ONG vai lançar 1º ranking de medidas de ESG para estados brasileiros

Objetivo é atender demanda de órgãos multilaterais ou investidores privados por dados de boa gestão

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São Paulo

O Centro de Liderança Pública vai lançar em setembro o primeiro ranking de estados baseado em medidas de ESG (governança ambiental e sustentável) e de ODS (definidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da ONU).

Criado em 2008, o CLP é uma ONG dedicada a formar lideranças públicas, melhorar a gestão pública, dar algo como uma espécie de assessoria a governos interessados e que publica desde 2011 um ranking de competitividade estadual.

No formato atual, o ranking já oferece informações que poderiam basear diagnósticos de sustentabilidade. Agora, a ideia é ponderar e reorganizar os indicadores de modo a explicitar a situação e o potencial relativo dos estados.

Ilustração tipográfica de Deia Kulpas para o caderno especial ESG: governança e sustentabilidade nas empresas
Ilustração tipográfica de Deia Kulpas para o caderno especial ESG: governança e sustentabilidade nas empresas - Ilustração Deia Kulpas

“Rankings causam incômodos positivos”, diz Tadeu Barros, diretor de operações do CLP. Isto é, permitem comparações, cobranças baseadas em dados objetivos, podem basear metas de administração e, cada vez mais, servem como carta de apresentação para atrair investimentos ou quadros.

Segundo Lucas Cepeda, coordenador de competitividade do CLP, 20 estados utilizam o ranking do instituto como “ferramenta de gestão”, tais como metas de desempenho para secretarias de governo.
Barros e Cepeda dizem que bancos de investimento ligados a organizações multilaterais ou investidores privados vão demandar cada vez mais evidências de boa governança “sustentável”.

Ter bons indicadores e boa colocação em um ranking bem construído pode fazer a diferença, ainda mais em um ambiente em que medidas objetivas e comparáveis de desempenho ainda são escassas.

O ranking de competitividade é baseado em 73 indicadores, agrupados em dez “pilares temáticos”: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.

Segurança pública, infraestrutura e sustentabilidade social tiveram 38,5% de peso no ranking de 2020. A seguir, os “pilares” mais relevantes foram sustentabilidade fiscal e educação (23,9%). No total, a classificação dos estados depende em quase dois terços do desempenho dessas áreas.

O “pilar” sustentabilidade social reúne, entre outros, indicadores de moradia, pobreza, desigualdade de renda, acesso a saneamento, mortalidade e qualidade do trabalho.

No ranking de ESG e de ODS, os pesos vão mudar. Os números ainda estão sendo tabulados, mas não deve haver grande diferença na configuração geral da classificação, embora um ou outro estado vá se destacar.

A nova forma segue diretrizes de governança sustentável da União Europeia, a serem adotadas pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, clube de três dúzias de países ricos ou quase isso no qual o Brasil quer ingressar).

Em 2020, assim como em 2018 e 2019, São Paulo ficou em primeiro no ranking de competitividade. Do mesmo modo, Santa Catarina permaneceu em segundo, com Distrito Federal e Paraná na terceira e quarta posições. O resultado parece óbvio: são estados com renda per capita mais elevada e/ou menos desigualdade social. Mas não é bem assim. Há estados que se destacam mais, dadas as suas condições econômicas.

Alagoas, por exemplo, aparece em 15º lugar em 2020. Segundo os dados de renda domiciliar per capita do IBGE, estava na penúltima posição entre os estados brasileiros, com cerca de um terço da renda do líder Distrito Federal. Alagoas ganha posições na tabela do CLP devido ao bom desempenho nas áreas fiscal, de infraestrutura e eficiência da máquina pública.

O Rio de Janeiro, com a quarta maior renda domiciliar per capita, ocupa o 11º lugar do ranking do CLP. O estado tem baixíssima pontuação em segurança pública, solidez fiscal e potencial de mercado —em termos de “capital humano”, ocupa o segundo lugar geral.

Entre os estados em que a discrepância competitividade/renda (no sentido positivo) é maior estão, além de Alagoas, Amazonas, Paraíba e Ceará.

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