Descrição de chapéu Futuro da Mata Atlântica

Restauração da mata atlântica é prioridade para cumprir agenda climática do país

Só o aumento em escala e velocidade poderá assegurar serviços básicos, afirmam participantes de webinário

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Belo Horizonte

A restauração da mata atlântica precisa aumentar em escala e velocidade para que o Brasil consiga cumprir sua agenda climática e garantir serviços básicos para a sua população.

É o que pensam os participantes do webinário O Futuro da Mata Atlântica, realizado online nesta quarta (26) pela Fundação SOS Mata Atlântica, com apoio da Folha.

Durante o evento, que teve mediação da jornalista Andrea Vialli, foi divulgado o Atlas dos Remanescentes da Mata Atlântica, levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Segundo o relatório, 13.053 hectares de floresta nativa foram desmatados entre 2019 e 2020, o equivalente a 18 mil campos de futebol.

A jornalista Andrea Vialli no webinário Futuro da Mata Atlântica, no auditório da Folha, nesta quarta (26)
A jornalista Andrea Vialli no webinário Futuro da Mata Atlântica, no auditório da Folha, nesta quarta (26) - Jardiel Carvalho/Folhapress

​“O futuro da mata atlântica passa pelo desmatamento zero, que é uma meta totalmente plausível e alcançável, e pela sua restauração imediata. Temos ciência e tecnologia para recuperar o bioma que não existe em nenhum outro lugar do mundo”, afirma Luis Fernando Guedes Pinto, diretor da SOS Mata Atlântica e responsável pelo Atlas.

Segundo ele, a mata atlântica tem grande importância na conservação da biodiversidade e na absorção de gás carbônico, o que faz dela um dos biomas de maior prioridade global para ser restaurada.

Pinto também destaca a influência da floresta no provimento de serviços ecossistêmicos. Hoje, 70% da população brasileira vive nos limites do bioma. “Mata atlântica restaurada significa água na torneira das casas, nas indústrias, na irrigação, maior produtividade agrícola, maior polinização”, afirma.

Natalie Unterstell, especialista em políticas públicas e mudança do clima, lembra dos desafios que a preservação do bioma vem passando no atual governo. Ela cita como exemplo a aprovação do projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental na Câmara e a tentativa do ministro Ricardo Salles de aplicar o Código Florestal em detrimento da Lei da Mata Atlântica —o que, na prática, anistiava desmatadores.

"Infelizmente a mata atlântica é o alvo predileto desse tipo de ação do governo. Existe uma frente tocada pelo Executivo federal que passou as boiadas, com prejuízos potenciais e reais sobre a proteção de manguezais e outros elementos do ecossistema”, diz.

Na visão de Guilherme Amado, líder do programa AAA de qualidade sustentável da Nespresso no Brasil, o papel das empresas na recuperação da mata atlântica é de liderança.

Amado faz um alerta sobre a importância de conciliar agricultura e conservação. “Vivemos uma crise hídrica aqui em São Paulo nos anos 2014 e 2015 que muita gente não se lembra, mas quem é do setor agrícola ainda tem isso muito presente, porque o impacto em relação à quantidade e qualidade dos produtos agrícolas foi direto”, diz.

Gustavo da Fonseca, diretor de programas do GEF (Global Environment Facility), diz que a perspectiva de restauração é bastante otimista. “Nós temos arcabouço legal bem feito, capacidade técnica sofisticada, conscientização da questão ambiental desenvolvida e a perspectiva de trabalhar com o setor privado para mobilizar restauração em escala.”

“Vamos transformar esse ‘hotspot’ [ponto crítico, na tradução do inglês] em um ‘hopespot’ [ponto de esperança]. Nós temos condições de fazer isso e de liderar a agenda da restauração no mundo. A mata atlântica pode trazer essa esperança e esse protagonismo novamente.”

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