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Paes tenta desidratar Freixo e embaralha eleição no RJ após acordo com PDT

Movimentos do prefeito são lidos como tentativa de se consolidar como líder político no estado

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Rio de Janeiro

Movimentos das últimas semanas do prefeito Eduardo Paes (PSD) embaralharam o cenário eleitoral do Rio de Janeiro, antes com uma polarização semelhante ao cenário nacional.

Ele fechou acordo com PDT a fim de ter um nome próprio forte na corrida pelo governo. Antes, buscou desidratar a pré-candidatura do deputado federal Marcelo Freixo (PSB), com quem chegou a conversar sobre um possível apoio.

Os movimentos de Paes são lidos na política fluminense como uma forma de tentar se consolidar como líder político no estado, que vive um vácuo de poder desde a prisão do ex-governador Sérgio Cabral e demais caciques do MDB-RJ.

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) participa de reunião do secretariado do prefeito Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro - Beth Santos / Divulgação / Prefeitura do Rio de Janeiro

Em entrevista ao Valor Econômico publicada na segunda-feira (7), o prefeito afirmou que a união com o PDT tem como objetivo criar uma alternativa à polarização entre Freixo e o governador Cláudio Castro (PL), apoiados pelo ex-presidente Lula e pelo presidente Jair Bolsonaro, respectivamente.

"Tinha a reprodução do quadro nacional aqui. Lula versus Bolsonaro. Bolsonaro é Cláudio Castro, e Lula é Freixo. Me dou bem com ambos, tenho relação de correção com Castro, mas nenhum dos dois me parece preparado para enfrentar os maiores problemas do estado", afirmou.

"A razão da aliança é criar alternativa a essa divisão, que é nacional. Não vou ficar assistindo de camarote a essa situação em que se vota no Castro porque odeia o Freixo ou vice-versa porque eles estão ligados a Bolsonaro e Lula", disse o prefeito ao Valor.

Apesar de afirmar ter interesse em formar uma terceira via no Rio de Janeiro, Paes tentou atrair o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, André Ceciliano (PT), para o PSD a fim de que concorresse ao governo do estado com apoio de Lula.

A articulação envolveu ala do PT-RJ, liderada pelo ex-prefeito de Maricá Washington Quaquá, insatisfeita com a adesão de Lula a Freixo.

Ceciliano recusou a proposta e disse estar focado na construção de um arco de alianças para Lula no Rio de Janeiro. O PSB tem cobrado apoio a Freixo em troca do apoio ao ex-presidente na eleição presidencial.

"O PT do Rio não será problema para o Lula. Quero ampliar ao máximo o palanque dele. E Paes seria um aliado importante", disse o presidente da Assembleia.

Na mesma semana em que selou a aliança com o PDT, o prefeito teve um encontro com o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), cuja intenção de se candidatar ao Senado esbarra na manutenção da pré-candidatura de Freixo ao estado.

O acordo é que o PT indique o postulante a este posto na chapa —Ceciliano deve ser o nome.

Os dois movimentos foram lidos como uma forma de enfraquecer a candidatura de Freixo. Após a divulgação das costuras de Paes, o ex-presidente Lula reafirmou o apoio ao deputado.

Aliados do pré-candidato ao governo avaliam que o prefeito teme que a eventual vitória do deputado do PSB crie um novo protagonista político no estado fora de sua órbita. O Rio de Janeiro vive um vácuo de líderes políticos desde a prisão da cúpula do MDB-RJ e o impeachment de Witzel.

O interesse em ter maior controle sobre a movimentação no estado foi identificado por políticos fluminenses na frase em que Paes diz ao Valor que "Lula não é fator relevante para mim na eleição local".

"Acho que eles estavam reproduzindo no Rio a eleição nacional e eu quero criar força alternativa", disse ele.

Freixo foi um dos principais nomes da oposição ao governo Sérgio Cabral, padrinho da primeira eleição de Paes à prefeitura.

Ele disputou, sem sucesso, a prefeitura em 2012 e 2016 contra o grupo de Paes. Nas últimas duas eleições, aproximou-se do prefeito ao apoiá-lo no segundo turno contra Wilson Witzel (PSC), ao governo em 2018, e Marcelo Crivella (Republicanos), em 2020 no município.

À época no PSOL, Freixo afirmou que o "apoio crítico" se devia ao fato de os adversários serem aliados próximos de Bolsonaro.

Freixo iniciou a construção de sua candidatura no ano passado com conversas que envolveram Paes. O prefeito nunca prometeu apoio, mas manteve-se próximo do diálogo.

O deputado saiu do PSOL para o PSB a fim de ampliar as possibilidades de aliança. Por enquanto, tem acordo fechado apenas com o PT e o PC do B.

Após as críticas de Paes, o deputado do PSB afirmou que "quer somar, não dividir".

"Procurei o Eduardo Paes e propus que olhássemos para o Rio de Janeiro juntos para os próximos 20 anos. Uma proposta que retome a grandeza do estado. Ainda hoje espero que se entenda a grandeza disso. Eduardo Paes é importante para o estado do Rio de Janeiro", disse Freixo.

Procurado, Paes não respondeu à Folha.

PDT e PSD ainda vão definir qual dos pré-candidatos das siglas vai concorrer ao governo e ao Senado. A sigla do presidenciável Ciro Gomes indicou o ex-prefeito Rodrigo Neves e de Paes, o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

Rodrigo Neves afirmou que aliança busca unir "as duas melhores escolas de gestão do Rio de Janeiro". O discurso tem como objetivo ressaltar a falta de experiência de Freixo em cargos do Executivo.

"[Vamos unir a] tradição do PDT em Niterói de boas administrações, antes do meu governo e depois, e a boa escola de gestão do prefeito Eduardo Paes. Essa unidade é importante para ganhar a eleição e para fazer o diálogo para reconstruir o Rio. Nossos adversários não têm o que mostrar ou histórico de boa gestão. Freixo nem experiência tem."

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