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Velhos caciques, animais, armas e gênero: o que o paulistano elegeu para a Câmara

Pautas difusas se congregarão em uma legislatura com vários ineditismos

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São Paulo

Em meio a velhos conhecidos da política paulistana que manterão presença na próxima legislatura, como Milton Leite (DEM) e Eduardo Suplicy (PT), o paulistano escolheu um conjunto bastante heterogêneo de pautas para o período legislativo que começa em 2021.

A julgar pelos candidatos mais bem votados, é possível dizer que o paulistano se importa com segurança, questões de gênero e direitos dos animais.

Leite, conhecido por ser uma espécie de barão da zona sul de São Paulo, deve manter sua forte influência sobre a gestão Bruno Covas (PSDB) na prefeitura, caso este prevaleça, no segundo turno, sobre Guilherme Boulos (PSOL).

A sete meses de se tornar um octogenário, Suplicy leva pela segunda vez o posto de vereador mais votado e já se tornou uma espécie de símbolo do partido na Câmara.

Apesar do encolhimento da votação do PT na capital, a bancada do partido não deve ser pequena nem nova. Uma das famílias políticas mais tradicionais da cidade, os petistas Tatto não conseguiram fazer decolar a candidatura para prefeito do ex-secretário dos Transportes Jilmar Tatto, que amargou um sexto lugar, mas estarão na Câmara Municipal com Jair Tatto e Arselino Tatto.

Em dobro na legislatura também estarão os Tripoli, Xexéu, eleito pela primeira vez em 2016, e Roberto na Câmara desde 1989, mas que estava fora desde 2015, quando foi para a Alesp. O primeiro é filiado ao PSDB e o segundo ao PV, e ambos têm nos direitos dos animais uma pauta preferencial, que tem mantido a família em evidência na cidade nas últimas décadas.

O tema também serve de bandeira ao novato Felipe Becari (PSD), um influencer com mais de 1 milhão de seguidores no instagram e ativista da causa animal. Foi o quarto mais bem votado neste ano, com 98,7 mil votos,.

Outro influencer com quase meio milhão de seguidores no Instagram alçado ao poder é o Delegado Palumbo (MDB), que fez campanha defendendo o que chama de “direitos das vítimas” e pedindo mais punição aos bandidos e foi eleito com discurso duro na área da segurança pública.

Terceiro mais votado da cidade, com 118,3 mil votos, ele deve ajudar a puxar outros nomes do MDB, cujos resultados foram relativamente discretos. O partido pode ter presença na Prefeitura com Ricardo Nunes, candidato a vice na chapa de Bruno Covas.

As pautas de gênero entraram por diferentes caminhos e vieses políticos: foram dois vereadores trans, Erika Hilton (PSOL) e Thammy Miranda (PL), além da Bancada Feminista (PSOL), coletivo de cinco “covereadoras” —a última moda na política paulistana— que têm entre suas principais propostas a luta contra a violência contra a mulher e pela população LGBTQ.

Terão como colega o atual presidente da Câmara, Eduardo Tuma (PSDB), que se posiciona contra o que se convencionou chamar de “ideologia de gênero”. Reeleito com mais de 40 mil votos, Tuma também ficou entre os mais votados, mas atrás de Hilton, Miranda e da Bancada Feminista.

De cada 5 paulistanos que votaram, 1 preferiu não escolher nome ou partido nenhum: o índice de votos brancos e nulos para o legislativo da capital chegou, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a 19,5% neste ano.

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