Veja a bibliografia básica para quem quer tentar inovar

Livros trazem conselho essencial para a economia do século 21: mude ou morra

Edson Aran
São Paulo

inovação é o evangelho do século 21. “Inove e serás salvo!”, pregam os livros. E estão certos. “Inovar” é questão de sobrevivência para corporações e profissionais, obrigados a se reinventar para um mercado menor e mais competitivo. A lista que segue é um guia compacto sobre como fazer diferente e, importante, como gerir a inovação, onde todo mundo tropeça. 

A Inovação Destruidora: Ensaio sobre a Lógica das Sociedades Modernas
Luc Ferry, ed. Objetiva, 
R$ 19,90 (ebook), 120 págs.

Nesta obra de 2015, o filósofo francês Luc Ferry define dois modelos de crescimento possíveis na economia moderna: keynesiano (formulado pelo inglês John Maynard Keynes) e schumpteriano (do austríaco Joseph Schumpter). 
Keynes prega que o motor do consumo é o aumento contínuo de salários. Schumpter só crê na inovação constante para produzir riqueza. Daí a “inovação destruidora” do título.
O problema é que no primeiro momento, a inovação gera desemprego e desigualdade. A pergunta de um milhão de bitcoins é: como inovar em tempo hábil sem prejudicar negócios ainda razoavelmente lucrativos? Os demais livros da lista podem ajudar. 

 
 

A Bíblia da Inovação: Princípios Fundamentais para Levar a Cultura da Inovação Contínua às Organizações
Fernando Trías de Bes e Philip Kotler, ed. Lua de Papel, R$ 44,90, 352 págs.

O economista Fernando Trías de Bes e o marqueteiro Philip Kotler definem inovação como “uma atividade contínua composta de processos descontínuos”. 
Isso se traduz em um sistema composto de ativadores (os que iniciam o processo sem pensar em prazos ou fases), buscadores (buscam informações para balizar o projeto), criadores (produzem ideias), desenvolvedores (transformam ideias em produtos), executores (implementam) e facilitadores (cuidam do orçamento e facilitam a aprovação). 
O livro pode ser um pouco óbvio para quem já vive no mundo do “mude ou morra”, mas ajuda a traçar um mapa do caminho.

Organizações Exponenciais: Por Que Elas São 10 Vezes Melhores, Mais Rápidas e Mais Baratas Que a Sua (E o Que Fazer a Respeito)
Michael S. Malone, Salim Ismail e Yuri van Gees, ed. Alta Books, R$ 54,30, 288 págs.

O livro parte da clássica desventura corporativa da Motorola para explicar por que as empresas precisam de mudanças rápidas e exponenciais e não lentas e lineares. 
No final dos anos 80, a Motorola criou o projeto Iridium, um inovador serviço de telefonia global baseado em satélites. A implementação teria custo de US$ 1 bilhão e levaria 12 anos. Não deu certo.
Doze anos é tempo demais num mundo onde a tecnologia caminha aos saltos. Segundo os autores, o capitalismo foi uma economia de produção que evoluiu para uma economia de criação. Nesse novo ambiente, funciona melhor uma organização sem hierarquias rígidas, com funcionários imbuídos de um propósito maior, do que o cheque no fim do mês.

A Startup Enxuta: Como os Empreendedores Atuais Utilizam a Inovação Contínua para Criar Empresas Extremamente Bem Sucedidas
Eric Ries, ed. Leya, R$ 14,90, 288 págs.

No livro, o blogueiro e empreendedor americano Eric Ries insiste em demonstrar que a palavra “contabilidade” precisa ser considerada tão cool quanto “inovação”. Ries defende que qualquer desejo de inovação precisa desenvolver a cultura de feedback e escutar o potencial cliente antes de produzir experimentos.
Como muita gente da área de tecnologia, o autor acredita na criação de um Produto Mínimo Viável (PMV), realizado com baixo custo e lançado imediatamente, sem protótipos nem pesquisas de público. Uma vez validado, o projeto segue ou puxa-se o plug.
Grandes corporações desmancham todos os dias por falta de coragem em testar novas ideias. A mentalidade de startup —que não teme riscos— pode salvar muitas da estagnação e até da falência. 

Criatividade S.A.: Superando as Forças Invisíveis Que Ficam no Caminho da Verdadeira Inspiração
Ed Catmull, ed. Rocco, 
R$ 44,90, 320 págs.

O americano Ed Catmull é um cientista da computação gráfica e um dos fundadores da Pixar Animation, junto com o engenheiro Alvy Ray Smith. Steve Jobs, o criador da Apple, entrou depois com suporte financeiro e midiático. 
Criada em 1986, a Pixar revolucionou a computação gráfica para o cinema e é a desenvolvedora do software de renderização de imagens hoje usado na maioria dos blockbusters de Hollywood. Além disso, produziu algumas das animações mais conceituadas da história do cinema, como “Toy Story” e “Procurando Nemo”. Hoje faz parte da Disney, mas sempre foi uma misto de estúdio e startup do Vale do Silício.
Divertido, bem escrito e cheio de insights, o livro disserta sobre assuntos tão diversos quanto o tamanho ideal das mesas de reunião e a natureza do relacionamento com um financiador-estrela e control freak como Steve Jobs.
O texto flui sem o caráter evangelizador comum ao gênero. Entre várias sacadas, Cardmull diz: “Quando enfrentamos complexidade a melhor abordagem é aceitar que não podemos compreender todas as facetas de um ambiente complexo e focalizar, em vez disso, técnicas para lidar com pontos de vista diferentes”. Para ele, pontos de vista diferentes são aditivos e não competitivos.

Business Model Generation - Inovação em Modelo de Negócios
Alexander Osterwalder e Yves Pigneur, ed. Alta Books, R$ 109, 300 págs.

É um dos mais divertidos da lista, porque aplica ao próprio livro o conceito de “design thinking”, técnica para pensar um negócio visualmente e envolver todos os participantes numa organização 360, onde a hierarquia só existe para viabilizar o projeto.
O “design thinking” usa um truque simples que pode ajudar todo empreendedor que precisa inovar. Pense que o seu produto é o herói de um filme e discuta com a equipe todos os problemas que ele enfrentará para chegar vitorioso ao fim da história. Este livro tem ainda uma grande vantagem: é divertido de ler como uma boa história em quadrinhos. 

Originais - Como os Inconformistas Mudaram o Mundo
Adam Grant, ed. Sextante, R$ 44,90, 272 págs.

O autor lança mão de exemplos históricos e da cultura pop para defender que os iconoclastas precisam ser bem recebidos pelas corporações. A renovação de uma empresa começa pela contratação de gente original, por mais que isso seja um incômodo.
O livro é cheio de histórias (algumas longas e chatas) e dicas (breves e úteis) para empregadores e empregados. Uma delas diz respeito ao “poder versus status”: o primeiro dá autoridade, o segundo, influência. Inovadores buscam status em vez de poder. 

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