Em live com mentiras e menções a Forças Armadas, Bolsonaro ataca governadores e Lula

Em transmissão que durou mais de uma hora, presidente manteve um globo terrestre para dizer que não é terraplanista

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Brasília

Em uma live que durou mais de uma hora, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mentiu, fez menção às Forças Armadas ao dizer que faz "o que o povo quiser" e atacou governadores e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dentre as mentiras ditas por Bolsonaro nesta quinta-feira (11), ele voltou a afirmar que nunca se referiu à Covid-19 como uma "gripezinha".

Bolsonaro utilizou o termo gripezinha ao menos duas vezes. Em uma entrevista em 20 de março do ano passado, ele disse que "depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, não".

O presidente Bolsonaro em sua live semanal, desta vez com um globo terrestre na mesa
O presidente Bolsonaro em sua live semanal, desta vez com um globo terrestre na mesa - Jair Bolsonaro no Facebook

Quatro dias depois, desta vez em um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, usou o termo pela segunda vez.

"No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho", afirmou em 24 de março de 2020.

O presidente reafirmou que nunca foi contra vacina, o que também não procede. Há diversas manifestações do presidente contra a vacinação.

"Ninguém vai tomar tua vacina na marra, não, tá ok? Procura outra. E eu, que sou governo, não vai comprar sua vacina também não. Procura outro pra pagar sua vacina", disse o presidente em uma live em 29 de outubro do ano passado.

"Eu não vou tomar vacina e ponto final. Minha vida está em risco? O problema é meu", afirmou em entrevista à TV Bandeirantes em 15 de dezembro de 2020.

O presidente estava acompanhado do secretário de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcelo Morales, que integrou a missão que foi a Israel para buscar um spray que ainda está em fase inicial de testes para tratamento de Covid-19. Bolsonaro deixou o médico em saia justa ao questioná-lo sobre a eficácia de lockdowns.

"Cada caso é um caso e tem que ser analisado", esquivou-se o convidado diante da insistência do presidente.

Bolsonaro também disse, sem provas, que o governador João Doria (PSDB-SP) promove pancadão em sua residência durante a pandemia.

Além de ser negada com veemência pelo tucano, a versão não foi sustentada pela vizinha que deu origem ao boato.

O governo paulista afirmou que a gravação que circulou nas redes sociais foi feita da residência da vizinha Alessandra Maluf. O som mais alto viria de outra casa na mesma rua onde Doria mora, no Jardim Europa, mas não havia nem festa nem aglomeração no local.

A assessoria do governador afirma ainda que o filho do governador nem sequer mora no local e não estava em São Paulo na data da gravação.

Em depoimento à polícia, a vizinha que gravou o vídeo não sustentou que era, de fato, o filho de Doria quem estava na casa, como afirmou nas imagens que viralizaram na internet.

Disse ainda que não tinha a intenção de ofender o governador e que, depois de fazer a filmagem, tomou conhecimento de que um outro vídeo, em que um dos filhos de Doria aparece em uma festa, é antigo e não tem qualquer relação com os que foram gravados por ela, no dia 5.

Bolsonaro também voltou a fazer menção às Forças Armadas e ao período da ditadura militar no Brasil.

"Eu faço o que o povo quiser. Digo mais: eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. As Forças Armadas acompanham o que está acontecendo. As críticas em cima de generais, não é o momento de fazer isso. Se um general errar, paciência. Vai pagar. Se errar, eu pago. Se alguém da Câmara dos Deputados errar, pague. Se alguém do Supremo errar, que pague. Agora, esta crítica de esculhambar todo mundo? Nós vivemos um momento de 1964 a 1985, você decida aí, pense, o que que tu achou daquele período. Não vou entrar em detalhe aqui", disse Bolsonaro.

O presidente fez críticas aos governadores —em especial aos de São Paulo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul— por causa de medidas restritivas que estão sendo adotadas para tentar conter a disseminação do novo coronavírus.

"O governador fala que não é, mas é estado de sítio", disse Bolsonaro ao comentar o toque de recolher noturno em vigor no Distrito Federal.

Bolsonaro disse ter como "garantir a nossa liberdade" e que é o "garantidor da democracia", além de ser "a pessoa mais importante neste momento".

"Usam o vírus para te oprimir, para te humilhar, para tentar quebrar a economia", afirmou.

"Quanto mais atiram em mim, de forma covarde por parte de parte da sociedade, mais você está enfraquecendo quem pode resolver a situação" , afirmou.

"Como é que eu posso resolver a situação? Eu tenho que ter apoio. Se eu levantar minha caneta BIC e falar 'shazam', vou ser ditador. Vou ficar sozinho nesta briga?", indagou Bolsonaro.

"O meu exército, que eu tenho falado do tempo todo, é o povo. Eu sempre digo que eu devo lealdade absoluta ao povo brasileiro. E este povo está toda a sociedade, inclusive o Exército fardado. A vocês eu devo lealdade. Eu faço o que vocês quiserem, porque esta é a minha missão de chefe de Estado", afirmou Bolsonaro, cobrando que as pessoas reconheçam o que ele diz estar fazendo.

"O sacrifício que a gente faz para buscar solução tem que ter reconhecimento. Eu não quero ser tratado com mito, messias, herói nacional. Longe disso. Apenas respeito e entender o que que posso fazer para evitarmos um caos."

Ao longo da live, ele também xingou o ex-presidente Lula, a quem chamou de jumento e carniça.

Em discurso na quarta-feira (10), Lula disse que Bolsonaro era terraplanista. Para rebater o petista, o presidente fez a live com um globo terrestre na mesa.

"O carniça ontem falou que eu deveria procurar o Marcos Pontes, que é o nosso ministro da Ciência e Tecnologia, que esteve no espaço, para ele dizer para mim que a Terra é redonda. Olha a qualidade do meu ministro da Ciência e Tecnologia e a qualidade dos ministros do presidiário para depois a gente começar a discutir", disse Bolsonaro.

"Lá atrás, a especialidade era outra. Com cinco dedos. E nós sabemos para onde foi o Brasil", afirmou.

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