Descrição de chapéu Brasil China

Para executivos, Brasil deve investir em acordo de longo prazo com a China

Órgãos do governo e empresas precisam atuar juntos para fortalecer diálogo com país asiático

Roberto Brant, presidente do Instituto CNA da Confederação da Agricultura e Pecuária
Roberto Brant, presidente do Instituto CNA da Confederação da Agricultura e Pecuária - Reinaldo Canato/Folhapress
Leonardo Neiva
São Paulo

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Apesar de ser o principal destino das exportações brasileiras, a China impõe grandes barreiras a produtos comercializados pelo agronegócio nacional. É o caso da recente salvaguarda do açúcar, que elevou a taxa de importação do produto em 2017, e da sobretaxa aplicada ao frango brasileiro sob alegação de prática de dumping, nome dado ao expediente de vender produtos a preços inferiores aos praticados no mercado.

Para fortalecer os laços comerciais com o país e impedir outras ocorrências como essas, o governo brasileiro deve investir em um acordo de cooperação a longo prazo que priorize a China dentre todos os demais parceiros comerciais e que traga garantias de retorno desse investimento no futuro.

A medida foi uma das principais conclusões discutidas nesta quarta-feira (5) em debate durante o seminário Brasil-China, organizado pela Folha, com patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), da distribuidora Caoa Chery e do Banco Modal e apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo Roberto Brant, presidente do Instituto CNA da Confederação da Agricultura e Pecuária, os interesses de ambos os países devem convergir cada vez mais com o tempo, o que torna mais necessária a cooperação a longo prazo.

“A China terá necessidade de aumentar a importação por restrições físicas, sua estrutura agrícola impede que haja um grande crescimento da produção no futuro.”

​Brant também recomendou que o Brasil evite tomar grandes iniciativas baseadas na atual guerra comercial entre Estados Unidos e China. Trata-se de um cenário efêmero, avalia, que pode sofrer alterações a qualquer instante e tem potencial para prejudicar qualquer investimento que o país venha a fazer baseado nesse contexto.

Eduardo Leão, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), reforçou ainda a importância do respaldo da iniciativa privada em um acordo do gênero. A atuação conjunta de governo e empresas torna o Brasil mais forte para dialogar com o país asiático.

Essa integração já ocorreu no caso da salvaguarda de importação do açúcar, afirmou Leão. Na semana passada, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) divulgou decisão de consultar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a sobretaxa aplicada pela China.

“A Camex teve uma postura ousada. Na nossa avaliação [da Unica], foi uma atitude louvável visando o bem da indústria brasileira.”

Hoje é inviável entrar no mercado chinês sem nenhum respaldo, disse Marcio de Oliveira, responsável pelo setor de concessões do Banco Modal. Caso não haja apoio por parte do governo brasileiro, um bom caminho é atrair investidores chineses para o capital da companhia, diz ele.

“Fizemos essa sugestão a uma empresa que queria exportar café para a China. Com a parceria, eles teriam alguém que já conhece o mercado lá. Se outras seguirem o método, pode facilitar a distribuição e consumo do café brasileiro no país, que tem um potencial enorme.”

Outra dica importante para as empresas nacionais, afirmou Oliveira, é investir no controle sanitário da produção. “Algumas empresas menores não cuidam dessa parte, que é muito relevante para o mercado chinês.”

A mesa de debate foi mediada pelo jornalista da Folha Mauro Zafalon. O seminário continua nesta quinta-feira (6) a partir das 8h30, no Rooftop 5 & Centro de Convenções (rua Coropé, 88, Pinheiros), em São Paulo.

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