Em oposição a Doria, diretórios estaduais do PSDB pedem prorrogação do mandato de Bruno Araújo

Medida é defendida por maior parte da bancada federal e por 26 presidentes estaduais, incluindo o de São Paulo, após ofensiva do governador de SP para assumir comando da sigla

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São Paulo

Em sinal de apoio ao presidente do PSDB, Bruno Araújo, diante da ofensiva do governador João Doria (PSDB) para assumir o comando da sigla, os dirigentes de 26 diretórios estaduais do partido pedem a prorrogação dos mandatos atuais por causa da pandemia da Covid-19.

O PSDB deveria realizar nova eleição interna em maio para a sucessão de Araújo, que, por sua vez, defende a prorrogação do mandato. Em um ofício enviado a ele, nesta quarta (10), os presidentes estaduais do partido pedem formalmente a prorrogação e citam precedente na sigla para isso.

O documento é assinado por 26 diretórios estaduais, incluindo o de São Paulo, presidido por Marco Vinholi —aliado de Doria e seu secretário de Desenvolvimento Regional. Somente o presidente do diretório do Amazonas não foi localizado para assinar o ofício.

Em seguida, 23 dos 33 deputados federais do PSDB também divulgaram nota em que defendem a prorrogação e manifestam "confiança na executiva nacional". O texto é assinado também pelo líder da bancada, deputado Rodrigo de Castro (MG).

"Os parlamentares estão certos de que, com a decisão, o partido seguirá mantendo a democracia interna e a convergência na busca de soluções para que o país possa vencer a pandemia e retomar o crescimento com justiça social", diz a nota.

Na segunda-feira (8), Doria, que pretende ser candidato ao Planalto em 2022, iniciou um movimento no PSDB para forçar uma posição de confronto com o presidente Jair Bolsonaro e para isolar o grupo que ele aponta como responsável pelo racha da bancada federal, liderado pelo deputado federal Aécio Neves (MG).

Em um tenso jantar com integrantes da cúpula do partido no Palácio dos Bandeirantes, aliados de Doria apresentaram um plano para que ele assumisse a presidência tucana a partir de maio.

Com isso, o governador teria o partido em mãos para seguir com seu plano de ser candidato à Presidência da República.

Araújo, presente no jantar, não sabia da ideia e contava com uma prorrogação por mais um ano de seu mandato. Além disso, Doria pretende expulsar o grupo de Aécio e absorver dissidentes do DEM ligados ao ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

A ofensiva, no entanto, não foi bem recebida e escancarou a divergência no partido, além de alimentar a oposição interna a Doria. Parte dos deputados tucanos irá na quinta (11) a Porto Alegre para pedir que o governador tucano Eduardo Leite declare sua postulação à Presidência.

O ofício a Araújo é mais uma demonstração interna do PSDB de descontentamento com Doria e de apoio ao presidente tucano. Os dirigentes estaduais apontam a pandemia do coronavírus como motivo para a postergação dos mandatos.

"Nos preocupa muito o início em breve do período de realização das convenções para renovação dos mandatos dos dirigentes do partido em todo o país. A impossibilidade de encontros presenciais provocará grande prejuízo à mobilização da nossa militância e consequentemente ao exercício da democracia interna", diz o texto.

O ofício solicita a prorrogação do mandato de Araújo "pelo período máximo permitido", abrindo a possibilidade de prorrogação também nos diretórios estaduais, municipais e zonais.

A assinatura de Vinholi no documento foi vista como um passo atrás na ofensiva de Doria e uma tentativa de que São Paulo não parecesse isolado na defesa do governador. A leitura geral no PSDB é a de que Doria não teve habilidade política para construir seu projeto de poder.

À Folha Vinholi afirmou não serem verdadeiras as informações de que Doria pretendia suceder Araújo e disse não haver contradição em ter assinado o documento.

"O centro do jantar foi a ideia do PSDB ser oposição [a Bolsonaro]. Não há discussão sobre sucessão do Bruno Araújo. E a discussão sobre adiar a eleição [para a presidência do partido] estava colocada há mais de um mês por causa da pandemia", disse.

Já aliados de Doria, como mostrou o Painel, citam uma suposta vacilação de Araújo em posicionamentos contra Bolsonaro como motivo para tentar tirá-lo do cargo. Segundo um deles, o partido não está mais em cima do muro, está escondido atrás dele.

O Painel mostrou também que, após o jantar com Doria, Araújo passou a receber mensagens e ligações de solidariedade de correligionários, incluindo a maior parte dos deputados e senadores tucanos do Congresso.

Segundo aliados do presidente do PSDB, ele recebeu apoio de todos os diretórios estaduais do partido após o encontro, com a exceção de Vinholi.

Enquanto Doria e Aécio trocaram notas em termos duríssimos na terça (9), com o governador pedindo o afastamento do mineiro e recebendo acusação de oportunismo em troca, a velha guarda paulista da sigla estuda uma solução para abaixar a temperatura.

Também nesta quinta Doria irá se encontrar com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o patrono do tucanato, para discutir a situação.

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