Empresário diz que bancou jatinho para buscar Salles e Flávio Bolsonaro em Fernando de Noronha

Antes, Flávio havia pedido que o Senado reembolsasse as passagens usadas para sua viagem privada

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Brasília

Empresário do ramo de depilação, Ygor Alessandro de Moura afirmou à Folha que bancou o envio de um jatinho particular ao arquipélago de Fernando de Noronha (PE) para transportar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) até São Paulo.

A viagem ocorreu no último domingo, dentro de um feriado prolongado, e foi confirmada por Moura, dono da Espaçolaser Depilação.

Flávio, o filho 01 do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), havia pedido que o Senado reembolsasse as passagens usadas para sua viagem privada.

Depois da revelação do pedido, o gabinete do senador afirmou que houve um equívoco e que o congressista pediu para cancelar o reembolso.

A volta acabou sendo providenciada por Moura.

Segundo ele, o envio do jatinho a Fernando de Noronha, para buscar Salles e Flávio, foi um pedido do secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fabio Wajngarten, que comemorou seu aniversário em Maresias, no litoral paulista. O ministro e o senador participaram da festa.

"Fabio é meu amigo há muito tempo, é meu vizinho de praia em Maresias. Foi uma demanda de Fabio, e então emprestei [o jatinho]”, disse Moura à Folha.

"Minha amizade é com o Fabio. É meu amigo e vizinho. Salles e Flávio eu apenas conheço, porque são amigos de Fabio", afirmou o empresário.

Moura disse não enxergar nenhum problema "na esfera pública e privada" ao custear o voo do jatinho ao ministro e ao senador.

"Nunca tinha feito um empréstimo assim. Eu emprestei também um helicóptero, para buscar um cantor para a festa."

O jatinho Embraer, modelo EMB-505, é operado pela SPCTA Táxi Aéreo.

A empresa pertence ao grupo JHSF, que atua nos mais diferentes ramos, da hotelaria a empreendimentos imobiliários, passando por um aeroporto privado em São Roque (SP).

O voo contratado pelo empresário, para buscar o ministro e o senador, custou R$ 57 mil, segundo fontes a par da contratação. O grupo JHSF confirmou que o jatinho "foi colocado à disposição" de Moura.

O empresário é cliente de um programa de compartilhamento, ao qual a aeronave está associada, e fez o pedido para a realização do voo, segundo a assessoria de imprensa da JHSF. "Não se trata de operação de táxi aéreo", afirmou a assessoria do grupo.

Os registros do jatinho na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) mostram que a aeronave está proibida de fazer o serviço de táxi aéreo. O que houve, assim, foi um voo particular.

Para aderir ao programa de compartilhamento de aeronaves, cada cliente paga uma taxa de adesão de US$ 400 mil —R$ 2,3 milhões, pela cotação do dólar nesta terça-feira (3). Além disso, conforme o grupo JHSF, são necessários mais US$ 6.142 (R$ 35,3 mil) de manutenção.

Já a hora de voo custa US$ 1.750 (mais de R$ 10 mil), e a quantidade varia conforme o pedido de percurso pelo cliente.

A festa de Wajngarten em Maresias reuniu integrantes do governo Bolsonaro, entre eles Salles e o senador Flávio. À Folha o gabinete do senador afirmou que ele "pegou uma carona no avião citado pela reportagem".

"Ele foi de Noronha para Maresias para participar de um evento organizado pelo secretário-executivo do Ministério das Comunicações. O deslocamento ocorreu de maneira regular e não feriu qualquer regra", disse o gabinete.

A reportagem questionou o ministro do Meio Ambiente e sua assessoria sobre o voo no jatinho pago por um empresário, mas não houve retorno até o momento.

Em Fernando de Noronha, Salles teve uma agenda de trabalho.

Dois dias antes do voo no jatinho, na sexta-feira (30) , ele assinou documento que autoriza a pesca de sardinha na área do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. O ato foi comemorado por Bolsonaro nas redes sociais.

A flexibilização preocupa ambientalistas e tem a discordância da área ambiental do governo de Pernambuco.

A permissão para a pesca se dará por meio de termos de compromisso firmados entre o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e pescadores da região.​

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