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Escola de bambu no meio da selva atrai alunos estrangeiros a Bali

Green School segue o conceito sustentável e usa o ambiente como base para qualquer decisão

Sala de aula sem paredes ou fileiras de carteiras na Green School (Escola Verde) em Bali, na Indonésia

Sala de aula sem paredes ou fileiras de carteiras na Green School (Escola Verde) em Bali, na Indonésia Divulgação/Green School Bali

Renan Marra Julia Alves
São Paulo

Uma escola erguida no meio da selva está atraindo estudantes do mundo inteiro com a proposta de um ensino sustentável e em contato com a natureza. A estrutura feita toda de bambu fica em uma floresta tropical na ilha de Bali, principal destino turístico da Indonésia.

Não há carteiras ou cadeiras enfileiradas na Green School (Escola Verde). O estudante é surpreendido com a quebra de paradigmas nos métodos de ensino e no ambiente concebido para o aprendizado.

Em 2012, a escola foi eleita a mais verde do mundo pela U.S. Green Building Council (Conselho Americano de Construção Verde), uma das principais entidades globais de certificação.

A instituição foi criada em 2008 pelo canadense John Hardy, que vivia havia 20 anos em Bali, e teve como inspiração o documentário “Uma Verdade Inconveniente” (2006), escrito e apresentado por Al Gore, ex-vice presidente dos Estados Unidos.

Ao chegar à Green School, o visitante sente o impacto da construção. A argentina Veronica Cassetta, 46, conta que, quando viu a escola pela primeira vez, sem as paredes e com espirais de bambu, sua “criança interior começou a chorar” por não ter tido uma oportunidade dessa.

Ela trabalhava como freelancer em produção de publicidade no Brasil em 2016, quando, em luto pela morte de uma amiga, decidiu ficar um tempo fora do país. Veronica conheceu a Green School pela internet e se encantou. Logo matriculou o filho Bruno, então com nove anos.

A escola é voltada para crianças e adolescentes, mas também orienta os pais. Veronica afirma que as técnicas aprendidas lá fizeram ela e o filho mudarem hábitos e a percepção de mundo.

“Após um mês em Bali, achei um supermercado. Quando Bruno me viu com as compras, criticou: ‘você comprou mais plástico do que comida!’”, relata Veronica, que diz ter ficado impressionada com a atitude do filho.

“Então eu respondi que tinha comprado um chocolate, que o Bruno amava, mas ele o recusou por causa do alumínio da embalagem e do óleo de palma, cuja exploração vem desmatando florestas.”

Quando voltaram ao Brasil, Bruno passou a reclamar por ficar muito tempo sentado na escola. “Em Bali, era muito mais ativo”, diz o menino.

Na Green School, o estudante não é obrigado a calçar sapatos nas salas de aula. Se em algum momento se sente disperso, pode descansar numa área reservada para repouso.

Uma vez ao dia os alunos praticam o “mindfulness”, técnica de meditação para relaxar e concentrar a atenção no momento presente.

Na escola verde, as crianças são orientadas a ter o ambiente como base na tomada de qualquer decisão. Aprendem a considerar como cada gesto ou ação pode afetar o futuro.

A grade curricular também inclui ciências exatas. A matemática é explorada nas contas da interferência do homem sobre o ambiente. A escola incentiva a formação de líderes ecológicos e adultos focados na cidadania global.

Os conteúdos são colocados em prática em jardins e hortas orgânicas. Cada classe tem o seu próprio jardim de flores e sua horta. Os alunos plantam, cuidam, colhem e preparam os próprios alimentos.

Segundo a gerente de comunicação da Green School, Debora Aritonang, a estrutura consome só 10% da energia usada por uma escola não sustentável. O ambiente natural e sem paredes permite maior infiltração de luz solar. Painéis solares fornecem um terço de toda a energia do espaço. 

O ônibus escolar utiliza biodiesel feito com resíduos de óleo de cozinha. Todo o lixo produzido é reciclado ou composto, e os banheiros são de compostagem (com uso racional da água e substituição de encanamentos por câmaras que armazenam os resíduos).

Aberta a estudantes do jardim de infância ao ensino médio, a Green School tem atualmente 490 alunos, sendo que apenas 12% são da Indonésia, com bolsas de estudo —o restante é estrangeiro. Neste semestre, a escola conta com estudantes de 34 nacionalidades e nove brasileiros.

A mensalidade não é barata, mas menor do que a cobrada numa escola privada de Nova York. Um aluno do sexto ano, por exemplo, paga US$ 15 mil (cerca de R$ 60 mil) por ano.

Antes das matrículas, os interessados têm que passar por um processo de seleção feito no site da escola. Jovens que não falam inglês fluente são entrevistados para determinar o nível de necessidade de suporte em inglês. Nesse caso, a escola oferece profissionais para ajudá-los.

“Depois de Bali, tenho a necessidade de sair da cidade grande. Elas deixam o ser humano muito infeliz, um pouco mais de contato com a natureza muda tudo”, diz Veronica.

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