Descrição de chapéu Eleições 2020

Covas tem 26%, Russomanno, 20%, e Boulos e França empatam em terceiro, diz Ibope

Tucano ignora ataques e abre vantagem, enquanto deputado apoiado por Bolsonaro registra queda

São Paulo

O candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB) subiu quatro pontos e alcançou 26% nas intenções de voto na disputa pela Prefeitura de São Paulo, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira (30). Já o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) perdeu cinco pontos e está com 20%.

Guilherme Boulos (PSOL) registrou 13% das intenções de voto (antes, estava com 10%) e aparece empatado tecnicamente em terceiro lugar com Márcio França (PSB), que teve 11% (e na pesquisa anterior tinha 7%). A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Além da queda nas intenções de voto, Russomanno viu subirem os índices de rejeição a seu nome. Segundo o Ibope, 38% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum no parlamentar e apresentador de TV, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Antes, a taxa era de 30%.

Jilmar Tatto (PT) chegou a 6% das intenções de voto —na pesquisa anterior, tinha 4%. Com a nova pontuação, o petista fica empatado tecnicamente com França.

Arthur do Val (Patriota) foi de 2% para 3%, e Joice Hasselmann (PSL) oscilou de 1% para 2%. Os demais concorrentes obtiveram 1% ou menos.

O cenário de empate técnico entre os dois candidatos que aparecem à frente, Covas e Russomanno, se daria no limite extremo da margem de erro, o que é considerado muito improvável pelos institutos de pesquisa.

O Ibope ouviu 1.204 eleitores entre 28 e 30 de outubro. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Na reta final da campanha no primeiro turno, a pesquisa é favorável para a campanha de Covas, que adotou a estratégia de não responder a ataques e priorizar temas municipais. Auxiliares dizem que a ordem é manter o planejamento inicial.

Pelo cenário revelado, os tucanos esperam enfrentar Russomanno ou Boulos no segundo turno e preveem uma disputa voto a voto entre os dois.

"Mostra que nosso planejamento e estrutura de campanha têm se mostrado adequados", diz o coordenador da campanha de Covas, Wilson Pedroso. "A população tem entendido nossa mensagem e a liderança do prefeito é cada vez mais percebida e reconhecida."

Pressionado pela queda nas pesquisas —que evocou o fantasma dos pleitos de 2012 e 2016, nos quais sua candidatura derreteu precocemente—, Russomanno subiu o tom contra o tucano e o governador João Doria (PSDB), aliado do prefeito, nos últimos dias.

Até então, a opção era destacar o apoio de Bolsonaro a seu nome. Apesar da queda de cinco pontos no Ibope, o marqueteiro da campanha, Elsinho Mouco, disse que comemora o fato de a pesquisa mostrar o deputado classificado para o segundo turno.

"Nosso objetivo está sendo alcançado", disse ele. "Com 20%, 15%, até 10%. Se estivermos no segundo turno, é o que importa."

Na avaliação da equipe de Russomanno, a trajetória de queda se deve não à rejeição de Bolsonaro, seu padrinho político nesta campanha, mas aos ataques feitos por adversários. Por isso, suas propagandas passaram a mirar a dupla Doria-Covas e Boulos.

O deputado se encontrou com o presidente nesta sexta-feira em São Paulo, um dia depois de o titular do Planalto ter reafirmado em sua live semanal o apoio ao candidato do Republicanos.

Na pesquisa Ibope anterior, feita entre 13 e 15 de outubro, havia empate técnico entre Russomanno, com 25%, e Covas, com 22%. Boulos vinha na sequência, com 10%, seguido de França, com 7%, também empatados.

Boulos, que torce para Russomanno perder mais pontos, redobrou esforços para abrir vantagem sobre os concorrentes e, com isso, se aproximar do segundo turno. A campanha programou atos na periferia e intensificou as postagens em redes sociais para tentar alavancá-lo.

O resultado desta sexta foi visto como um passo adiante pelo PSOL, que aposta em um crescimento continuado para se fortalecer. A entrada da candidata a vice, Luiza Erundina (PSOL), na campanha de rua é tida como um dos trunfos.

A deputada federal e ex-prefeita usará uma caminhonete adaptada com uma cabine de acrílico para se locomover nos encontros com eleitores, a partir deste sábado (31). Aos 85 anos e parte do grupo de risco para a Covid-19, ela estava em isolamento desde o início da pandemia, em março.

A campanha de França, ao celebrar o desempenho, explorou o avanço em relação à pesquisa anterior. "Vamos crescer ainda mais e chegar ao segundo turno, como já aconteceu", disse o ex-governador, que aposta em um repeteco do embate de 2018 com o grupo político de Doria.

No PT, o descolamento de Tatto da ala dos nanicos e sua aproximação com França foram vistos como bons sinais. Com a queda de Russomanno, os petistas trabalham com a ideia de que o segundo turno se dará entre Covas e a esquerda.

O palpite de representantes da legenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que ou Tatto ou Boulos ou França irá disparar e ultrapassar o candidato de Bolsonaro.

"Estamos trabalhando para ir ao segundo turno", afirma o deputado federal Carlos Zarattini (PT), vice de Tatto. "Após o feriado e após a eleição americana, na próxima semana, vai começar o momento de escolha do eleitor. O PT vai subir mais ainda."

Em simulações de segundo turno feitas pelo instituto, Covas venceria se disputasse com Russomanno, com Boulos e com França. O resultado mais vantajoso para o tucano seria contra Boulos (51% a 26%).

Em cenários sem Covas e com Russomanno, o deputado federal ganharia de Boulos, mas perderia para França. Em um eventual embate entre Boulos e França, o ex-governador sairia vencedor.

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