Descrição de chapéu Eleições 2020

João Campos e Marília Arraes fazem 2º turno entre família no Recife

Candidatos são bisneto e neta de Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco

Recife

Os deputados federais João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), respectivamente bisneto e neta do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes (1916-2005), vão disputar o segundo turno no Recife.

Com 100% das urnas apuradas, Campos, que é filho do ex-governador Eduardo Campos (1965-2014), registrou 29,17% dos votos, enquanto Marília teve 27,95%.

O ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM) ficou em terceiro, com 25,11%. Ele disputou parcela do voto bolsonarista no Recife com a delegada Patrícia Domingos, na quarta colocação, com 14,06%.

Em lados opostos desde 2014, quando Marília decidiu romper com o PSB, os primos disputam pela primeira vez eleições majoritárias.

Deputado federal mais votado da história de Pernambuco em 2018, João Campos procurou na propaganda política não vincular diretamente sua imagem ao prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), e ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

Os dois aparecem com as gestões mal avaliadas em pesquisas.

Na reta final, João Campos usou o pai como principal cabo eleitoral. Eduardo Campos morreu no dia 13 de agosto de 2014, durante a campanha presidencial.

Alvo preferencial dos adversários neste primeiro turno, Campos foi questionado durante a campanha sobre as recorrentes operações da Polícia Federal que investigam supostos desvios de recursos públicos destinados ao combate da pandemia.

Com 26 anos, ele também foi muito criticado pelos oponentes por não ter experiência. Na vida pública, foi chefe de gabinete do governador Paulo Câmara e exerce, há quase dois anos, mandato de deputado federal.

“Eu entendo se você acha que eu sou muito novo para ser prefeito da cidade do Recife, mas queria que você me conhecesse. Na minha vida, nunca dei um passo maior do que eu poderia dar”, disse na propaganda política veiculada nos últimos dias.

Campos liderou, de acordo com o Datafolha, todos os levantamentos desde o dia 5 de outubro. A coligação Frente Popular, além do PSB, conta com MDB, Rede, PC do B, Solidariedade, Pros, PV, Avante, Republicanos, PP, PDT e PSD.

Para chegar ao segundo turno, Marília Arraes enfrentou adversários dentro do próprio partido. Uma ala do PT, capitaneada pelo senador Humberto Costa (PT), defendia aliança com o PSB nestas eleições.

O PT integra o primeiro escalão do governo Paulo Câmara. Até outubro, comandava a Secretaria de Saneamento da Prefeitura do Recife.

No início da campanha, temendo um efeito antipetista, Marília se distanciou dos principais símbolos do partido.

Na propaganda, não usava o vermelho, a estrela do PT e nem a imagem de Lula. Também decidira não utilizar o sobrenome do avô Miguel Arraes.

No meio do primeiro turno, mudou a estratégia. Acrescentou “Arraes” nas peças publicitárias e passou a dar destaque a Lula, que se tornou o seu principal cabo eleitoral.

“É Lula. É Arraes. É Marília Arraes”, diz o slogan depois do redirecionamento.

Em 2018, Marília foi a segunda deputada mais votada do estado. É a única mulher na bancada federal de Pernambuco. Antes, foi vereadora do Recife por três mandatos. Ela deixou o PSB após ser bloqueada nas suas pretensões políticas dentro do partido pelo primo Eduardo Campos.

Em 2013, antes do rompimento, foi secretária de Juventude e Qualificação Profissional de Geraldo Julio.

Também concorreram nestas eleições o coronel da PM Alberto Feitosa (PSC); o procurador do Recife Charbel Maroun (Novo); a pedagoga Cláudia Ribeiro (PSTU); o advogado Carlos de Andrade Lima (PSL); o advogado Thiago Santos (UP) e o músico e técnico em eletrônica Victor Assis (PCO).

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