Cortejado por Maia, Republicanos decide apoiar Lira na disputa pelo comando da Câmara

De olho nos votos da maior bancada, atual presidente da Casa oferece ao PT primazia na composição da Mesa Diretora

Brasília

O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), decidiu se juntar ao bloco do líder do PP, Arthur Lira (AL), candidato à presidência da Câmara apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo parlamentares e aliados de Pereira, o grupo de Lira fez uma série de ofertas para atrair o Republicanos para o bloco.

Estaria na mesa um ministério no governo, que seria o da Cidadania, e a indicação de um parlamentar para a vaga da Câmara no TCU (Tribunal de Contas da União), que será aberta em 2022 com a aposentadoria da ministra Ana Arraes.

Além disso, o PP também teria acertado com o partido, ligado à Igreja Universal, a indicação de um nome para a primeira secretaria da Mesa Diretora, que funciona como uma espécie de prefeitura da​ Câmara.

O presidente do Republicanos nega que tenha negociado cargos no primeiro escalão do governo para aderir ao bloco de Lira. "Não terá ministério. Não serei ministro", afirmou.

Pereira era um dos possíveis pré-candidatos do grupo mais alinhado ao atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na semana passada, porém, ele decidiu que insistiria na sua candidatura, mesmo sem o apoio do deputado do DEM.

Nesta quarta, ele bateu o martelo de que apoiará Lira. "Tinha um veto velado do Maia a minha pessoa", justificou Pereira à Folha sobre a decisão de embarcar na candidatura do líder do PP.

A campanha de Lira afirma ter votos de PL, PSD, Solidariedade, Avante, PSC, PTB, PROS e Patriota. Juntos, eles somam 170 deputados. Com o Republicanos, que tem 31 deputados, o número de apoiadores de Lira sobe para 204.

Além desses, o entorno do líder do PP também conta com dissidentes da oposição e do PSL.

O voto é secreto. Por isso, a adesão de partidos a blocos não significa a garantia de votos. São necessários 257 do total de 513 para eleger, em fevereiro, quem comandará os deputados pelos próximos dois anos.

Do outro lado, o grupo ligado a Maia faz uma ofensiva sobre os partidos de esquerda para atrai-los para seu bloco —o PC do B, o PDT e o PSB já avisaram que vão migrar.

Para atrair o PT, maior bancada da Câmara, Maia ofereceu ao partido o direito de escolher primeiro o cargo na Mesa Diretora desejado pela sigla. Poderiam ficar com os petistas, por exemplo, a primeira vice-presidência ou a primeira secretaria.

O bloco do presidente da Câmara é formado por seis partidos (PSL, MDB, PSDB, DEM, Cidadania e PV), que reúnem 159 deputados. No entanto, calcula-se que apenas metade da bancada do PSL esteja alinhada a esse grupo. O restante, aliados de Bolsonaro, deve apoiar Lira.

Nesta quarta, Maia afirmou que o governo tenta estimular a esquerda a lançar candidatura própria na sucessão da Câmara para impedir que a oposição apoie seu nome na disputa.

O deputado do DEM, que ainda não anunciou seu candidato, realizou café da manhã com jornalistas na residência oficial da presidência da Câmara.

“Quem estimula hoje uma candidatura de esquerda é o governo”, disse, ressalvando que alguns partidos de esquerda historicamente defendem candidatura própria para marcar posição —caso do PSOL.

“Mas acho que nas conversas mais fortes que estão acontecendo, o movimento das últimas horas, de uma tentativa de terceiro candidato, vem muito mais da tentativa do governo de tentar estimular, através das pessoas que têm simpatia pelo candidato do governo [Arthur Lira], a ter uma candidatura que não apoie um movimento mais amplo de independência da Casa”, afirmou.

Se o anúncio do bloco ocorrer até esta quinta-feira (17), a ideia é bater o martelo sobre o candidato até sexta (18). Neste momento, os mais cotados são os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP).

Maia voltou a dizer que o Palácio do Planalto oferece cargos e emendas para atrair votos para Lira.
“[O governo] Não está escondendo isso de ninguém, porque está recebendo no gabinete o ministro da articulação política.”

Maia disse ainda que a intenção de Bolsonaro é emplacar um presidente da Câmara que apoie sua pauta de costumes, que é o que alimenta seu processo político.

“Ele [Bolsonaro] não ter a pauta de costumes na Câmara reduz esse ambiente polarizado que, do meu ponto de vista, na opinião dele, é o que constrói a eleição. Construiu a outra, vai construir a próxima.”

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