Descrição de chapéu Eleições 2020

Em sabatina Folha/UOL, Orlando Silva promete cassar alvará de estabelecimento em caso de racismo

Candidato do PC do B à Prefeitura de São Paulo afirmou que fará da capital paulista uma cidade sem racismo

São Paulo

O deputado federal Orlando Silva (PC do B), candidato à Prefeitura de São Paulo, afirmou na sabatina Folha/UOL nesta quinta-feira (22) que seu objetivo é tornar a capital paulista uma cidade livre do racismo e referência nesse tema para o país.

Para isso, o candidato mencionou medidas práticas que pretende adotar, incluindo a responsabilização solidária de estabelecimentos cujos funcionários pratiquem racismo.

“Vamos responsabilizar solidariamente os estabelecimentos, chegando no limite a cassar o alvará de funcionamento de estabelecimentos reincidentes em atos de racismo”, disse Silva, para quem é preciso engajar a sociedade contra o racismo estrutural.

Silva tem 1% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha desta quinta. O prefeito Bruno Covas (PSDB), que tem apoio do governador João Doria (PSDB), aparece com 23%. Celso Russomanno (Republicanos), apoiado por Jair Bolsonaro (sem partido), caiu para 20% —os dois estão empatados na margem de erro, de três pontos percentuais.

Na entrevista, Silva mencionou o seu padrinho a nível nacional, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). “A experiência do Maranhão é inspiradora. […] Quero ser prefeito para trazer a experiência positiva de Flávio Dino.”

Ainda em relação ao combate ao racismo, o candidato afirmou ter como propostas o reforço do ensino de história da África nas escolas e a criação de uma defensoria municipal para tratar de temas de direitos humanos e acompanhar casos de racismo e homofobia.

O deputado afirmou que o chamado escândalo da tapioca foi um episódio de racismo. Quando ministro dos Esportes no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato comprou uma tapioca com cartão corporativo e foi alvo de CPI sobre o tema.

Também foram identificados gastos de verba pública em restaurantes e em um hotel, e Silva na época afirmou ter devolvido R$ 30.870,38 ao Tesouro.

“Tenho certeza que houve notas de racismo nessa campanha odienta feita contra mim. [...] Sequer fui convidado a falar nos inquéritos”, disse. As investigações sobre o uso irregular dos cartões corporativos não foram adiante.

Orlando Silva criticou Russomanno, a quem chamou de "pastel de vento" por se negar a responder perguntas que, para o deputado, o eleitor tem direito de saber.

O candidato do PC do B disse ainda que Russomanno “vai acabar a eleição com nome no SPC” por prometer o auxílio paulistano sem que o governo federal tenha condições de bancar a proposta.

“Eu tenho uma convicção: a cidade de São Paulo vai derrotar Jair Bolsonaro. […] Na medida em que a população se ligue mais na eleição e quando descobrirem que Russomanno é o candidato de Bolsonaro, ele vai perder terreno”, afirmou sobre a liderança do candidato do Republicanos.

Silva foi questionado a respeito da renda mínima e da distribuição de renda, bandeiras históricas da esquerda, terem sido apropriadas pelo campo da direita, sobretudo com o auxílio emergencial do governo Bolsonaro.

Para ele, trata-se de uma “adesão oportunista”, mas que deve ser comemorada porque cria melhores condições de vida para a população.

“Se o campo conservador aderiu à tese, considero que o campo conservador adere à civilização. Tem conquistas da humanidade que são civilizatórias, medidas para garantir a dignidade das pessoas. […] Bem-vindos à civilização”, afirmou.

O candidato criticou ainda a proposta do prefeito Covas de desestatizações. “Isso é uma grande bobagem. A ideia de que tudo que é público é ruim e tudo que é privado é bom. […] Imaginem o que seria do Brasil sem o SUS.

Embora a agência Lupa tenha apontado que o plano de governo de Orlando Silva não traz medidas contra a pandemia, o candidato afirmou que busca o fortalecimento do SUS, que defende a volta às aulas apenas após a vacina da Covid-19 e condenou as atitudes de Bolsonaro em relação ao coronavírus.

Silva disse ainda que é preciso ofertar a vacina a todos e fazer uma ampla campanha de vacinação, mas se declarou contra a vacinação obrigatória, como defende Doria. Ao mesmo tempo, afirmou que telefonou ao governador se colocando à disposição como deputado para levantar recursos para a produção da vacina chinesa Sinovac pelo Instituto Butantan, boicotada por Bolsonaro.

O candidato apresentou ainda suas propostas em relação à geração de emprego e renda, o que considera ser o principal problema da cidade hoje, e em relação à cracolândia, que classificou como uma “ferida aberta no centro de São Paulo”.

Silva comentou o fato de a esquerda não ter conseguido formar uma frente ampla na eleição em São Paulo, mas descartou haver fragmentação. Disse ser amigo dos candidatos Guilherme Boulos (PSOL) e Jilmar Tatto (PT).

É a primeira vez que o PC do B lança candidato em São Paulo em vez de apoiar o PT, mas Silva acredita que isso não fragiliza a esquerda. “O PC do B é o campeão mundial da unidade da esquerda, abriu mão da candidatura de Manuela D’Ávila em 2018 para apoiar o PT.”

Nascido em Salvador, o deputado mora mora na capital paulista desde 1992. Foi o primeiro negro a presidir a UNE (União Nacional dos Estudantes), de 1995 e 1997.

Deputado federal por São Paulo em segundo mandato, é filiado ao PC do B (Partido Comunista do Brasil) desde 1989. Entre 2013 e 2015, ocupou uma vaga de vereador na Câmara Municipal de São Paulo. Foi ministro do Esporte (2006-2011) nos governos Lula e Dilma (PT).

Caiu após ser alvo de denúncias por um suposto esquema de desvios de recursos públicos. A Comissão de Ética Pública da Presidência da República arquivou processo contra ele em 2012, por falta de provas

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