Guilherme Boulos passa a ter coluna na Folha

Ex-candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo e coordenador do MTST escreverá às terças-feiras

São Paulo

Guilherme Boulos, que foi candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo em 2020, passa a integrar na próxima semana o grupo de colunistas da Folha em suas plataformas digital e impressa.

Segundo colocado na disputa paulistana, ele escreverá na coluna vertical da página A2 às terças-feiras, em substituição ao professor de gestão de políticas públicas Pablo Ortellado. A primeira coluna será publicada na próxima terça (12).

​Boulos, 38, é conhecido por sua atuação no MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), grupo que reivindica moradias em áreas urbanas, no qual milita há 20 anos, sendo o coordenador nacional.

É formado em filosofia na USP e é mestre em psiquiatria na mesma universidade —fez pesquisa sobre a incidência de depressão em comunidades de sem-teto em São Paulo.

Na política, ele se filiou ao PSOL em 2018, ano em que concorreu à Presidência pelo partido. Naquela eleição, ficou em décimo lugar, conquistando 617 mil votos.

Dois anos depois, decidiu se lançar candidato a prefeito da capital paulista. Ele gradualmente obteve respaldo de apoiadores da centro-esquerda, contingente que em outras eleições havia impulsionado candidatos do PT na cidade.

A adesão de eleitores mais jovens, numa campanha forte nas redes sociais e com pouco tempo na TV, o ajudou a chegar ao segundo turno do pleito contra Bruno Covas (PSDB), que buscava a reeleição. O resultado ampliou sua projeção na esquerda num momento em que esse campo político discute os possíveis cenários para a sucessão presidencial de 2022.

No segundo turno da campanha municipal, Boulos angariou o apoio de partidos como PT e PC do B, entre outras forças, e obteve 40,6% dos votos válidos, perdendo a disputa para Covas.

O novo colunista diz que seus artigos no jornal a partir de agora terão dois focos: o debate a respeito de assuntos nacionais, incluindo o governo Jair Bolsonaro, e também as questões urbanas, como os termos do Plano Diretor de São Paulo. Por lei, esse conjunto de regras que define como a cidade vai crescer precisa ser revisado em 2021.

"A coluna vai ter dois grandes eixos. Discutir o Brasil, os desafios e as encruzilhadas do país nestes tempos de Bolsonaro e pandemia. E também discutir São Paulo. Quero fazer da coluna um espaço para apresentar a visão de cidade, propostas, tanto aquelas que eu pude expressar na campanha, no ano passado, como as que foram produto de acúmulo na luta no movimento social, em 20 anos."

Ele também disse que é fundamental no jornalismo abrir espaços para posições políticas diferentes em um momento em que a liberdade de pensamento e de crítica é atacada no país.

"A Folha tem a sua posição editorial, como todo jornal, expressa isso. Abrir para pessoas que têm posições diferentes daquela que é editorial do jornal, acho que fortalece o pluralismo, a democracia. Ajuda a fazer um contraponto a uma lógica autoritária de pensamento único que hoje está representada na Presidência da República, inclusive com ataques lamentáveis a jornalistas e à própria imprensa."

Boulos já foi colunista na versão digital da Folha de 2014 a 2017, ainda antes de disputar cargos públicos.

"A experiência para mim foi muito proveitosa naquele momento. Deu a oportunidade de expressar para mais gente a minha visão, ajudar a quebrar preconceitos sobre o movimento social. De lá para cá, evidentemente, passei a atuar não só como militante social, mas também como militante político."

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.