Descrição de chapéu Coronavírus

Bolsonaro usa helicóptero fora da agenda e, sem máscara, provoca aglomeração em cidade goiana

Sem cumprir protocolos sanitários, presidente apertou ao menos 144 mãos antes de pegar um bebê

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Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mobilizou dois helicópteros oficiais para, fora da agenda, viajar neste sábado (17) para a cidade de Goianápolis (GO), a cerca de 190 quilômetros de Brasília.

Sem o uso de máscara, o presidente decolou do Palácio do Alvorada e pousou em um campo de futebol cercado, em torno do qual pessoas de todas as idades se aglomeraram para receber os seus cumprimentos.

O presidente Jair Bolsonaro segua um bebê, que chora, ao cumprimentar apoiadores em Goianápolis
O presidente Jair Bolsonaro segura um bebê ao cumprimentar apoiadores em Goianápolis - Reprodução/@majorvitorhugo no Instagram

Contrariando protocolos sanitários, Bolsonaro, que não usava máscara, estendeu a mão a várias pessoas que se espremiam na grade, incluindo idosos, do grupo de risco da Covid-19.

Pelo que é possível ver nas imagens transmitidas na internet, Bolsonaro tirou fotos, apertou ao menos 144 mãos, passou a mão em seu rosto, tocou a cabeça de jovens e botou na cabeça o chapéu de uma criança antes de carregar um bebê no colo.

Nesta sexta-feira (16), o Brasil registrou 3.070 mortes pela Covid e completou 31 dias com média móvel de óbitos acima de 2.000 por dia.

A visita de Bolsonaro foi transmitida ao vivo pelo deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), líder do PSL.

Além de Vitor Hugo, estavam na comitiva o ministro da Defesa, o general da reserva Walter Braga Netto, o general da ativa Eduardo Pazuello, demitido há três semanas do Ministério da Saúde.

Pazuello é um dos principais alvos da CPI da Covid, comissão parlamentar de inquérito criada no Senado para apurar a atuação do governo no enfrentamento à pandemia.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, Bolsonaro tem minimizado a Covid, à qual já se referiu como gripezinha. Até a visita de Bolsonaro a Goianápolis, haviam sido perdidas 369.024 vidas no Brasil e 13.834.342 pessoas foram infectadas pelo Sars-CoV-2.

Ele já usou as palavras histeria e fantasia para classificar a reação da população e da imprensa à pandemia. Tem criticado as medidas de isolamento social no país e disse que os problemas precisam ser enfrentados pela população.

No início deste ano, quando os números apontavam para novo avanço da Covid-19 no país, Bolsonaro afirmou que o Brasil estava vivendo “um finalzinho de pandemia”.

Diante da escalada de mortes, a popularidade de Bolsonaro começou a cair e o presidente passou a perder apoio do empresariado. Para dificultar ainda mais os planos de reeleição do atual inquilino do Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retornou ao jogo político.

Com a provável candidatura de Lula em 2022, Bolsonaro começou a colocar em prática seu plano para tentar se reeleger. Como a Folha mostrou, ele foi aconselhado a antecipar a articulação à reeleição para evitar que o petista avance sobre grupos de eleitores que apoiaram a sua eleição em 2018.

Ele também retomou o discurso anticorrupção para tentar traçar uma linha entre sua gestão e a do petista.

Além disso, o presidente retomou suas incursões em localidades mais pobres. As viagens haviam sido suspensas, mas a interrupção durou pouco tempo.

Na noite de sexta-feira (16), ao conversar com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro chegou a mencionar que iria a Goianápolis, mas só no próximo mês.

Com o agravamento da pandemia, no começo de março o governo deu início ao "Plano Vacina", uma estratégia de marketing para transformar Bolsonaro de líder de movimento antivacina em alguém que não se limita a criticar medidas de distanciamento social e a recomendar uma cesta de medicamentos ineficazes.

Bolsonaro passou a aparecer de máscara em algumas ocasiões, repete ações de seu governo ao longo da pandemia e procurou fazer parceria com o Congresso, que deu diversos sinais de que havia perdido a paciência com a condução do presidente no enfrentamento à pandemia.

Apesar da queda da média móvel de mortes pelo quarto dia consecutivo, nesta sexta (16), o dado permanece elevado: 2.870 mortes por dia nos últimos sete dias. A média móvel é um instrumento estatístico usado para amenizar variações de dados. Ela é obtida pela soma de todas as mortes dos últimos sete dias e divisão do resultado por sete.

A média completou, nesta sexta, 86 dias acima de mil mortes por dia.

Os dados do país, coletados até as 20h, são fruto de colaboração entre Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diariamente com as secretarias de Saúde estaduais.

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