilo bancário foi feita a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República). Os atos antidemocráticos foram organizados por apoiadores de Bolsonaro.

Foram alvo dez deputados federais e um senador bolsonaristas —no caso, Arolde de Oliveira.

O inquérito foi autorizado pelo Supremo após manifestações terem sido realizadas em 19 de abril. O pedido de investigação foi feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. A solicitação de quebra de sigilo foi feita pela PGR e autorizada no dia 27 de maio por Moraes.

Arolde fundou o Grupo MK de Comunicação, um dos maiores do segmento evangélico. A MK Music, gravadora gospel sob aba deles, tem no cast nomes como o deputado e cantor gospel Marco Feliciano.

A deputada Flordelis também integrava o elenco, mas seu contrato foi rompido após as suspeitas de seu envolvimento na morte do marido.

A mulher do senador, Yvelise, chamou-a de "dissimulada e perigosa" em depoimento à polícia, que a convocou após uma linha telefônica cadastrada em seu nome ser habilitada no telefone do pastor assassinado Anderson do Carmo.

O grupo MK também é responsável pelo Pleno.News, um dos portais evangélicos tidos como braço do bolsonarismo.

No lugar de Arolde, assume o advogado Carlos Francisco Portinho, 47. Ex-vice-presidente jurídico do
Flamengo, já advogou para diversos times, como Palmeiras, Cruzeiro, São Paulo, Santos e Atlético Mineiro.

Portinho foi Secretário de Habitação do Município do Rio, em 2017, na gestão de Marcelo Crivella, e Secretário do Ambiente do Estado, em 2014, no governo de Luiz Fernando Pezão.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, publicou nota nesta quarta para lamentar a morte do colega de partido.

"O Partido Social Democrático recebe com enorme pesar a notícia do falecimento do senador Arolde de Oliveira", escreveu. "Foi deputado federal por nove mandatos, um democrata que dedicou sua vida à política e à defesa dos interesses dos brasileiros, especialmente dos fluminenses."

"Oliveira deixa a mulher Yvelise de Oliveira, e a filha Marina de Oliveira. À toda sua família, aos amigos e eleitores, o PSD transmite votos de profundo pesar", afirmou Kassab.

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