Veja o que Bolsonaro já disse sobre urnas eletrônicas e fraude em eleição sem apresentar provas

Presidente afirmou ter sido eleito em primeiro turno, mas até hoje não apresentou nada para justificar a afirmação

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São Paulo

Além das falas frequentes criticando o voto eletrônico e acusando fraudes sem provas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem aumentado o tom de ameaça dizendo inclusive que, sem voto impresso, as eleições de 2022 podem não acontecer.

Em conversa com apoiadores nesta sexta-feira (9), Bolsonaro disse que "a fraude está no TSE" (Tribunal Superior Eleitoral) e ainda atacou o presidente da corte eleitoral e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, a quem chamou de "idiota" e "imbecil".

"Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar, no voto auditável e confiável. Dessa forma [atual], corremos o risco de não termos eleição no ano que vem", disse.

A fala ocorreu após uma sequência. No dia anterior, na quinta-feira (8), também ao falar com apoiadores, o mandatário fez outra ameaça semelhante: "Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições".

Em entrevista na quarta-feira (6), ele repetiu que Aécio Neves foi eleito em 2014, e disse que, sem o voto impresso, o "lado" dele poderia não aceitar o resultado, além de fazer um ataque direto a Barroso. "Por que Barroso não quer transparência nas eleições? Porque ele tem interesse pessoal nisso​"

"Se este método continuar aí, sem, inclusive, a contagem pública, eles vão ter problemas. Porque algum lado pode não aceitar o resultado. Este algum lado, obviamente, é o nosso lado, pode não aceitar o resultado"

Também em em sua live semanal em 17 de junho, Bolsonaro disse que, sem a adoção do voto impresso nas eleições do ano que vem, o Brasil poderá ter "um problema seríssimo", uma "convulsão".

De óculos, Bolsonaro na cabine de votação
O então candidato a Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, durante sua votação em um colégio militar no Rio de Janeiro, no primeiro turno das eleições de 2018 - Eduardo Anizelli - 07.out.2018/Folhapress

​Em março de 2020, Bolsonaro chegou a prometer mostrar provas "brevemente" de fraude na eleição de 2018 —ele disse que deveria ter sido eleito no primeiro turno, e não no segundo.

"Eu acredito, pelas provas que eu tenho nas minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu fui eleito em primeiro turno", afirmou Bolsonaro na ocasião. "Nós temos não apenas uma palavra, nós temos comprovado. Nós temos de aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos", disse.

Mais de um ano depois, porém, Bolsonaro nunca apresentou nenhuma evidência.

O presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, afirmou em janeiro deste ano que as declarações de Bolsonaro de que houve fraude nas eleições de 2018 contribuem para a “ilegítima desestabilização das instituições”.

Pesquisa Datafolha realizada de 8 a 10 de dezembro mostrou que 73% dos brasileiros defendem que o sistema de voto em urna eletrônica seja mantido. Já o voto em papel, abandonado nos anos 1990, tem sua volta pleiteada por 23% da população.

Do total de entrevistados, 69% disseram que confiam muito ou um pouco no sistema de urnas informatizadas, que passou a ser adotado gradualmente em 1996. Outros 29% responderam que não confiam.

Confira o que Bolsonaro já disse sobre fraude eleitoral.

‘Perder na fraude’ (set.2018)

“A grande preocupação realmente não é perder no voto [a eleição presidencial], é perder na fraude. Então, essa possibilidade de fraude no segundo turno, talvez até no primeiro, é concreta.”

*Em live, quando se recuperava de facada

‘Não por voto’ (out.2018)

“Isso só pode acontecer por fraude, não por voto, estou convencido.”

*Em live, antes do segundo turno das eleições

‘Voto impresso é sinal de clareza’ (nov.2019)

“Denúncias de fraudes nas eleições culminaram na renúncia do Presidente Evo Morales. A lição que fica para nós é a necessidade, em nome da democracia e transparência, contagem de votos que possam ser auditados. O VOTO IMPRESSO é sinal de clareza para o Brasil!”, escreveu nas redes sociais.

Após Evo Morales renunciar à Presidência da Bolívia

‘A diferença foi muito maior’ (nov.2019)

"Todo mundo dizia que eu tinha tudo para ganhar as eleições na reta final. Eu tinha certeza disso e teve no final 55% para mim e 45% para o outro candidato. Muita gente achou que a diferença foi muito maior. Como um lado ganhou, e nas ruas todo mundo tinha essa convicção de que eu ia ganhar, não houve problema. Mas imagina se o outro lado ganha as eleições, como é que a gente ia auditar esses votos? Não tinha como auditar.”

*Em live, ao comentar a renuncia de Morales

Supostas provas (mar.2020)

“Pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente [até hoje o presidente não apresentou o material], eu fui eleito no primeiro turno, mas, no meu entender, teve fraude. E nós temos não apenas palavra, temos comprovado, brevemente quero mostrar, porque precisamos aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos. Caso contrário, passível de manipulação e de fraudes (...).”

*Durante evento em Miami

‘Vão querer que eu prove’ (nov.2020)

“A minha eleição em 2018 só entendo que fui eleito porque tive muito, mas muito voto. Tinha reclamações que o cara queria votar no 17 e não conseguia. Vão querer que eu prove. É sempre assim. O cara botava um pingo de cola na tecla 7, um tipo de adulteração.”

*Após votar no pleito municipal

‘Teve muita fraude lá’ (nov.2020)

“Tenho minhas fontes [que dizem] que realmente teve muita fraude lá. Isso ninguém discute. Se foi suficiente para definir um ou outro, eu não sei.”

*Comenta as eleições americanas após votar no pleito municipal

‘É no Papelzinho’ (dez.2020)

"O que é comum na Câmara, não sei como está agora. As eleições na Mesa [Diretora], para presidente, é no papelzinho. Não sei como vai ser esta agora."

*Em conversa com apoiadores, dá informação falsa sobre as eleições para Presidência da Câmara dos Deputados, que adota sistema eletrônico desde 2007

‘Pior que os EUA’ (jan.2021)

“Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos.”

“Lá [EUA], o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente lá que votou três, quatro vezes, mortos que votaram. Foi uma festa lá. Ninguém pode negar isso daí.”​

*Ao comentar a invasão do Congresso americano

‘Só ganha na fraude’ (14.mai.2021)

“Um bandido foi posto em liberdade, foi tornado elegível, no meu entender para ser presidente. Na fraude. Ele só ganha na fraude no ano que vem”

*Em Terenos (MS), em ato para a entrega de títulos de posse de terra

‘A fraude me jogou para o segundo turno’ (9.jun.2021)

"Eu fui eleito [em 2018] no primeiro turno, eu tenho provas materiais disso, mas o sistema, a fraude que existiu, sim, me jogou para o segundo turno"

*Em evento, com tom de campanha eleitoral, no interior de Goiás

‘Problema seríssimo’ (17.jun.2021)

"Vamos respeitar o Parlamento brasileiro. Que, caso contrário, teremos dúvidas [nas] eleições e podemos ter um problema seríssimo no Brasil. Pode um lado ou outro não aceitar, criar uma convulsão no Brasil".

"Se promulgar, teremos eleições, sim, com voto auditável e ponto final. O respeito total ao Parlamento brasileiro. Um quórum qualificado apresenta uma emenda e vai um ministro, no caso, ele que faz carga o tempo todo contra isso, o Barroso exclusivamente, ministro Barroso, uma canetada dele [e] não vai ter eleição com voto auditável? Vai ter sim, Barroso. Vai ter, sim"

*Em sua live semanal

‘Aécio ganhou as eleições’ (17.jun.2021)

"Mais que desconfio, eu tenho convicção [de] que realmente tem fraude. As informações que nós tivemos aqui —talvez a gente venha a disponibilizar um dia— é que, em 2014, o Aécio ganhou as eleições, em 2018, eu ganhei em primeiro turno"

*Em sua live semanal

‘Não vai ser uma canetada’ ​(21.jun.2021)

"Só na fraude o nove dedos volta. Agora, se o Congresso aprovar e promulgar [a PEC], teremos voto impresso. Não vai ser uma canetada de um cidadão como este daqui, que não vai ter voto impresso. Pode esquecer isso daí"

*Em conversa com apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada

‘Nosso lado pode não aceitar o resultado’ (7.jul.2021)

"Eles vão arranjar problemas para o ano que vem. Se este método continuar aí, sem, inclusive, a contagem pública, eles vão ter problemas. Porque algum lado pode não aceitar o resultado. Este algum lado, obviamente, é o nosso lado, pode não aceitar o resultado"

"E o que eu vi, eu não sou técnico em informática, mas o que eu vi, está comprovado, no meu entender, a fraude em 2014. O Aécio foi eleito em 2014"

"Por que Barroso não quer transparência nas eleições? Porque ele tem interesse pessoal nisso​"

*Em entrevista à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul

'Eleições limpas ou não temos eleições' (8.jul.2021)

"Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições"

*Em conversa com apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada

'A fraude está no TSE' (9.jul.2021)

"A fraude está no TSE, para não ter dúvida. Isso foi feito em 2014"

"Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar, no voto auditável e confiável. Dessa forma [atual], corremos o risco de não termos eleição no ano que vem"

*Em conversa com apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada

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