Descrição de chapéu Brasil China

Ministro se queixa de mercado controlado a embaixador chinês

Embora Xi Jinping tenha dito que ama carne brasileira, nunca comprou nada, diz Blairo Maggi

Blairo Maggi, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Blairo Maggi, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Reinaldo Canato/Folhapress
Bianka Vieira
São Paulo

​​O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, pôs em pratos limpos suas insatisfações com a relação entre o segmento que representa e o país natal do embaixador Li Jinzhang, com quem dividiu um painel no seminário Brasil-China, realizado pela Folha.

Sem rodeios diplomáticos, afirmou que a China regula o mercado e protege seus produtores locais excessivamente, sem deixar espaço para expansão dos negócios brasileiros.

“Um ano atrás eu estive na China com o presidente Xi Jinping. Ele fez um brinde e disse ‘presidente [Michel Temer], eu amo a carne brasileira’”, contou, mencionando uma visita na qual os representantes brasileiros reivindicaram maior abertura para o produto. “Até hoje não conseguimos vender nada.”

Maggi e o embaixador chinês participaram da mesa de abertura do segundo dia do seminário Brasil-China, em São Paulo.

O ministro citou o aumento da taxa de importação do açúcar e medidas antidumping sobre a importação do frango, decisões que geram receio entre os produtores brasileiros. “A gente tem que tomar cuidado. É um mercado controlado, não um mercado livre, como gostaríamos que fosse.”

Li Jinzhang contrapôs lembrando que, no ano passado, o volume do comércio brasileiro com a China cresceu 30%, alcançando cerca de US$ 87,5 bilhões (aproximadamente R$ 361 bilhões).

O embaixador também destacou parcerias em território brasileiro como a expansão do porto de Paranaguá e o projeto da ferrovia Oeste-Leste (que ligará o litoral baiano a Tocantins), ambos com investimentos de empresas chinesas.

Em sua fala, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, cogitou um possível caminho inverso: “Será que não haveria possibilidade de investimento de empresas brasileiras na produção chinesa de etanol?”

Para o representante do Itamaraty, os mecanismos brasileiros de diálogo não dão conta do dinamismo da relação bilateral. “Nossos empresários precisam entender mais a China e como fazer negócio com ela. Precisam se associar a programas que são estratégicos para a China.”

Maggi e Li também discutiram a guerra comercial com os Estados Unidos. Para o embaixador chinês, está em ascensão uma política de força que frustra o multilateralismo, tornando o ambiente externo cada vez mais severo para os países em desenvolvimento.

O ministro brasileiro preferiu a analogia para comentar o assunto. “Em briga de elefantes, quem perde é a grama --e nós somos a grama nesse momento.” Ao que o embaixador chinês respondeu: “Você sabe, Maggi, são lutas de elefantes que vão afetar a todos. O Brasil também é um elefante.”

O seminário teve patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), do Banco Modal e da distribuidora Caoa Chery, com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

 
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