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Datafolha no Recife: Disputa se acirra com Marília Arraes e João Campos em empate técnico

Segundo turno entre primos mostra petista com 52% e candidato do PSB com 48%

Recife

Em um segundo turno acirrado na disputa pela Prefeitura do Recife, a deputada federal Marília Arraes (PT) e o deputado federal João Campos (PSB), seu primo, estão em empate técnico, aponta o Datafolha.

Marília, neta do ex-governador Miguel Arraes, aparece com 52% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos. Campos, filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto de Arraes, tem 48%.​

O Datafolha ouviu 1.036 eleitores nos dias 24 e 25 de novembro. A pesquisa, feita em parceria com a TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Considerando-se os votos totais, Marília tem 43% das intenções de voto. Campos marca 40%, enquanto 13% declararam votar em branco ou nulo, e 4% não souberam responder.

No primeiro levantamento do segundo turno, divulgado há uma semana, Marília tinha 55% dos votos válidos, e Campos, 45%.

Nos votos totais, a petista tinha 41% das intenções, enquanto Campos aparecia com 34%. Declararam voto em branco ou nulo 21% dos entrevistados, e 3% não souberam responder.

No primeiro turno, Campos teve 29,17% dos votos válidos , enquanto Marília ficou com 27,95%. O ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM) ficou em terceiro, com 25,11%. Ele disputou parcela do voto bolsonarista no Recife com a delegada Patrícia Domingos (Podemos), na quarta colocação, com 14,06%.

Primos em lados opostos desde 2014, João e Marília travam uma das disputas eleitorais mais acirradas da história do Recife.

Na reta final, a temperatura da campanha subiu consideravelmente. Os lados se inverteram em relação à primeira etapa. Agora, ele foi para o ataque, e ela ficou na defensiva.

O PSB apostou na estratégia do sentimento antipetista. Mesmo o partido fazendo parte das três gestões do PT no Recife, uma delas integrando a vice, Campos diz na propaganda que a capital pernambucana não quer andar para trás.

A propaganda de João Campos menciona que o PT nacional já está de malas prontas porque sonha em mandar no Recife.

“Você lembra quem faz parte do PT nacional? José Dirceu, Gleisi Hoffmann, Mercadante. Pense antes de votar. Eles querem voltar”, diz a propaganda, que mostra um avião decolando em direção ao Recife.

Cartazes e panfletos apócrifos foram espalhados na capital com ataques contra a candidata do PT. A Justiça Eleitoral foi acionada, mas os autores ainda não foram identificados.

Em uma das peças aparece a frase: “Cristão de verdade não vota em Marília", e ela é mencionada como política que “pertence ao PT, que persegue os cristãos em todo o Brasil”.

Durante o segundo turno, na briga com a prima pelo legado de Arraes, Campos tem dito que o PT chegou a ir para a porta do Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, gritar que Arraes “era caduco e Pinochet de Pernambuco”.

Na última semana do segundo turno, um apoio festejado pelo PT virou pivô de uma crise na campanha de Marília.

A revista Veja publicou na última segunda-feira (23) uma gravação em que o deputado federal Túlio Gadêlha (PDT-PE) diz a um interlocutor que, em conversa com Marília, ela teria dito que ele precisava fazer fundo de caixa de campanha a partir dos assessores e juntar R$ 30 mil.


Não é possível identificar com quem o parlamentar conversa nem precisar a data do diálogo. Por meio de nota, Gadêlha disse que se tratava de mais uma “fake news” do PSB. “Tática essa que tem se tornado corriqueira na campanha pela Prefeitura do Recife.”

A gravação foi parar na propaganda eleitoral de João Campos. Uma das peças cita que Marília é investigada por improbidade administrativa.

Em debate, Campos declarou que ela precisa responder pela prática de “rachadinha”. Trata-se de um inquérito que foi conduzido pela delegada Patrícia Domingos.

Em 2017, à frente da Decasp (Delegacia de Crimes Contra Administração e Serviços Públicos), Patrícia investigou a petista e a indiciou sob suspeita do crime de peculato por práticas de contratação de funcionários fantasmas na época em que Marília era vereadora do Recife.

A pedido do Ministério Público, no âmbito criminal, a Justiça arquivou o inquérito por falta de provas.

A delegada Patrícia também indiciou sob a suspeita do mesmo crime o ex-vice prefeito do Recife Milton Coelho (PSB) na gestão de João da Costa (PT). Na época dos fatos, também arquivados, ele era secretário de Administração do governador Paulo Câmara (PSB).

Coelho é o primeiro suplente do PSB e assume a vaga de Campos na Câmara dos Deputados se ele vencer a eleição no Recife.

Em relação a Marília Arraes, na instância cível, a respeito do mesmo fato, houve desdobramento para apurar se fica comprovada a improbidade administrativa. Desde 2019 parado, o juízo expediu na terça-feira (24) a citação para que a petista fosse notificada.

Nesta quinta-feira (26), a Folha mostrou que servidores da Prefeitura do Recife estão sendo escalados por seus chefes imediatos para cumprir missões diárias na campanha de João Campos.

Bombardeada no segundo turno, Marília usou a estratégia de não contra-atacar. Insinua que é vítima de machismo dos seus adversários. Numa das peças publicitárias, ela alega que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive na prefeitura.

Uma ala petista, que defendia a aliança com o PSB, se uniu em torno de Marília após os ataques mais pesados contra o partido.

Nos bastidores, a estratégia de ficar apenas se defendendo é criticada por um setor que apoia a candidata. Defendem que ela também deve iniciar a ofensiva.

No primeiro turno, Campos foi bastante atacado em razão de recorrentes operações da Polícia Federal na gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB) que apontaram indícios de desvios de recursos públicos destinados ao combate da pandemia.

Geraldo Julio e Paulo Câmara, com gestões muito mal avaliadas em pesquisas, foram escondidos no palanque de Campos durante a disputa.

Na quarta-feira (25), o prefeito apareceu na propaganda eleitoral para dizer que seus adversários não sabem reconhecer os avanços que o Recife teve nos últimos anos.

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