Folha traz bandeira do Brasil em sua primeira página desde os anos 1970

Tradição busca comemorar a Independência, que completa 199 anos, assim como de resgatá-la de sua roupagem extremista

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Foi para afirmar que a bandeira do Brasil pertence a todos os brasileiros, “fortes e humildes”, “ricos e pobres”, que a Folha passou a estampar o símbolo pátrio em sua capa todo dia 7 de setembro.​

A tradição começou em 1976, renovando-se a cada projeto gráfico,e passou a integrar o 15 de Novembro, data da Proclamação da República. Ao longo dos anos, a bandeira foi mudando de posição e de tamanho na primeira página — ora à direita da logomarca do jornal, ora à esquerda; algumas vezes, abaixo. Hoje, aparece centralizada, pequenina, acima da manchete.

Capa de Folha publicada em 7 de setembro de 1977
Capa de Folha publicada em 7 de setembro de 1977 - Reprodução

Nos últimos anos, a bandeira tem sido usada principalmente como um símbolo dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “A bandeira do Brasil e suas cores foram sequestradas nos últimos anos por movimentos golpistas e inconstitucionais. Mas o país e seu símbolo são maiores que eles; antecedem-nos e os sucederão”, afirma Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha.

Daí a importância de manter a tradição nas primeiras páginas no feriado de 7 de setembro, tanto como forma de comemorar a Independência, que completa hoje 199 anos, como de resgatá-la de sua roupagem extremista.

Em 1976, o governo Ernesto Geisel iniciou o projeto de abertura política “lenta, gradual e segura”, um processo de distensão da censura e da repressão malvisto pelos militares da linha dura. Aquela, no entanto, não foi a primeira vez que uma capa da Folha trouxe abandeira para celebrar o feriado cívico — mas, em 1976, tornou-se regra.

Em setembro de 1922, o cartunista Belmonte foi responsável pela ilustração que ocupou a capa inteira. Outras capas se destacam pela conjunção do feriado nacional e do impacto dos acontecimentos do dia anterior, como em 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro sofreu atentado à faca em Juiz de Fora (MG). Um ano depois, o jornal publicou o quadrinho censurado pela gestão do prefeito Marcelo Crivella na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

E em 15 de novembro de 2015, após os atentados terroristas em Paris, que deixaram 137 mortos, a bandeira verde e amarela foi publicada ao lado da bandeira da França, em homenagem ao país.

Mais recentemente, em 28 de junho de 2021, dia do orgulho LGBTQIA+, a Folha homenageou essa comunidade colocando a bandeira do arco-íris em sua primeira página.

Erramos: o texto foi alterado

Versão anterior deste texto afirmava que a bandeira do Brasil é verde-oliva, mas ela é verde-bandeira.

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