Descrição de chapéu Seminário Coração Fraco

Insuficiência cardíaca é epidemia silenciosa e ignorada, dizem especialistas

Estimativas apontam que entre 1% e 2% da população do país já tenha desenvolvido a doença

Everton Lopes Batista
São Paulo

Mais de 10% da população idosa do país sofre com a insuficiência cardíaca, doença crônica que prejudica o bombeamento do sangue pelo coração. Entre a população geral, estima-se que entre 1% e 2% das pessoas já tenham desenvolvido a deficiência.​

Temos uma epidemia ignorada por médicos, pacientes e governo”, afirmou Manoel Canesin, presidente da Rede Brasileira de Insuficiência Cardíaca (Rebric), durante o seminário Coração Fraco, realizado pela Folha nesta segunda-feira (25), no auditório do jornal.

O evento teve o patrocínio da Novartis e apoio da Rebric e do Instituto Lado a Lado Pela Vida.

Marlene Oliveira (esq.), do Instituto Lado a Lado pela Vida; Manoel Canesin, da Rede Brasileira de Insuficiência Cardíaca; João Manoel de Almeida Pedroso, do Instituto Nacional de Cardiologia e a repórter especial da Folha Claudia Collucci participam do seminário Coração Fraco, em São Paulo
Marlene Oliveira (esq.), do Instituto Lado a Lado pela Vida; Manoel Canesin, da Rede Brasileira de Insuficiência Cardíaca; João Manoel de Almeida Pedroso, do Instituto Nacional de Cardiologia e a repórter especial da Folha Claudia Collucci participam do seminário Coração Fraco, em São Paulo - Reinaldo Canato/Folhapress

Por ser uma doença complexa, causada por diferentes fatores, a insuficiência cardíaca tem um diagnóstico difícil, de acordo com João Manoel de Almeida Pedroso, diretor do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), instituição que é referência do Ministério da Saúde na área.

Sintomas associados ao mal, como cansaço frequente, dificuldade para respirar e inchaço nas pernas, podem não aparecer em alguns casos. Isso faz com que, muitas vezes, a piora da saúde seja silenciosa.

Sedentarismo, tabagismo, pressão alta e alcoolismo estão entre os principais motivos que levam às doenças do coração, que podem desembocar na insuficiência cardíaca. O país ainda falha na prevenção. Segundo o diretor do INC, em torno de 46% da população brasileira é sedentária.

Pacientes com hipertensão, mesmo que pequena, têm o dobro de chance de desenvolver insuficiência cardíaca, disse Pedroso. “Hoje, controlamos cerca de 25% dos casos de pressão alta no país, quando poderíamos controlar até 80%”, afirmou.

Com taxa de mortalidade abaixo de 10%, mas ainda considerada alta pelos especialistas, a insuficiência cardíaca consome aproximadamente R$ 22 bilhões por ano. Cerca de 70% desse gasto é feito dentro dos hospitais, com internações de pacientes mais graves, segundo Canesin, da Rebric. 

Para ele, existe dinheiro para investir no combate à doença, mas falta gestão para diminuir internações e evitar casos mais graves. “A maior parte dos recursos vai para quando o paciente já está em estado gravíssimo. É muito tarde.”

“Cada vez se gasta mais com o tratamento, mas precisamos falar de prevenção e promoção da saúde”, completou Marlene Oliveira, fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, que representa pacientes oncológicos e cardíacos.

Segundo Marlene, uma das principais barreiras na prevenção das doenças cardiovasculares é a disseminação de notícias falsas. “Cabe ao médico orientar sobre o que é ter uma doença crônica”, afirmou.

O investimento na informação é uma das apostas do INC. Segundo Pedroso, o instituto vai desenvolver neste ano um projeto, em parceria com a Dinamarca, para o treinamento de equipes de saúde da família no acompanhamento de pacientes com a doença e prevenção dos fatores de risco. Serão acompanhados mil pacientes dentro da iniciativa.

O instituto desenvolve também um manual para que profissionais da saúde ensinem os pacientes a fazer atividade física sem precisar de academia. De acordo com Pedroso, estudos mostram que entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana ajudam a diminuir o risco de desenvolver a doença.

“Hoje, temos a tecnologia para tratar quem está na fase final da doença, mas queremos que o paciente não chegue nessa situação”, concluiu o diretor do INC.

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