Descrição de chapéu Eleições 2020

Sedado após contrair Covid-19, Maguito Vilela (MDB) é eleito em Goiânia

Ex-governador recebeu diagnóstico no dia 20 de outubro; ele derrotou o senador Vanderlan Cardoso (PSD)

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Fernanda Canofre Cleomar Almeida
Belo Horizonte

Ainda internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para tratamento da Covid-19, o ex-governador de Goiás Maguito Vilela (MDB) foi eleito prefeito de Goiânia. Ele alcançou 52,6% dos votos válidos neste domingo (29) com 100% das urnas apuradas.

Maguito já havia ficado à frente do senador Vanderlan Cardoso (PSD) no primeiro turno, quando recebeu 36,02% dos votos válidos contra 24,67% do adversário.

A disputa em Goiânia ficou mais tensa depois do primeiro turno, com a vantagem de Maguito de quase 12% em cima de Cardoso, e com o ex-governador internado para tratamento da Covid-19 há 38 dias. A equipe de Maguito pediu investigação da Polícia Federal sobre fake news que estariam circulando a respeito do estado de saúde do candidato.

homem de camisa branca fala
O prefeito eleito de Goiânia, Maguito Vilela (MDB) - Divulgação

O vice-prefeito eleito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), agradeceu os eleitores pela vitória e disse que todo o plano de governo será executado nos próximos quatros anos.

"Agradecemos ao eleitor por depositar seu voto no Maguito Vilela. Ele se multiplicou em Goiânia, porque criamos uma força tão grande de aliados. Todo o plano de Maguito será executado nos próximos quatro anos e ele estará ao nosso lado", afirmou.

Em nota, o governador Ronaldo Caiado (DEM) parabenizou Maguito e seu vice pela vitória.

Caiado, que apoiou o adversário de Vilela, disse que está "à inteira disposição para continuidade das parcerias". Ele se referiu à aliança com o atual prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), que não apoiou qualquer candidatos nestas eleições.

Na nota, o governador também observou que a soma de abstenções, nulos e brancos equivale a 50,7% do eleitorado de Goiânia. "O momento é de unirmos forças na defesa de interesses maiores da população de nossa capital", afirmou.

Caiado também continua "na torcida e em orações pela breve recuperação do prefeito eleito de Goiânia".

Segundo a equipe de Maguito, o emedebista, que tem 71 anos, recebeu o diagnóstico de infecção pelo novo coronavírus no dia 20 de outubro e foi internado no Albert Einstein, em São Paulo, uma semana depois, dia 27.

Maguito Vilela está sedado desde o dia 15 de novembro, dia do primeiro turno, após uma piora inflamatória e infecciosa nos pulmões. Chegou a ser intubado e depois passou por uma traqueostomia. De acordo com o último boletim médico, ele segue com ventilação invasiva com traqueostomia e hemodiálise contínua.

Também no dia 15 de novembro, a equipe dele divulgou uma nota de repúdio a boatos que estavam circulando sobre o estado de saúde do candidato. “Isso é sinal da falta de caráter de quem faz tudo pelo poder e não respeita nem a luta do candidato contra a Covid-19”, diz a nota.

O prefeito eleito respira por meio de ventilação invasiva com traqueostomia, ligado ao aparelho ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) e submetido à hemodiálise contínua para auxiliar o funcionamento dos rins, diz boletim médico divulgado neste domingo​.

Presidente estadual do MDB e filho de Maguito Vilela, Daniel Vilela, lamentou o que chamou de ofensas recebidas de equipes do adversário derrotado, senador Vanderlan Cardoso (PSD). “Não posso deixar de registrar um fato desta campanha desrespeitosa contra o nosso candidato, uma campanha vergonhosa, pessoas que demonstraram não ter o mínimo escrúpulo com a vida humana".

O filho do político também lembrou que, nesta semana, carros de som anunciaram a morte de Maguito Vilela. Também criticou o disparo em massa no Whatsapp com fake news relativas ao estado de saúde do candidato. "Com certeza isso teve influência e trouxe insegurança a muitas pessoas", disse.

Ex-governador de Goiás, ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, uma das maiores cidades do estado, ex-deputado estadual e federal e senador, Maguito juntou cinco partidos, além do MDB, na sua atual coligação —PMB, PTC, Patriota, Republicanos e PC do B— e tentou associar seu nome ao do atual prefeito da capital Iris Rezende (MDB), figura importante na política goiana.

Rezende não manifestou apoio no primeiro turno mas, no segundo, apareceu em um vídeo pedindo orações a Maguito, que foi seu vice no governo do estado, e o chamou de “nosso candidato”.

Já o senador Vanderlan Cardoso recebeu apoio do governador Ronaldo Caiado (DEM) —o DEM de Caiado integra a coligação do candidato do PSD junto ao PTB, PSC, PP, PMN e Avante.

Em entrevista à rádio Sagres, questionado sobre como via sua campanha no segundo turno, o senador disse que foi bombardeado no primeiro turno, acusou a campanha de Maguito de não respeitar a doença do candidato e questionou por que o vice dele —que segundo os rivais não teria capacidade de governar— aparecia menos que o filho de Maguito, o presidente estadual do MDB, Daniel Vilela.

Maguito foi eleito ao lado do vereador por dois mandatos Rogério Cruz (Republicanos). O candidato a vice de Vanderlan, Wilder Morais (PSC), concorreu ao Senado, pelo DEM, em 2018.

Cruz, 56, é pouco conhecido pela população, mas poderá assumir os primeiros dias de gestão na capital a partir do próximo ano. Ele é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e está no segundo mandato de vereador de Goiânia. Declarou à Justiça Eleitoral patrimônio no valor total de R$ 81,39.

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