'Sou imbrochável', diz Bolsonaro ao alegar que sofre ataques 24 horas por dia

No Ceará, presidente declarou que, mesmo diante das dificuldades enfrentadas, não irá desistir dos desafios

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João Valadares e Dalila Lima Ideídes Guedes
Recife, Tianguá (CE) e Caucaia

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou na manhã desta sexta-feira (26) que não vai desistir diante das dificuldades e dos ataques sofridos. Sem mencionar nomes, ele também fustigou governadores e afirmou que aqueles que propagam a política do "fiquem em casa" é que devem bancar o auxílio emergencial para a população.

“Não reclamo das dificuldades. Sofro ataques 24 horas por dia. Mas entre esses que atacam e vocês, vocês estão muito na frente. Não me vão fazer desistir porque, afinal de contas, eu sou imbrochável”, discursou durante inauguração de trecho da BR-222, no município de Tianguá.

O presidente criticou medidas restritivas de combate à pandemia que estão sendo adotadas por governadores. “Tenho prazer grande de ficar no meio de vocês. Queria dizer a esses políticos do Executivo que o que eu mais escuto é: ‘Presidente, quero trabalhar’.”

Em 1991, o então presidente Fernando Collor de Mello usou expressão semelhante a utilizada por Bolsonaro, nesta sexta. Em uma solenidade na cidade de Juazeiro do Norte, também no Ceará, o agora senador disse que que tinha nascido com "aquilo roxo".

"Não nasci com medo de assombração, não tenho medo de cara feia. Isso o meu pai já me dizia desde pequeno, que havia nascido com aquilo roxo, e tenho mesmo, para enfrentar todos aqueles que querem conspirar contra o processo democrático", declarou Collor na ocasião.

Após ser aclamado com gritos de "mito", Bolsonaro declarou que a população não consegue mais ficar em casa.

“O povo quer trabalhar. Esses que fecham tudo e destroem empregos estão na contramão daquilo que seu povo quer. Não me critiquem. Vão para o meio do povo, mesmo depois da eleições”, discursou. Ele deixou o local sem falar com a imprensa.

O presidente Jair Bolsonaro em discurso em Tianguá (CE)
O presidente Jair Bolsonaro em discurso em Tianguá (CE) - TV Brasil no YouTube

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), não participou do evento sob a justificativa de que o ato geraria aglomerações. “Tenho todo respeito à autoridade, mas não posso compactuar com aquilo que considero grande equívoco”, postou nas redes sociais.

A visita do presidente gerou aglomerações. Sem máscara, Bolsonaro abraçou apoiadores.

A obra de Travessia Urbana de Tianguá, que inclui duplicação de seis quilômetros da BR-222 na Serra da Ibiapaba, foi iniciada em 2011, porém, devido a escândalos envolvendo a construtora Delta, o contrato foi rescindido. Ocorreram duas outras licitações e novamente o projeto foi paralisado.

O trecho inaugurado liga Tianguá a Fortaleza, ao Piauí, ao Maranhão e a estados da região Norte do país. O investimento total para a finalização dessa obra será de R$ 66,1 milhões.

Mais tarde, em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, o presidente voltou a atacar governadores que adotam medidas restritivas de combate ao novo coronavírus.

"A pandemia nos atrapalhou bastante, mas venceremos este mal. O que o povo mais pede é para trabalhar. Essa politicalha do 'fiquem em casa' não deu certo e não vai dar certo”. Bolsonaro disse que a população tem que cobrar auxílio dos governadores que querem que o povo não trabalhe por causa da pandemia.

“Governador que fechar o seu estado, que destrói empregos, é que deve bancar o auxílio. Não pode continuar fazendo política e jogar no colo do presidente essa responsabilidade”, discursou. Ele saiu novamente sem responder aos questionamentos da imprensa.

Pela manhã, em Fortaleza, médicos realizaram protesto contra a visita do presidente. "Fora, Bolsonaro", “Bolsonaro não é bem-vindo aqui” e “SUS salva, ele não” foram algumas das frases que estampavam os cartazes durante manifestação, na praia de Iracema.

O evento foi organizado pelo grupo “Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS”. “Estamos aqui para dizer que o Bolsonaro não é bem-vindo para aglomerar, para pregar o não uso de máscaras e jogar contra quem está tentando mitigar essa pandemia. Isso é um acinte a quem está trabalhando na linha de frente”, desabafou a médica Elodie Hippolyto.

Além de cartazes, bonecos e túmulos representando os 250 mil mortos pela Covid-19 tomavam conta da faixa de areia próxima à estátua de Iracema, um dos principais pontos turísticos da capital cearense.

Uma das ativistas, a médica Liduina Rocha, 52, atribui a Bolsonaro a responsabilidade pelas 250 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus no país e cobra urgência na distribuição de vacinas.

“Priorizar tratamento precoce que não tem embasamento científico e negligenciar o Programa Nacional de Imunização e Vacinas para todos são determinantes para que mais brasileiros e brasileiras morram”, disse.

Por volta das 16h30, Bolsonaro fez uma visita técnica às obras de duplicação do trecho de 24km da BR-222, na Grande Fortaleza. O serviço, orçado em R$182 mi, tem o objetivo de melhorar a conexão entre o município de Caucaia e os portos do Mucuripe, Pecém e Complexo Industrial de Maracanaú.

O empreendimento, realizado pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), é estratégico para comportar o tráfego intenso de veículos, além de favorecer o escoamento de cargas e beneficiar a região metropolitana da capital cearense.

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