Documentário discute as diferentes causas que perpetuam exploração de crianças e adolescentes

'Um Crime Entre Nós, de Adriana Yañez, traz opiniões de educadores e ativistas, como Jout Jout e Drauzio Varella

São Paulo

Os dados deixam evidente a urgência do tema. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, quatro meninas de até 13 anos são estupradas por hora no Brasil.

O número aparece no início do documentário “Um Crime Entre Nós”, de Adriana Yañez. Para a diretora, o intuito do filme foi servir como ponte de diálogo entre a população e o cenário da exploração de crianças e adolescentes no país.

Produzido pela Maria Farinha Filmes e patrocinado pelo Instituto Liberta, com apoio do Instituto Alana, o filme foi exibido pela primeira vez no seminário Exploração Sexual Infantil, realizado pela Folha na segunda-feira (18).

“Fazer esse filme foi poder conhecer muitas histórias de crianças violentadas em todas as suas dimensões”, diz Yañez.

O longa traz opiniões de educadores, sociólogos, psicólogos e ativistas, como a youtuber Jout Jout, o médico Drauzio Varella, Luciano Huck e Gail Dines, pesquisadora inglesa de pornografia.

Na primeira história, uma mulher que prefere não se identificar relata ter sofrido agressões, a partir dos cinco anos, do padrasto, que bebia. “Muitas noites, sentia que ele me tocava. A história foi se repetindo mais violenta.”

Quando a menina contou para a mãe, ela não acreditou. Ela então fugiu e foi morar na rua. E conheceu o outro lado da violência: a exploração sexual. “A rua me causou muitas dores, não tinha para onde ir, já tinha perdido a esperança.”

Ela chegou a ser levada para um abrigo, onde foi maltratada. “Consegui fugir pelo buraco do muro e foi quando cheguei à Casa Mamãe Margarida. Lembro do cheiro da roupa que me deram. Naquele momento, comecei a ver a luz.”

Mamãe Margarida é uma ONG em Manaus que atende crianças e adolescentes vulneráveis e com vínculos familiares rompidos.

O filme aborda outros aspectos da violência que envolvem questões de gênero, impunidade e se estendem para a esfera digital e o consumo de pornografia. O debate vai para as escolas e pauta o ensino da educação sexual, a formação de coletivos feministas e discussões sobre masculinidade com meninos.

O filme está disponível gratuitamente no GNT Play até o dia 26 e também na plataforma Videocamp, a partir de cadastro gratuito.

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