Descrição de chapéu Brasil China

Brasil precisa se preparar para entrar no mercado chinês de vendas online

No ano passado, o comércio eletrônico da China faturou sozinho US$ 448 bilhões, quase o dobro de todo o varejo brasileiro

Gabriel Yen, da Televisão Central da China, Leonardo Palhares, presidente da Câmara de Comércio Eletrônico, Marcel Motta, diretor no Brasil da Euromonitor, Augusto Castro, gerente do núcleo China da Apex, e Jaime Spitzcovsky, mediador do debate
Gabriel Yen, da Televisão Central da China, Leonardo Palhares, presidente da Câmara de Comércio Eletrônico, Marcel Motta, diretor no Brasil da Euromonitor, Augusto Castro, gerente do núcleo China da Apex, e Jaime Spitzcovsky, mediador do debate - Reinaldo Canato / Folhapress
Ricardo Melo
São Paulo

Para quem não tem a dimensão exata dos números astronômicos da economia da China, aqui vai um dado. A Black Friday chinesa, que ocorre em novembro e se chama Singles’ Day, movimenta cerca de US$ 25 bilhões, sete vezes mais do que os americanos faturam em data semelhante.

Em termos comparativos, basta lembrar que o superávit do Brasil com a nação asiática no ano passado foi de US$ 20 bilhões. Ou seja, num único dia, o ecommerce chinês faturou mais do que o Brasil ganha em um ano na relação entre os dois países.

Especialistas como Thomaz Machado, presidente da consultoria ChinaInvest, consideram fundamental entender as mudanças no padrão de consumo dos chineses.

 

“O Brasil e os Estados Unidos sempre focaram no mercado interno”, afirmou durante o seminário Brasil-China. “Mas é preciso acompanhar os movimentos nos países para os quais se pretende vender.”

Embora seja a segunda maior economia do mundo em valores nominais, uma outra classificação já põe os chineses na liderança. Em paridade do poder de compra, o PIB do país em 2018 foi calculado em cerca de US$ 25 trilhões, maior do que o de qualquer outra nação, conforme destacou Roberto Jaguaribe, ex-embaixador na China e presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Tal evolução não aconteceu por acaso. A China é o país com o maior crescimento dos últimos 25 anos. Seu PIB aumentou em média 10% ao ano. Mas, apesar de ocupar o terceiro lugar em extensão territorial, seu território é pobre em recursos naturais.

Durante décadas, a inserção da China na economia mundial foi discreta devido ao modelo imposto pela revolução comunista de 1949. A situação começou a mudar no final dos anos 1970, com a ascensão de Deng Xiaoping ao comando do país.

A economia chinesa migrou de um ambiente centralizado e fechado ao comércio internacional para uma combinação de setor estatal vigoroso e área privada em rápido crescimento. A economia decolou e passou a desempenhar um papel cada vez mais relevante na geopolítica global.

Há mais transformações em curso, como urbanização acelerada. Muda também o cardápio de interesses dos chineses. Encarar a China como mera receptora de commodities inibe o poder de fogo de economias como a brasileira.

“Em 2013, havia 1.500 lojas da Starbucks na China. Três anos depois, o número passava de 3.000”, citou Leonardo Palhares, da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.

Indicadores semelhantes sinalizam a modificação de padrões de um país com imenso potencial de consumo.

Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de desenvolvimento industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria), chamou a atenção para o fato. “É verdade que tivemos um superávit de US$ 20 bilhões com a China. Mas, na rubrica de manufaturados, registramos um déficit de mais de US$ 20 bilhões.”

O alerta parece resumir os desafios das relações econômicas Brasil-China. Ou o Brasil se acomoda à condição de fornecedor de commodities, ou se credencia como parceiro ou concorrente competitivo diante do mercado chinês.

 
Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.