Descrição de chapéu Eleições 2020

Horário eleitoral em SP terá estreia com estratégias de ataque, uso de padrinhos e ênfase em propostas

Lula apresentará Tatto em primeiro programa do PT, assista; Russomanno mostrará Bolsonaro e Covas exaltará gestão

São Paulo

O horário eleitoral na TV e no rádio terá início nesta sexta-feira (9) com os candidatos a prefeito de São Paulo apostando em diferentes estratégias, que incluem ataques a adversários, "carona" na imagem de padrinhos políticos, exaltação da própria biografia e ênfase em propostas.

Dos 14 postulantes, 10 têm direito ao tempo de propaganda gratuita até 12 de novembro. O candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), conta com a maior fatia do horário (3min29s). A divisão leva em consideração a bancada de deputados federais eleita pelas legendas da coligação em 2018.

Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo, e candidato a reeleição, visita as obras de calçada na Lapa - Roberto Casimiro/Fotoarena/Folhapress

O tucano usará seu bloco para promover programas e obras da gestão, além de resgatar aspectos de sua trajetória na vida pública. Segundo auxiliares, um dos objetivos é mostrar a vocação política de Covas, citando, por exemplo, sua proximidade com o avô, o ex-governador Mário Covas (1930-2001).

Questões pessoais, como a relação com o filho e o tratamento contra o câncer iniciado em 2019, também serão explorados no material produzido sob a coordenação do marqueteiro Felipe Soutello, em uma tentativa de reforçar a imagem de homem dedicado e disposto a encarar desafios.

O governador João Doria (PSDB), ao menos no primeiro momento, não terá grande presença na campanha. Segundo o Datafolha, 59% dos entrevistados não votariam em candidato apoiado por Doria, que deixou a cadeira de prefeito para Covas, seu então vice, para concorrer a governador.

Covas está em segundo lugar nas intenções de voto, com 20%, de acordo com o Datafolha.

Com 29%, o líder na pesquisa Celso Russomanno (Republicanos) dispõe de 51s, o quinto maior tempo. Diferentemente de Covas, ele exibirá já nas primeiras inserções seu padrinho político, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar de Bolsonaro ser rejeitado por 46% dos paulistanos e ter desempenho ruim como cabo eleitoral (64% não votariam em um nome indicado por ele), Russomanno acredita que o presidente o levará ao segundo turno desta vez, ao contrário de 2012 e 2016.

A equipe do deputado federal e apresentador de TV gravou imagens de bastidores do encontro entre o candidato e o presidente em São Paulo, na segunda-feira (5).

Seus programas devem abordar o "auxílio emergencial paulistano", proposta de Russomanno escorada em Bolsonaro, além de propostas para a área da saúde. Outra prioridade será apresentar o candidato a vice, Marcos da Costa (PTB).

O líder também fará na TV as críticas aos prefeitos que o venceram nos dois pleitos anteriores. Fernando Haddad (PT) será tratado como incompetente e Doria (a quem declarou apoio na eleição de 2018) será descrito como um prefeito que abandonou o mandato.

Na estratégia desenhada pelo marqueteiro Elsinho Mouco, os petardos atingirão, por tabela, os atuais candidatos do PT, Jilmar Tatto, e do PSDB, Covas. Para diferenciar Russomanno dos demais candidatos da direita, ele será mostrado como alguém que, ao levantar a bandeira da defesa do consumidor, se preocupa com as pessoas.

Márcio França (PSB), que possui o segundo maior tempo (1min36s), deve priorizar as propostas. A avaliação é a de que, ao contrário do que ocorreu na eleição para o governo do estado em 2018, quando era desconhecido, desta vez ele goza de uma popularidade maior na capital, onde teve mais votos que Doria.

Projetos de França que miram os problemas provocados pela pandemia ganharão destaque, de acordo com o marqueteiro Raul Cruz Lima.

A postura anti-Doria, usada para fustigar Covas, aparecerá nas peças dentro do discurso de que a cidade precisa de um prefeito com novas ideias. "Não estamos falando apenas de trocar de prefeito, mas de mudar a prefeitura", diz Lima.

Empatado tecnicamente com Guilherme Boulos (PSOL), França (que tem 8%, ante 9% do líder de movimentos de moradia) conta com o tempo avantajado para se descolar do rival, com quem divide a terceira colocação.

Boulos usará seus 17 segundos "com muita criatividade" para tentar compensar a brevidade, segundo o marqueteiro Chico Malfitani. Ele diz que a candidata a vice, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSOL), terá destaque nas peças.

Distante da campanha de rua por causa do distanciamento social imposto pela pandemia, Erundina fez gravações ao lado de Boulos há alguns dias no centro da cidade.

Tatto (2% no Datafolha e 1min7s na TV) aposta na propaganda para alavancar sua candidatura. Seu padrinho, o ex-presidente Lula, terá papel central no programa, que usará a imagem dele até o limite permitido pela lei (apoiadores podem ocupar, no máximo, 25% do tempo de cada anúncio).

A orientação é defender os legados de Lula e dos governos petistas, tanto na cidade quanto no plano federal. O ex-prefeito Haddad deverá participar, relembrando iniciativas da legenda na capital.

O candidato, que é desconhecido da maioria dos paulistanos, vai mostrar que foi secretário municipal e conhece a cidade, além de fazer críticas às gestões do PSDB.

Os ataques, porém, não vão aparecer no primeiro programa. "Talvez você ainda não me conheça, mas, com certeza, conhece meu trabalho", afirma Tatto na peça que vai ao ar nesta sexta-feira.

"Se você conhece o Bilhete Único, os corredores de ônibus, o Vai e Volta, as ciclovias, você conhece o trabalho do Jilmar Tatto", diz o ex-presidente Lula.

Os símbolos do PT estão assinalados na propaganda de Tatto. O candidato aparece de camisa vermelha e a estrela do PT, com o número 13, está no canto direito da tela.

Marqueteiro de Joice Hasselmann (PSL), Daniel Braga quer mostrá-la, em 1min4s, como alguém capaz para a função e com coragem para enfrentar máfias e lutar contra a corrupção.

"Nosso primeiro programa será disruptivo, fora da caixa, para mostrar que ela é diferente", diz Braga, sem se aprofundar. Ataques a oponentes, como os que Joice costuma disparar, chegarão à campanha na TV se houver necessidade, segundo o auxiliar.

Com 45 segundos, Andrea Matarazzo (PSD) usará as aparições para discutir a cidade e mostrar que está preparado, de acordo com o marqueteiro Paulo Vasconcelos.

"É uma campanha séria, sem jingle, sem musiquinha, em respeito ao momento que o país e os cidadãos vivem", diz Vasconcelos, mencionando a pandemia e o desemprego.

Arthur do Val (Patriota) pretende ocupar seus 16 segundos com recados contundentes, repetindo sua retórica polêmica. Ele apresentará propostas e chamará os eleitores para visitar suas redes sociais e saber detalhes.

Orlando Silva (PC do B) aproveitará seus 17 segundos para reforçar os pilares centrais do programa de governo, como a luta antirracista e a necessidade de gerar emprego e renda no pós-pandemia.

Com 15 segundos, Filipe Sabará (Novo) vai apresentar propostas e convidar o eleitor para visitar seu site. Estreante em disputas eleitorais, ele vai se apresentar e falar de cargos que ocupou na gestão pública.

Antônio Carlos Silva (PCO), Levy Fidelix (PRTB), Vera Lúcia (PSTU) e Marina Helou (Rede) ficaram de fora da divisão do tempo de TV porque seus partidos não elegeram deputados suficientes para vencer a cláusula de barreira.

Nesta quarta-feira (7), França ofereceu aos quatro um pedaço do seu tempo para que eles "possam também falar com o povo de São Paulo".

A assessoria de França disse que "a forma como isso será viabilizado será discutida". A hipótese hoje é vedada pela legislação eleitoral. O Ministério Público Eleitoral enviou um ofício ao candidato reiterando que o compartilhamento sugerido pelo candidato não é permitido.

O coordenador jurídico da candidatura, Anderson Pomini, afirmou que a campanha fará uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral sobre a possibilidade da divisão espontânea do tempo de TV.

Marina e Vera se mostraram abertas à proposta. Fidelix disse que França "ganhará muito mais" convencendo seu partido a lutar no Congresso pela isonomia entre as siglas.

Antônio Carlos afirmou que as eleições são antidemocráticas por esconderem parte dos candidatos e que, se for viável, quer usar o tempo oferecido por França.


Slogans das campanhas

Celso Russomanno (Republicanos) - Agora é a nossa vez

Bruno Covas (PSDB) - Força, foco e fé

Guilherme Boulos (PSOL) - Pra virar o jogo

Márcio França (PSB) - Tudo mudou. São Paulo tem que mudar

Jilmar Tatto (PT) - Coração trabalhador

Andrea Matarazzo (PSD) - O prefeito que São Paulo precisa

Arthur do Val (Patriota) - São Paulo de primeiro mundo

Vera Lúcia (PSTU) - SP precisa de uma alternativa socialista e revolucionária

Joice Hasselmann (PSL) - Tem jeito, tem Joice - A prefeita que não cansa para a cidade que não para

Filipe Sabará (Novo) - Novo pra fazer diferente

Orlando Silva (PC do B) - Governar primeiro para quem mais precisa

Marina Helou (Rede) - Ou é mais do mesmo ou é Marina

Levy Fidelix (PRTB) - Deus, pátria e família e Vamos endireitar São Paulo

Antônio Carlos (PCO) - Fora Bolsonaro e Lula candidato

Propaganda política

Data
De 9 de outubro a 12 de novembro

Divisão
Horário eleitoral: Dois blocos diários de 10 minutos cada um no rádio e na TV. Esse tempo será utilizado pelas candidaturas à prefeitura. A divisão é feita a partir do tamanho da bancada dos partidos na Câmara de Deputados.

Inserções na programação: São 70 minutos diários divididos em propagandas de 30 e 60 segundos distribuídos ao longo da grade das emissoras. A maior parte, 60%, é destinada às campanhas para prefeito. Os vereadores ficam com 40% do tempo.

Horários
Rádio: 7h às 7h10 e 12h às 12h10
TV: 13h às 13h10 e 20h30 às 20h40

Calendário Eleitoral

9.out - Início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão relativa ao primeiro turno

21.out - Data a partir da qual partidos e candidatos devem enviar à Justiça Eleitoral a prestação de contas parcial com a movimentação financeira em dinheiro desde o início da campanha até 20 de outubro

25.out - Último dia para a prestação de contas parcial de legendas e candidatos

12.nov - Fim da propaganda eleitoral gratuita relativa ao primeiro turno

15.nov - Primeiro turno

20.nov - Início da propaganda eleitoral relativa ao segundo turno

27.nov - Fim da propaganda eleitoral gratuita

29.nov - Segundo turno

15.dez - Prazo final para candidatos e siglas enviarem prestação de contas do primeiro turno e, onde houver, do segundo turno

Debates Previstos

Folha/UOL (11.nov)

Globo (12.nov)

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