Descrição de chapéu Eleições 2020

Covas e Boulos se acusam sobre falta de experiência e priorizam cidade em 1º debate do 2º turno

Em debate mais tranquilo, candidatos a prefeito de SP priorizaram propostas a ataques pessoais

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São Paulo

Candidatos que disputarão o segundo turno para a Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) trocaram acusações sobre experiência de gestão pública e uso de discurso de ódio no primeiro debate de TV nesta etapa da disputa.

Ao contrário dos debates do primeiro turno, marcados por ataques pessoais, nesta segunda-feira (16), na CNN, Boulos e Covas focaram suas falas em questões locais e problemas da cidade, mas abriram espaço para troca de farpas.

16.11.2020 - Candidatos ao segundo turno, Guilherme Boulos (PSOL) e Bruno Covas (PSDB) participam de debate na CNN Brasil
Candidatos ao segundo turno, Guilherme Boulos (PSOL) e Bruno Covas (PSDB) participam de debate na CNN Brasil - Reprodução CNN Brasil

O principal embate se deu em pergunta sobre a baixa popularidade de seus principais apoiadores políticos, o ex-presidente Lula (PT) e o governador João Doria (PSDB).

Covas foi criticado durante a campanha por esconder Doria, de quem foi eleito vice-prefeito em 2016. O prefeito voltou a afirmar que está “na eleição para prefeito, não qual padrinho importa mais". A eleição quer comparar "o currículo de cada candidato”.

“Há uma diferença entre apoios que você recebe e a sua relação com o Doria. Porque quem foi eleito prefeito há quatro anos foi o João Doria. Você foi vice dele. O João Doria, seguindo uma tradição dos tucanos, abandonou a prefeitura, abandonou a cidade, usou a cidade como trampolim para virar governador”, disse Boulos.

Boulos lembrou que Doria foi eleito sob o argumento de que era o candidato de Bolsonaro em São Paulo, sob o lema “BolsoDoria”, e afirmou que isso fez parte do movimento que trouxe ódio ao debate político, em suas palavras.

A fala serviu como tentativa de colocar Covas como representante de uma política mais agressiva. A estratégia é tentar se livrar da pecha de radical, que o prefeito, que se vende agora como o candidato moderado, tenta colocar sobre Boulos. “Foi em 2018 que surgiu o BolsoDoria, que expressava o voto de rancor, de ódio, de violência”, disse o candidato.

Pouco depois, Covas reagiu. Em um bloco de comentários sobre orçamento, afirmou que Boulos é inexperiente e “acostumado a mandar”.

“Até entendo a dificuldade do Guilherme Boulos. Ele, como chefe de um movimento, tá acostumado a mandar. Mas ser prefeito é mais do que isso”, disse Covas.

Boulos respondeu lamentando que Covas “tenha entrado no vale tudo pra ganhar a eleição, para querer ter o voto nesse segundo turno de pessoas mais simpáticas ao Jair Bolsonaro”, disse o candidato, em mais uma tentativa de tirar do adversário a imagem de moderado.

“Você tenta ser aquilo que você não foi até aqui. Querer criminalizar movimento social”, disse, ao questionar ter sido identificado como “chefe de movimento”.

“Ontem eu até fiquei assustado quando eu vi o seu discurso à noite após a apuração dos votos. Discurso cheio de raiva. Não sei, talvez porque você achou que a eleição estava ganha, ficou preocupado com o crescimento que tivemos nessa reta final e agiu dessa forma”, disse Boulos. “Ficar apelando, atacando movimento social, fazendo eco ao discurso autoritário. Você pode ser muito melhor que isso”, concluiu.

Covas, por sua vez, rebateu afirmando que Boulos quer “ser o dono da verdade”, enquanto a função do prefeito é “saber agregar e ouvir todo mundo”.

“O radicalismo ideológico sabe criticar, mas não sabe como reduzir crimes na cidade de São Paulo”, disse o tucano.

Covas insistiu, em diversos momentos do debate, na falta de experiência em gestão de Boulos, que nunca exerceu cargo público. “Política não se faz com discurso bonito”, disse Covas, defendendo gestão e organização.

Boulos rebateu afirmando que Covas “tenta fazer insinuações” sobre sua experiência de forma jocosa e não respeitosa.

“Eu tenho muito orgulho da minha experiência no movimento social nos últimos 20 anos onde eu aprendi a sentir a realidade das pessoas. [...] Essa experiência te dá uma sensibilidade social, Bruno, que eu acho que você deveria experimentar, que nenhum mandato te dá”, respondeu.

O tema da pandemia também foi presente no debate. Questionados sobre o que fazer em caso de uma nova onda de contaminações e mortes por Covid-19, Boulos criticou a condução do combate à doença feito pela prefeitura e questionou a priorização da construção de hospitais de campanha, provisórios, à ampliação da capacidade de estruturas fixas e já existentes.

A crítica do candidato, no entanto, acaba respingando no trabalho de seu pai, o médico Marcos Boulos, que trabalha no comitê de contingenciamento da doença no estado. Nome importante da área da saúde no governo paulista, as ações do governo eram tomadas em conjunto com a prefeitura, e a gestão Doria também investiu em hospitais de campanha.

Covas criticou a fala do adversário e disse ser “muito fácil agora ser engenheiro de obra pronta”. Ao responder ao adversário sobre qual posição ele tem sobre a disputa política entre Bolsonaro e Doria quanto à vacina, o prefeitoo chamou de “lamentável querer partidarizar uma questão que é técnica, da área da ciência”.

Além de cracolândia, saúde e habitação, Boulos e Covas debateram ainda sobre saneamento básico, dívida ativa e reforma tributária, temas técnicos que não foram muito durante o primeiro turno, marcado por críticas bastante contundente entre os debatedores.

"A geração de emprego, renda e oportunidades é o grande desafio do próximo prefeito", disse Covas, dizendo que a prioridade da gestão na cidade deve ser o combate às desigualdades —mesma bandeira do rival.

O candidato do PSOL acenou para a periferia em diversas oportunidades e afirmou que a gestão tucana abandonou os extremos da cidade. Também defendeu contratação emergencial de médicos e novos concursos para a guarda municipal.

O clima esquentou um pouco após Boulos questionar sobre problemas em contratos, ao que Covas rebateu dizendo que “se tem algo que me é muito caro são os princípios morais que aprendi dentro de casa”.

Nas considerações finais, o candidato do PSOL agradeceu aos eleitores que votaram nele e fez um aceno aos que estão insatisfeitos com a atual gestão, dizendo que 70% dos que foram às urnas neste domingo sinalizaram um desejo de mudança. "As pessoas votaram com esperança, não com ódio", disse.

Covas destacou o fato de ter vencido em todos os distritos eleitorais da capital. "É a experiência que neste momento de crise faz a diferença para que a gente possa seguir avançando. A esperança vai vencer os radicais no segundo turno, como venceu no primeiro turno", afirmou.

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