Mandetta quer que fique em casa quando estiver sem ar, diz Bolsonaro em dia de ex-ministro na CPI

Presidente deu a declaração para apoiadores, em referência a orientação inicial de evitar buscar hospitais

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Brasília

No dia em que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta prestou depoimento para a CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que o antigo titular da pasta "quer que fique em casa quando estiver sem ar".

“Mandetta quer que fique em casa quando estiver sem ar”, disse, rindo para apoiadores em encontro nesta terça-feira (4).

A conversa sobre o ex-ministro teve início após um apoiador dizer que ficou sabendo que Mandetta seria a solução da oposição. O vídeo foi publicado em um site simpático ao presidente.

Uma das estratégias usadas por governistas para diminuir a credibilidade de Mandetta, que é crítico de medidas tomadas pelo presidente, é focar as orientações a respeito de quando procurar assistência médica.

A tentativa de trocar o “fique em casa”, indicado para pacientes com sintomas leves, para o “vá imediatamente ao médico” começou em julho do ano passado na gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Na CPI, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) questionou o ex-ministro sobre sua orientação inicial de evitar buscar hospitais nos primeiros sintomas da Covid-19 e se ele receitou, em março do ano passado, "chá, canja de galinha e reza contra o novo coronavírus".

Mandetta rebateu dizendo que se trata de uma "guerra de narrativa" as acusações de bolsonaristas de que ele teria recomendado que as pessoas ficassem em casa, mesmo após apresentarem sintomas da doença.

Mandetta afirmou ainda que Bolsonaro contrariou orientações do Ministério da Saúde baseadas na ciência para o combate à pandemia do coronavírus.

Avaliou também que o mandatário adotou discurso negacionista que pode ter contribuído para espalhar mais rapidamente a Covid-19.

O ex-ministro Mandetta durante depoimento à CPI da Covid, nesta terça (4)
O ex-ministro Mandetta durante depoimento à CPI da Covid, nesta terça (4) - Jefferson Rudy/Agência Senado

A intenção dos senadores ao interrogar Mandetta foi traçar uma linha do tempo —já que ele chefiou a pasta logo no início da pandemia— e verificar quais foram as interferências de Bolsonaro nas medidas para enfrentar o vírus.

Nesta terça, interlocutores de Bolsonaro avaliaram que Mandetta, embora tenha responsabilizado o presidente, evitou ataques mais duros contra o mandatário. Nesse sentido, um auxiliar palaciano exemplifica que, na revelação da tentativa de mudar a bula da cloroquina por decreto, Mandetta não envolveu Bolsonaro diretamente e indicou que provavelmente a ideia partiu de alguém externo ao Planalto.

Aliados de Bolsonaro creditam o comportamento do ex-ministro às suas ambições políticas. Caso queira lançar-se a algum cargo eletivo no próximo ano, Mandetta não tem interesse em indispor-se completamente com a base de apoio bolsonarista, opina um conselheiro do presidente.

O comportamento moderado de Mandetta não significa que o depoimento foi bom para Bolsonaro. Aliados não gostaram de ver o ex-titular da Saúde citando ministros de Bolsonaro que até o momento estavam fora do radar da CPI, como Tarcisio de Freitas (Infraestrutura) e Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União), além de uma menção que não ficou clara se era ao ministro Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil, ex-Secretaria de Governo) ou ao ex-ministro Jorge Oliveira (atualmente no TCU). O medo do governo é que as menções feitas possam levar os senadores a considerar a oitiva de novos personagens.

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