Morte de adolescente em março do ano passado foi a primeira desde 2006 no Rio

Vítima de 13 anos pisou sem querer num morcego que estava no chão, na zona rural de Angra dos Reis, e foi mordido

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Rio de Janeiro

Emanuel da Cunha, 13, era apaixonado por cavalos. Na manhã de 27 de janeiro de 2020, como de costume, acordou cedo e levou os animais ao pasto.

Morador de Ariró, na área rural de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, o adolescente, sem querer, pisou num morcego que estava no chão e foi mordido. Depois, pisou novamente para matá-lo.

Começava ali uma série de tratamentos de saúde que terminou na morte de Emanuel, meses depois, em 30 de março. Foi a primeira morte por raiva humana no estado desde 2006, segundo a Secretaria de Saúde do Rio.

“Estava no trabalho, uma sobrinha minha o levou ao Hospital Municipal da Japuíba. Ele esperou para tomar a soroterapia das 12h às 21h. Teve que vir o medicamento do município de Paraty. Ele teve uma reação forte. Sentiu fadiga, tontura e dor de cabeça, mas foi liberado para casa”, lembra a mãe de Emanuel, a cozinheira Cristiane Arantes, 48.

Emanuel, aos 13 anos, antes de ser mordido pelo morcego no início do ano passado
Emanuel, aos 13 anos, antes de ser mordido pelo morcego no início do ano passado - Arquivo Pessoal

De acordo com ela, nos dias seguintes, o menino ficou bem. Foi à escola, brincou. No fim de fevereiro, porém, começou a ter febre, dores nas pernas e de cabeça.

“Foram sete dias de peregrinação em hospitais e UPAs (unidades de pronto atendimento). Eu sempre lembrava os médicos que ele havia sido mordido pelo morcego. Eles falavam que não tinha relação. Emanuel foi removido para o hospital do Fundão [Hospital Universitário Clementino Fraga Filho], no Rio de Janeiro, mas já era tarde”, lamenta a mãe.

Em junho do ano passado, a Secretaria de Saúde do Rio emitiu alerta para os municípios fluminenses após a confirmação do caso de morte por raiva humana. Naquela ocasião, foi encontrado na localidade um morcego que estava contaminado com a doença.

“Não fui orientada pelos médicos que deveria voltar para aplicar as vacinas no meu filho. Assim como milhares de pessoas, eu era leiga no assunto”, diz Cristiane, que se mudou após a morte do filho. “Hoje minha casa é cercada por muros altos e tenho laje.”

Emanuel era o caçula de três filhos. Faria 15 anos no dia 21 de maio deste ano, na mesma data do nascimento da mãe. “Ele era ótimo, carinhoso. Sonhava ser cozinheiro. Quando eu chegava do trabalho, encontrava meu jantar feito por ele”, lembra a mãe, que aconselha as pessoas a colocarem telas nas janelas para aumentar a proteção.

A Prefeitura de Angra dos Reis diz que a família foi orientada a procurar as doses de vacinas, mas não procurou postos de saúde. No início deste ano, foi encontrado na região outro morcego morto, contaminado por raiva.

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