Sem citar Pazuello, Bolsonaro diz que é comum Exército não aplicar punições

Em nota, Exército decidiu arquivar caso da participação do general em ato político

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Brasília

Horas depois de o Exército arquivar o processo para investigar o general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello por ele ter participado de um ato político ao seu lado, o presidente Jair Bolsonaro minimizou a decisão e afirmou que é comum a instituição não aplicar punições.

Em sua live semanal nesta quinta-feira (3), Bolsonaro, sem citar Pazuello, falou genericamente sobre punições aplicadas pelas Forças Armadas. A transmissão contou com a participação do ministro Milton Ribeiro (Educação).

Presidente olha para o relógio em frente a estante com livros
O presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Educação, Milton Ribeiro, durante transmissão ao vivo nesta quinta-feira (3) - Reprodução

“A punição existe nas Forças Armadas. Ninguém interfere, a decisão é do chefe imediato dele [do soldado] ou do comandante da unidade. E a disciplina só existe porque realmente nosso código disciplinar é bastante rígido”, afirmou.

Apesar da declaração, Bolsonaro atuou nos bastidores para evitar uma punição ao general.

Na live, o presidente citou uma desavença que teve com um soldado quando era tenente e a recomendação recebida de um subcomandante para que se colocasse no lugar de quem estava sendo punido, “para ver se procede o que você escreveu com essa rigidez toda”. Ele disse ter voltado à tarde e desistido de apresentar uma representação contra o soldado. “Isso é comum acontecer”, afirmou.

O presidente acusou a oposição de querer que ele seja punido a cada denúncia apresentada contra si. “Não é porque você foi acusado de alguma coisa...eu duvido quem já não tenha sido acusado de alguma coisa, eu duvido, e às vezes com razão, outras vezes não. O ônus da prova cabe a quem acusa”, afirmou Bolsonaro.

A seguir, ele disse já ter sido punido no Exército com 15 dias de cadeia.

Durante a fala, Bolsonaro não citou Pazuello. Mais cedo, o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, aceitou a pressão e a interferência de Jair Bolsonaro e decidiu livrar o general de qualquer punição por ter participado de um ato ao lado do presidente.

Oliveira acatou o argumento de Bolsonaro, Pazuello e generais da reserva que integram o governo. Para eles, o ato político no Rio de Janeiro, no último dia 23, não teve conotação partidária.

O comandante arquivou o processo aberto para investigar transgressão disciplinar por parte do ex-ministro da Saúde.

Em nota publicada no site da Força, de forma discreta e sem alarde, o Exército afirmou que "o comandante analisou e acolheu os argumentos apresentados por escrito e sustentados oralmente pelo referido oficial-general".

"Desta forma, não restou caracterizada a prática de transgressão disciplinar por parte do general Pazuello. Em consequência, arquivou-se o procedimento administrativo que havia sido instaurado", diz o comunicado.

Ainda na live desta quinta, Bolsonaro afirmou que vai participar, em São Paulo, de outro encontro com motociclistas, a exemplo do realizado no Rio de Janeiro.

“Primeiro encontro de motociclistas com o presidente Jair Bolsonaro pela liberdade e apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Alguma coisa política nisso?”, questionou “Tinha alguma bandeira vermelha lá? Tinha alguma bandeira de partido político? Nada, foi um encontro de motociclistas como vai acontecer agora”, declarou.

Mais tarde, elogiou Pazuello ao mencionar a assinatura de acordo para transferência de tecnologia com a Astrazeneca e a Fiocruz.

“E nós daqui a poucos meses estaremos produzindo todas as suas etapas da vacina contra Covid. Vamos ser, se não me engano, o quinto país do mundo a produzir vacinas aqui”, afirmou.

“Isso é fantástico. E começou com quem? Com Eduardo Pazuello lá atrás, o nosso ministro da Saúde que, não é que acabou o tempo, ele chegou no limite dele, achamos melhor colocar alguém mais técnico, mais voltado para a saúde em si, que tinha que ser feita muita coisa na saúde, tinha muita coisa errada lá, e ele fez”.

Os diferentes discursos sobre o ato no Rio

18.mai
Jair Bolsonaro, em mensagem em vídeo publicado pelo deputado Otoni de Paula (PSC-RJ)

  • “Amigos do Rio de Janeiro, no próximo domingo, dia 23, juntamente com o [deputado] Otoni de Paula, vamos dar um passeio de moto no Rio de Janeiro. Fui convidado por várias associações e agora vou neste compromisso, motivo de honra e satisfação, voltar ao nosso querido Rio de Janeiro. Até domingo, se Deus quiser”


23.mai
Jair Bolsonaro, em manifestação com motoqueiros no Rio de Janeiro, no dia 23 de maio

  • “Um momento como este não tem preço. Ser reconhecido e ser, porque não dizer, aplaudido por parte da população apesar das dificuldades”
  • “Vamos sim, cada vez mais, fazendo com que as pessoas eleitas por você melhorem a sua qualidade. E nós temos este compromisso”
  • “Imaginem se o poste tivesse sido eleito presidente da República [referência a Fernando Haddad]. Como estaria nosso Brasil no dia de hoje?”

Eduardo Pazuello, em manifestação com motoqueiros no Rio de Janeiro, no dia 23 de maio

  • “Eu não ia perder esse passeio de moto de jeito nenhum. Tamo junto, hein? Tamo junto. Parabéns pra galera que está aí, prestigiando o PR [presidente]. PR é gente de bem. PR é gente de bem. Abraço, galera”

Flávio Bolsonaro, em rede social

  • “Hoje foi mais um dia histórico! Apesar de todo esse apoio, não são os brasileiros que estão com Bolsonaro, é o presidente que está com o povo”
  • “A melhor pesquisa eleitoral é o povo, ao qual [sic] o presidente nunca saiu do lado! [...] Verdadeira festa da democracia!!”

Carlos Bolsonaro, em rede social

  • “Obrigado a todos pelo apoio gigantesco que oferecem ao meu pai! Isso certamente jamais será desconsiderado!”

Mario Frias, em rede social

  • “O DATAPOVO informa: não adianta chorar. É o presidente mais amado da história!!!”

27.mai
Jair Bolsonaro, em live semanal

  • “É um encontro que não teve nenhum viés político, até porque eu não estou filiado a partido político nenhum ainda. Foi um movimento pela liberdade, pela democracia e apoio ao presidente”

3.jun
Jair Bolsonaro, em live semanal

  • “A punição existe nas Forças Armadas. Ninguém interfere, a decisão é do comandante da unidade. E a disciplina só existe porque nosso código disciplinar é bastante rígido”
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