Em sabatina, Arthur do Val erra sobre custo do gabinete e fundo eleitoral

Candidato do Patriota não é o deputado mais barato da Assembleia Legislativa de São Paulo

São Paulo | Agência Lupa

O deputado estadual Arthur do Val (Patriota), candidato à Prefeitura de São Paulo, prometeu reduzir os gastos da administração municipal na sabatina promovida pela Folha, em parceria com o UOL, nesta segunda-feira (2).

Ele também atacou outros candidatos que participam da disputa e criticou algumas das medidas tomadas durante a pandemia da Covid-19. A Lupa checou algumas das falas do candidato, que foi procurado para comentar, mas não respondeu até a publicação do texto. Veja, a seguir, o resultado:

"Eu, por exemplo, sou o deputado mais barato da história da Assembleia [Legislativa de São Paulo]"

Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha, em parceria com o UOL, em 2 de novembro de 2020

FALSO Até setembro de 2020, o custo total do gabinete do candidato foi de R$ 1,497 milhão, considerando todos os salários de funcionários e verbas de ressarcimento. Pelo menos três deputados gastaram menos na atual legislatura: Daniel José (Novo), Janaína Paschoal (PSL) e Ricardo Mellão (Novo).

Daniel e Janaína gastaram praticamente a mesma coisa: o deputado do Novo gastou R$ 1,268 milhão, enquanto a deputada do PSL gastou R$ 1,270 milhão –ou seja, R$ 200 mil a menos do que o candidato. Os dois, ao contrário de Do Val, pediram ressarcimento de algumas despesas (respectivamente, R$ 19,5 mil e R$ 24,5 mil). Contudo, o custo dos salários dos servidores nos dois gabinetes foi menor. Mellão, por sua vez, não pediu ressarcimento por nenhuma despesa, e gastou R$ 5 mil a menos em salários: R$ 1,492 milhão. Veja o levantamento completo aqui.

Procurado para comentar o resultado da checagem, Do Val afirmou, em nota, que os quatro deputados citados têm números bem próximos, destoando do restante dos parlamentares. "Mas ainda faltou levantar a economia com benefícios como assistência médica especial, auxílio-creche, carro oficial, manutenção do veículo, gasolina, etc. Eu não uso nada disso", disse.


“Eu sou o único candidato que abre mão do Fundo Eleitoral”

Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha, em parceria com o UOL, em 2 de novembro de 2020

FALSO Do Val não é o único candidato à Prefeitura de São Paulo que abriu mão do fundo eleitoral. Dois partidos, o Novo e o PRTB, abriram mão de receber sua cota do fundo em todo o país. Este último tem candidato à prefeitura, Levy Fidelix. O Novo, por sua vez, lançou Filipe Sabará, mas ele foi expulso do partido, que abriu mão da candidatura.

É a terceira vez que a Lupa checa essa declaração de Do Val. Ele disse ser o único candidato que abriu mão do fundo durante o primeiro debate entre os candidatos, na Band, e repetiu essa informação falsa no horário eleitoral.

Procurado, Do Val afirmou, em nota, que a comparação apresentada “não corresponde aos fatos”. "O meu partido ofereceu o fundo eleitoral e eu recusei, nenhum outro candidato a prefeito fez isso", afirmou. "O Novo e o PRTB recusaram nacionalmente e os candidatos não tinham a opção de aceitar ou não." Ele destacou ainda que a candidatura do Novo a prefeito de São Paulo foi retirada e que o R$ 1,2 milhão destinado ao PRTB seria uma quantia irrisória quando dividida entre todas as candidaturas do partido no país.


“Me candidatei pelo DEM em 2018, também não usei nenhum tipo de fundo eleitoral para me eleger”

Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha, em parceria com o UOL, em 2 de novembro de 2020

VERDADEIRO De acordo com a prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato não teve nenhuma verba vinda do Fundo Partidário ou de Fundos Especiais na sua campanha para deputado estadual em 2018. Segundo as receitas disponíveis no site do TSE, a origem de financiamento é majoritariamente de financiamento coletivo (R$ 77,3 mil), seguido de doações do próprio candidato (R$ 51 mil), do empresário Salim Mattar (R$ 50 mil) e do então candidato a deputado federal Kim Kataguiri (R$ 27,4 mil).


“Eu tenho apenas sete [assessores no gabinete]. Na verdade, eu tinha oito, fui pra sete na campanha”

Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha, em parceria com o UOL, em 2 de novembro de 2020

VERDADEIRO Segundo os dados da Transparência da Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado estadual Arthur do Val conta atualmente com sete servidores comissionados atuando no gabinete.

Do início da legislatura até agosto de 2019, cinco pessoas trabalhavam no mandato. No mês seguinte, o número subiu para seis, e em dezembro, para sete. Nos meses de agosto e setembro de 2020, ele contou com oito cargos comissionados ocupados.


“O orçamento [de São Paulo] para assistência social, você tá falando R$ 1,2 bi”

Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha, em parceria com o UOL, em 2 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS De acordo com a distribuição de recursos do orçamento de 2020 da Prefeitura de São Paulo, o Fundo Municipal de Assistência Social tem uma previsão de R$ 1,16 bilhão. Entretanto, quando considerados todos os gastos com a função Assistência Social previstos no orçamento, esse valor sobe para R$ 1,6 bilhão.


“Se você estiver falando [do orçamento] da cultura, estamos falando de aproximadamente R$ 0,4 bilhões, R$ 0,5 bilhões”

Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha, em parceria com o UOL, em 2 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS De acordo com a distribuição de recursos do orçamento de 2020 da Prefeitura de São Paulo, a Secretaria Municipal de Cultura tem direito a R$ 432 milhões, ou R$ 0,4 bilhão. Contudo, os gastos previstos com a função Cultura são de R$ 806 milhões.


“Em nenhum momento eu aprovei nenhum tipo de censura. (...) O próprio Santander decidiu retirar a exposição do ar”

Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha, em parceria com o UOL, em 2 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS O banco Santander decidiu, no dia 10 de setembro de 2017, fechar a exposição Queermuseu, que iria acontecer em Porto Alegre e abordava a diversidade sexual. A determinação ocorreu depois de protestos nas redes sociais, que incluíram o Movimento Brasil Livre (MBL), do qual Do Val é integrante.

Um dia depois do anúncio de fechamento da mostra, Do Val publicou um vídeo no seu canal “Mamãe Falei’ no Youtube em que nega fazer censura ao evento, mas faz acusações de que as obras promoveriam “zoofilia e pedofilia” – o que não era verdade. Ele também foi a um protesto provocar manifestantes contra o fechamento da exposição. A manifestação acabou em conflito com a polícia, entre grupos apoiadores e contrários à exposição.

O MBL do Rio Grande do Sul chegou a chamar o banco de “vergonha dos gaúchos” e incentivou que os correntistas do banco encerrassem suas contas em protesto.

Em uma publicação no Facebook, o líder do MBL Kim Kataguiri chegou a afirmar que o movimento fez pressão para que a exposição não fosse realizada. “Sobre a história do ‘Santander Cultural’. Sim, o MBL pressionou para que não acontecesse. Uma coisa é defender que todos sejam tratados de maneira igual, independentemente de orientação sexual, outra coisa é usar dinheiro da Lei Rouanet para financiar uma amostra para crianças que conta com pedofilia e zoofilia. Criem vergonha na cara, canalhas!”, diz a publicação.

Carol Macário , Chico Marés , Ítalo Rômany , Juliana Almirante , Maurício Moraes e Samuel Costa
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