'Prefeito não é pastor nem padre nem pai de Santo', diz Sargento Isidório em sabatina da Folha/UOL

Candidato afirma que é contra intolerância e violência, mas assume que segue pautas conservadoras

São Paulo

O candidato à Prefeitura de Salvador Pastor Sargento Isidório (Avante) disse que não vai ocupar a cadeira de chefe do Executivo municipal como líder religioso. "Prefeito não é pastor, nem padre, nem pai de Santo. Eu não estou indo ser pastor, bispo, apóstolo, pai de Santos", afirmou.

"Eu estou indo ser prefeito de uma cidade plural e cultural." A declaração do candidato foi feita durante sabatina da Folha e do UOL, transmitida nessa quarta-feira (7). Isidório conversou com os repórteres Flávio Costa e João Pedro Pitombo.

No entanto, no momento em que foi questionado sobre a aproximação com a agenda do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o candidato mostrou a Bíblia sagrada. "Ela é lida por ateus, cristãos, evangélicos, católicos. No mundo inteiro todo mundo a lê, e a tem como a palavra de Deus", disse.

"Bolsonaro toca muitas coisas de costumes que eu não abro mão."

Intolerância e violência

Pastor Sargento Isidório, que foi eleito deputado federal, afirmou que é contra intolerância e violência, mas admitiu que suas pautas são mais conservadoras. "Se porventura eu for prefeito, vou encontrar na Prefeitura muita gente intelectual trabalhando, gays, lésbicas, e qual o problema? Não vou misturar as coisas", disse.

"O que eu não quero é defender que todo mundo seja gay ou lésbica. Cada qual que seja. Quer ser gay, seja; quer ser hétero, seja. Eu só quero que um respeite o outro e que não estimule violência."

Ele afirmou que "sexo não pode superar a pauta da educação, da saúde". "Sexo tem que ser discutido dentro de casa e ser feito dentro de quatro paredes".

O candidato disse ainda que pretende valorizar a cultura de Salvador e comentou a ação de injúria racial movida por Daniela Mercury, após o pastor ter gravado um vídeo usando palavras ofensivas contra a cantora.

"Eu tive um problema com a Daniela Mercury, um problema da minha fé, da minha convicção", disse. "O meu Jesus não é gay."

Em audiência no Fórum Criminal de Salvador, Daniela e Isidório fecharam um acordo, em agosto do ano passado —o parlamentar deveria reconhecer publicamente o erro, retirar o vídeo de todas as redes sociais e publicar um pedido de desculpas à cantora, além de pagar 25% do salário de deputado durante cinco meses a duas instituições sociais.

Na sabatina, o candidato afirmou que considera a história acabada e disse ter "o maior respeito por ela, pela cantora, pela artista". Ele disse ainda que vai incentivar e estimular as festas culturais na cidade.

Isidório também quer manter boa relação com o governador do Estado, Rui Costa (PT), e com o presidente Jair Bolsonaro —embora ambos ocupem posições diferentes no cenário político. "Como prefeito, eu não posso prejudicar o povo de Salvador, indo para a direita, esquerda ou para o centro. O bom gestor tem que olhar para frente", afirmou.

Ele lembrou que já discordou de Rui Costa, mas garantiu que hoje eles "têm respeito". "Como prefeito, eu não posso ter inimigos, eu tenho que pautar os interesses da capital."

A sabatina com Isidório foi a primeira com os candidatos à Prefeitura de Salvador. As próximas serão com Bruno Reis (dia 12) e Major Denice (dia 15).

As entrevistas podem ser acompanhadas no site do UOL e da Folha e também nas redes sociais Facebook e YouTube.

Pesquisa Ibope

Pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira (5) mostra que o atual vice-prefeito de Salvador (BA), Bruno Reis (DEM), tem 42% das intenções de voto. Em seguida, aparecem Pastor Sargento Isidório, que tem 10%, e Major Denice (PT) e Olívia Santana (PCdoB), ambas com 6%.

Como a margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, Isidório, Denice e Olívia estão tecnicamente empatados em segundo lugar.

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