Defendidas por Lula em discurso, máscaras viram alvo de queixas em entrevista do ex-presidente

Antes de iniciar o discurso, ele disse que pediria autorização aos médicos para tirar o acessório enquanto falava

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São Bernardo do Campo (SP)

Nas falas desta quarta-feira (10), Lula defendeu o uso de máscaras e o distanciamento social para combater a propagação do novo coronavírus, mas o acessório acabou virando também um obstáculo de comunicação na entrevista coletiva que o petista concedeu após o pronunciamento.

O ex-presidente entrou no salão do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC destinado ao evento usando uma máscara vermelha com uma estrela branca, símbolo do PT.

Antes de iniciar o discurso, disse que pediria autorização aos médicos para tirar o acessório, já que as condições sanitárias do local permitiam isso —algo comum nos discursos de Joe Biden, nos EUA, por exemplo.

Apenas equipes de imprensa e um grupo pequeno de apoiadores tiveram acesso a uma área ventilada do prédio, em São Bernardo do Campo (SP). Todos usaram máscara o tempo todo, e as cadeiras foram colocadas longe umas das outras.

Lula, o único no palco com a boca descoberta, usou álcool em gel nas mãos mais de uma vez. Seu microfone foi higienizado com spray por um assessor, assim como o microfone colocado no chão, a pelo menos 4 metros de distância, para os jornalistas que fossem fazer perguntas.

O uso da máscara pelos repórteres, no entanto, provocou ruídos. Sem um retorno satisfatório de som, Lula reclamou de dificuldade para ouvir os jornalistas e chegou a sugerir à assessoria que eles tirassem a peça na hora de fazer os questionamentos.

A equipe rejeitou a sugestão e passou a solicitar que os representantes da imprensa falassem alto e perto do microfone para facilitar a compreensão. O ex-presidente pediu que algumas perguntas fossem repetidas.

Uma das jornalistas, que usava duas máscaras, abaixou a de cima para que a voz ficasse menos abafada. O repórter da Folha fez o mesmo. Outra profissional se propôs a tirar o acessório, mas foi impedida pela assessoria de Lula, que a orientou a manter a proteção.

O petista também fez piada sobre a situação e disse que está “ficando mouco” por causa da idade, 75 anos. Falou também que às vezes tem dificuldade de entender pessoas de máscara na televisão, por não enxergar os lábios delas.

O microfone destinado à imprensa foi higienizado com spray após cada uso. Assessores do PT e funcionários do sindicato reforçaram as solicitações para manter distanciamento. No fim do encontro, Lula recolocou a máscara antes de descer do palco.

Os repórteres-fotográficos e cinegrafistas, que tinham que se posicionar atrás de uma grade na parte de trás do auditório, ficaram mais próximos uns dos outros, mas usaram equipamentos de proteção.

O partido fez um apelo aos militantes para que não fossem ao local manifestar apoio a Lula, com o objetivo de evitar aglomerações.

Um grupo pequeno de apoiadores, incluindo filiados do PCO (Partido da Causa Operária), apareceu na rua durante a entrevista coletiva, disparando gritos de “Lula livre” e “volta, Lula”.

Nas declarações, o ex-presidente buscou se diferenciar do presidente Jair Bolsonaro —que frequentemente aparece em público e em multidões sem máscara— também na retórica pró-ciência e favorável às vacinas contra a Covid. Ele disse que o rival precisa parar de ouvir o escritor Olavo de Carvalho e aprender que a Terra é redonda.

O Brasil bateu os recordes de mortes em um único dia e de média móvel de óbitos nesta terça-feira (9). Foram 1.954 vidas perdidas registradas nas últimas 24 horas, o que elevou a média móvel de mortes para 1.572 —trata-se do 11º dia seguido de recorde.

Os valores recordes ocorrem mesmo com a ausência do número de mortes em Goiás, que não atualizou o dado por problemas no sistema.

O maior número de mortes até então era do último dia 3 de março, com 1.841 mortes (além de 74.376 casos) em 24 horas. Em seguida, apareciam os dias 4, 5 e 2 do mesmo mês, com, respectivamente, 1.786, 1.738 e 1.726 óbitos.

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