Descrição de chapéu Eleições 2020

Carro de vereador baleado no Rio foi alvejado por ao menos 15 tiros

Atingido de raspão na cabeça, Zico Bacana passou mal nesta terça e foi levado a hospital

Ana Luiza Albuquerque Herculano Barreto Filho
Rio de Janeiro

O carro blindado do vereador do Rio Jair Barbosa Tavares, o Zico Bacana (Podemos), foi alvejado por ao menos 15 tiros na noite de segunda-feira (2), quando ele foi atingido por um tiro de raspão na cabeça.

Candidato à reeleição, Zico foi baleado em frente a um bar em Ricardo de Albuquerque, zona norte do Rio. Ao menos duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas.

Segundo fontes ligadas à Polícia Civil, o vereador estava na calçada quando percebeu a aproximação de um veículo com homens armados. Zico, então, atirou-se no chão e se protegeu atrás de seu carro. Em seguida, foi levado para o hospital estadual Carlos Chagas.

Vereador Zico Bacana, que foi baleado em frente a um bar em Ricardo de Albuquerque, zona norte do Rio - Reprodução/Facebook

O parlamentar passou mal nesta terça-feira (3) e teve que buscar atendimento médico mais uma vez. Ele foi encaminhado a um hospital na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, após apresentar sangramento, segundo sua assessoria de imprensa.

Zico já depôs à Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, que realiza diligências em busca de informações que possam identificar os autores, como a análise de câmeras de segurança.

Ao sair do hospital após ser baleado, o vereador disse que não saberia identificar de onde os tiros vieram, pois o crime ocorreu de forma muito rápida.

"Fui alvejado na cabeça, caí no chão. O que aconteceu foi realmente uma tentativa de homicídio. Não posso dizer de onde veio, foi muito rápido, vários disparos efetuados", afirmou.

Ex-policial militar, Zico foi citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio em 2008.

No documento, ele foi apontado como líder da milícia que atuava em Guadalupe, na zona norte. O bairro fica próximo ao local onde o vereador foi atingido nesta segunda-feira.

Segundo a TV Globo, uma das linhas de investigação da polícia é que traficantes possam ter sido os mandantes do atentado. A região estaria em disputa entre o tráfico e a milícia.

Em 2018, Zico foi convocado a prestar depoimento no contexto do inquérito que apura o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL).

Na época, segundo o jornal O Globo, a Polícia Civil recolheu imagens do circuito interno de câmeras da Câmara Municipal do Rio para saber quem esteve no sétimo andar do prédio, onde ficava o gabinete de Zico, no dia da morte de Marielle —em 14 de março de 2018. Zico nega qualquer relação com o assassinato da vereadora do PSOL.

O tráfico e a milícia representam grave ameaça para as eleições municipais no estado.

Só na Baixada Fluminense, a Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial contabiliza que 12 pessoas que se candidatariam nessas eleições às Câmaras Municipais foram assassinadas desde o ano passado.

Na manhã da última sexta-feira (30) foi assassinada uma cabo eleitoral de uma influente família de políticos em Magé. Na véspera do atentado, Renata Castro esteve na Polícia Federal para fazer um registro de ameaça de morte.​

No início de outubro, dois candidatos a vereador em Nova Iguaçu foram mortos a tiros em um intervalo de 11 dias. Um deles havia sido preso em julho durante operação que mirou uma milícia do município.

Após os dois assassinatos, a Polícia Civil criou uma força-tarefa para coibir os grupos paramilitares, visando reduzir interferências no pleito eleitoral. Nesse mês, a corporação intensificou as operações e matou 17 suspeitos de integrarem milícias.​

Com UOL

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