Descrição de chapéu Eleições 2020

Ciro se afastou da campanha porque teve Covid, diz Sarto, candidato do PDT em Fortaleza

Apoiado pela família Gomes, deputado estadual liga adversário no 2º turno, Capitão Wagner, a motins de policiais militares

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Fortaleza

No sétimo mandato como deputado estadual, José Sarto (PDT), 61, iniciou a campanha para prefeito de Fortaleza apresentando seu currículo à população.

Escolhido candidato governista apoiado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes, Sarto entendeu que, apesar dos mandatos consecutivos na Assembleia, precisava ser reconhecido em sua primeira eleição para o Executivo.

Nesta entrevista à Folha, Sarto acusa seu rival no segundo turno, Capitão Wagner (PROS), pelo aumento da violência em Fortaleza, ligando-o aos dois recentes motins de policiais militares no estado (2011/2012 e 2020), e tenta justificar por que o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) não esteve ativo em sua campanha no primeiro turno.

Sarto lidera a disputa eleitoral com 53% das intenções de voto no segundo turno. Capitão Wagner (PROS) aparece com 35%, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

homem de máscara amarela em palanque com outros homens de camisa vermelha
José Sarto (de máscara amarela), durante campanha em Fortaleza - Divulgação

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As facções criminosas dominam boa parte da periferia de Fortaleza. Mesmo o problema sendo uma responsabilidade prioritária do governo estadual, o senhor acha que a violência é o tema principal hoje também para a prefeitura? Se você observar, a violência em Fortaleza aumentou muito de 2012 para cá depois do primeiro motim dos policiais, que foi de 2011 para 2012. O Réveillon daquele ano foi de um pânico generalizado em Fortaleza. A ação dessas facções começou a encorpar ali, no motim que nasceu também com meu adversário [Capitão Wagner].

Um ato ilegal, as forças policiais não podem fazer paralisações, e tem uma ligação umbilical os dois motins [2011 e 2020] com a violência. Mas o município já tem ajudado, com a criação das areninhas [campos de futebol society em praças], torres de vigilância e videomonitoramento nas ruas em parceria com o governo estadual.

Em seu horário eleitoral houve críticas ao governo da ex-prefeita e hoje deputada federal Luizianne Lins (PT), uma de suas adversárias, e o partido dela agora o apoia no segundo turno. O senhor conversou com Luizianne? Não conversei, mas é uma crítica programática usando pesquisa do Datafolha [de 2010] que colocava a Prefeitura de Fortaleza como a pior avaliada entre oito capitais. Tenho muito respeito a ela. Era uma crítica política, como houve críticas à gestão de Roberto Cláudio (PDT). Tenho recorrido a Belchior para falar desse assunto: "Passado é uma roupa que não se veste mais".

Dos nove candidatos derrotados no 1º turno, o senhor recebeu apoio de sete. Somente Heitor Férrer [Solidariedade] e Heitor Freire [PSL] se declararam neutros. O senhor vê isso como uma adesão às suas ideias ou pelo fato de o presidente Jair Bolsonaro [sem partido] ter declarado apoio a Capitão Wagner? Acho que é uma mensagem de que nesse momento vivemos uma crise sanitária com a Covid-19, e, em uma crise econômica que vem desse problema sanitário, é mais importante a união do que a divisão. Temos diálogo com todos e um projeto para atravessar um momento que pode ser difícil, principalmente com o término do auxílio emergencial que o governo federal paga em 2020.

Chamou a atenção até o momento que o ex-governador Ciro Gomes tenha participado tão pouco de sua campanha. O que aconteceu? Cada um tem uma função estabelecida. O Ciro teve Covid-19, acabou se afastando um pouco. Eu também tive Covid-19 e precisei ficar um tempo fora das ruas, é uma campanha diferente por causa da doença, uma campanha mais curta. Tínhamos uma metodologia para que eu me tornasse mais conhecido a uma parcela da população e nossa defesa, e que Ciro também defende, é da continuidade desse projeto com avanços.

O senhor falou em se tornar mais conhecido, mas está no sétimo mandato como deputado estadual e também já foi vereador. Por que precisou se apresentar à população? A eleição majoritária é diferente. Uma cidade com 2,6 milhões de habitantes e você, numa campanha para deputado estadual, precisa de menos votos. Obtive mais de 450 mil no primeiro turno à prefeitura. Eu sei das necessidades de uma campanha para o Executivo porque já coordenei algumas e sei que é preciso de tempinho para a população te reconhecer, da massificação do seu nome.

A Covid-19 ainda deve ser problema para todos por meses, talvez anos, dependendo do andamento da produção e distribuição das vacinas que estão sendo elaboradas. Como o senhor pretende atuar nessa questão se eleito? Vamos garantir o acesso à vacina. Nossa ideia, em parceria com o governador Camilo Santana [PT], é identificar grupos de risco, gestantes, pessoas com comorbidades, profissionais da saúde e vacinar quando for possível. Também precisamos continuar com monitoramento de casos e fazer testagens.

Houve duas ações da Polícia Federal em Fortaleza recentemente com acusações de uso indevido de dinheiro durante a pandemia, primeiro na compra de respiradores e depois de equipamentos para o hospital de campanha feito no estádio Presidente Vargas. O senhor conversou com o prefeito Roberto Cláudio sobre isso? Conversei, não há qualquer receio, foi tudo feito da maneira mais transparente possível. Como dizemos aqui no Ceará, isso é uma "marmota", uma ação estranhíssima e que vem acontecer pouco antes da eleição.

Uma delas foi com participação da CGU [Controladoria-Geral da União], que tem ligação direta com o governo Bolsonaro, estranho que demande isso bem nesse período. No caso dos respiradores a prefeitura tomou todas as precauções, processando [a empresa] e recebeu recursos de volta.

Raio-X

José Sarto Nogueira Moreira, 61
Médico, é deputado estadual desde 1995. Antes, foi vereador em Fortaleza de 1988 a 1994. Hoje no PDT, já foi filiado ao PDC, PMDB, PPS, PSB e PROS

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