Trabalho remoto exige profissional autônomo e líder que motive a distância

Organização, flexibilidade e intimidade com a tecnologia são habilidades cada vez mais valorizadas

São Paulo

O home office imposto durante a quarentena evidenciou que o trabalho a distância exige competências distintas dos profissionais.

Organização, disciplina e pontualidade, por exemplo, são requisitos básicos para quem pretende continuar trabalhando de casa.

"É preciso se planejar e definir quais serão as tarefas do dia. Se for possível resolver tudo em menos horas, ótimo, a meta foi cumprida", diz Reynaldo Gama, presidente da HSM, plataforma especializada em formação executiva.

Ao ficar longe do escritório, o profissional precisa estar ainda mais conectado à equipe, lembra Leila Monique Cardoso, gerente de recrutamento e seleção da consultoria Stato. E o ambiente digital exige uma comunicação clara e objetiva, completa ela.

Na quarentena, a gerente de marketing Angélica Quintela, 32, sentiu necessidade de reforçar a rotina de contatos com os cinco membros de sua equipe, no portal de imóveis Imovelweb. Além das reuniões com o grupo às segundas, ela passou a fazer conversas individuais quinzenais, de ao menos 30 minutos.

Mulher loira sentada em sacada com notebook no colo
A gerente de marketing Angélica Quintela, no apartamento em que vive, em Santo Amaro (São Paulo) - Lucas Seixas/Folhapress

O presidente da empresa, Leonardo Paz, afirma que saber liderar uma equipe a distância é uma das principais habilidades que serão exigidas dos gestores a partir de agora.

Mais do que pressionar por produtividade e controlar horários, o chefe deve saber motivar os colaboradores sem a troca presencial. Mas isso não dispensa o funcionário de ser cada vez mais autônomo.

"Há quem só produza com cobrança, o que não funciona no trabalho remoto", afirma.

No retorno aos escritórios depois da pandemia, as equipes estarão menores, e os que ficarem terão de ser mais generalistas e estar preparados para abraçar novas tarefas. Isso exigirá mais flexibilidade dos profissionais.

Também se tornou fundamental demonstrar disposição para aprender e usar as novas tecnologias.

Mesmo com a volta ao escritório, as videoconferências não devem ser abandonadas, já que as empresas viram que podem economizar muito substituindo viagens e deslocamentos dentro da cidade por reuniões virtuais.

"As ferramentas evoluíram nos últimos meses, foram lançados muitos recursos novos. Não haverá mais espaço para quem se atrapalha com a câmera ou fala algo indevido com o microfone aberto", diz Reynaldo Gama, da HSM.

O recrutamento de novos profissionais a distância também já entrou na rotina das empresas, demandando adaptações dos candidatos.

O método já vinha sendo usado antes da quarentena, principalmente por empresas que costumam atrair talentos de outros países, e mostrou-se ainda mais eficiente agora, de acordo Cardoso.

Há plataformas que permitem ao candidato responder avaliações ao vivo pela internet, e outras que facilitam rodadas de entrevistas com vários membros da equipe.

Quando a entrevista é feita só pelo computador, a escolha da roupa, do penteado e da maquiagem são questões que caem para segundo plano.

"O candidato deve estar apresentável, claro, mas acho até exagerado usar terno e gravata, sabendo que ele está em casa. Mais importante é ter uma boa conexão com a internet, estar à vontade no vídeo e demonstrar domínio das novas tecnologias", afirma a gerente de recrutamento.

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