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Candidatos elevam o tom em debate a menos de uma semana da eleição

Zanone Fraissat/Folhapress
Haddad, Erundina, Russomanno, a mediadora, Adriana Araújo, Doria, Marta e Major Olímpio no debate da Record
Haddad, Erundina, Russomanno, a mediadora, Adriana Araújo, Doria, Marta e Major Olímpio no debate da Record

A menos de uma semana do primeiro turno das eleições municipais, os candidatos à Prefeitura de São Paulo protagonizaram, na noite deste domingo (25), o debate mais tenso entre eles.

No encontro promovido pela Rede Record e pelo portal R7, o tom subiu já nas primeiras perguntas –nas quais Luiza Erundina (PSOL) voltou a criticar João Doria (PSDB) pela polêmica de um terreno em Campos do Jordão (SP), e Marta (PMDB) e Celso Russomanno (PRB) acusaram um ao outro de mentir.

Poucas falas trataram de propostas objetivas para a cidade, especialmente no primeiro e no segundo blocos; a partir do terceiro, o tom entre os candidatos ficou mais ameno e mais promessas de campanha foram feitas. No último bloco, de considerações finais, o clima voltou a esquentar –Doria teve até um direito de resposta concedido.

Um dos ataques mais contundentes no debate foi feito por Major Olímpio (SD) –que se disse "franco, sim, e atirador também".

Por duas vezes, ele insinuou que a formação da coligação de Doria (composta por 13 siglas) envolveu loteamento de cargos no governo estadual, administrado pelo tucano Geraldo Alckmin, padrinho político de Doria.

O candidato do SD, partido que faz parte da base de Alckmin, alegou que a sigla sofreu "pressão" do governo depois de ele ter cobrado o tucano no debate do SBT. "Eu não tenho preço", disse, se dirigindo ao governador –que estava na plateia.

Doria, que sempre ressalta não ser político, pediu a Major Olímpio "respeito à classe política e ao governador".

SEGUNDO TURNO

Outro embate marcante, que se repetiu em diferentes momentos, foi entre Marta e Russomanno. Os dois estão embolados em um empate técnico com Doria na primeira posição, segundo a última pesquisa Datafolha (o tucano tem 25%, o candidato do PRB 22% e a do PMDB, 20%).

Marta e Russomanno trocaram acusações logo no primeiro bloco. "Você votaria em um candidato que mente assim?", perguntou a peemedebista, citando uma multa que o deputado recebeu do Procon por propaganda enganosa e a liminar que tirou do ar uma campanha do PRB que acusava Marta de mentir.

"Quem fez os primeiros ataques foi você, com mentiras", retrucou Russomanno, que, em diferentes momentos, por ao menos três vezes acusou Marta, quando prefeita e ministra, de "estar em Paris" quando problemas como o alagamento de túneis paulistanos aconteciam no Brasil.

Mais tarde, em resposta a Major Olímpio, Russomanno chamou de "jogo baixo e sujo" uma propaganda da campanha de Marta que o acusa de ser mau administrador por causa do fechamento de um bar seu em Brasília.

Interagindo com Haddad, Russomanno acusou a peemedebista de ter deixado a prefeitura endividada e de ter criado "a taxa do lixo e até a taxa da coxinha".

Em suas considerações finais, Marta voltou a atacar o candidato do PRB, dizendo que ele ainda não resolveu todos os seus problemas na Justiça.

A Doria, por outro lado, a peemedebista quase não fez ataques diretos, diferentemente do que se viu em outros debates –os dois, que chegaram a escolher, na sequência, um ao outro para responder, deram a impressão de se ajudar.

Em uma das respostas à ex-prefeita, o empresário disse que "não tinha discordâncias".

O tucano foi alvo de ataques mais fortes de Haddad e de Erundina. A candidata do PSOL por ao menos duas vezes acusou Doria de "ignorância política", por repetir que é um gestor, não político, e de "fazer lobby". Ele ganhou direito de resposta para rebater a afirmação –se disse "decente e honrado e, graças a Deus, nunca fui do PT".

Erundina também criticou a proposta do tucano de privatizar ou fazer PPPs em corredores de ônibus e cemitérios. "Ele vai explorar publicidade em túmulos?", cutucou.

Doria retrucou, dizendo que a diferença entre ele e Erundina é que ele quer "socializar a riqueza, e não a pobreza, como ela".

O prefeito Fernando Haddad (PT) endureceu o tom contra João Doria –mas também contra Marta e Russomanno.

Com o primeiro, ao falar sobre o programa Braços Abertos, de combate ao crack, criticou o governo estadual, dizendo que "o PCC só cresceu nos 22 anos de governo do PSDB". Doria disse que o programa do petista deixa os usuários de crack "de braços abertos para a morte".

A Marta, Haddad perguntou se a proposta de retomar a inspeção veicular era " convicção dela ou exigência do [Gilberto] Kassab", aliado da peemedebista. Marta acusou o prefeito de má-fé.

No final, o petista voltou à carga e disse que a peemedebista "esconde seu principal aliado, que é o Kassab" –o PSD, partido fundado pelo ex-prefeito, indicou o vice na chapa de Marta, Andrea Matarazzo.

Em diferentes respostas a Russomanno, o prefeito também disse que o candidato do PRB "não sabia do que estava falando" e que usava de "malícia" para falar da redução na velocidade máxima das marginas.

Russomanno mais tarde retrucou, dizendo que Haddad era "amador" –e voltou ao embate com Marta, alegando que "nunca faliu na vida".

*

  • Um front por vez

O tom ameno entre Marta Suplicy (PMDB) e João Doria (PSDB) e os ataques entre a peemedebista e Celso Russomanno (PRB) evidenciam o entendimento do partido da ex-prefeita de que o alvo dela agora deve ser o deputado federal, com quem disputa lugar no segundo turno.

  • Escada

Russomanno usou uma pergunta a Fernando Haddad (PT) para atingir Marta. A tática ilustrou a situação pouco central do prefeito no debate.

  • Fala grosso

Haddad assumiu um tom mais duro em relação a outros confrontos na TV por orientação do ex-presidente Lula, com quem fez campanha na manhã de domingo.

  • Linhas inimigas

Marido de Marta, Márcio Toledo distribuiu a petistas e tucanos convite para seu aniversário, na sexta (30). O evento é para arrecadar recursos para a peemedebista. Bia Doria, mulher do tucano, foi uma das convidadas.

  • Igreja e Estado

Luiza Erundina (PSOL) levou a plateia às gargalhadas quando se confundiu e chamou Major Olímpio (SD) de "pastor".

  • Memória seletiva

Atacado diversas vezes no debate e na plateia, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) celebrou: "Debate bom é assim mesmo, que nem aqueles meus com Lula". Em 2006, quando disputou a Presidência com o então presidente, o tucano teve menos votos no segundo turno do que no primeiro.

  • Debate série B

A candidata a vereadora pelo PSOL Sâmia Bonfim comentava resposta de Doria quando o filho dele, João Doria Neto, sentado na fileira da frente, mandou ela ficar quieta. "Vai me mandar calar a boca? Só porque tem um sobrenomezinho? Machista", disse a candidata.

(DANIELA LIMA, REYNALDO TUROLLO JR., CATIA SEABRA, BERNARDO MELLO FRANCO E ANGELA BOLDRINI)

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