EUA preveem alta de empregos nas áreas da saúde e tecnologia e queda na área de serviços

Projeções do governo americano para 2029 mostram cenário desfavorável para ocupações de baixa qualificação

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Jed Kolko
The New York Times

Projetar o número de pessoas que estarão empregadas nos Estados Unidos em centenas de ocupações detalhadas, em 2029, é um exercício audacioso –mesmo sem as incertezas causadas pela pandemia.

Mas os especialistas em questões trabalhistas do governo americano estão tentando fazer exatamente isso. E sua mais recente avaliação sobre que empregos crescerão nos próximos dez anos tem implicações alarmantes para os postos de trabalho que requerem um nível educacional mais baixo –e ao mesmo tempo preveem um boom de emprego para os epidemiologistas e em outras ocupações relacionadas às ciências da saúde.

A avaliação do Serviço de Estatísticas do Trabalho enfatiza toda a incerteza que acompanha as projeções, e ressalta que está buscando prever mudanças estruturais, e não ciclos naturais de expansão e contração. Projeções de longo prazo muitas vezes dão errado, especialmente quanto aos setores mais voláteis, como a mineração e a construção, mas as estimativas da agência costumam ser racionais e sóbrias.

As projeções originais do Serviço de Estatísticas do Trabalho, feitas no ano passado sem levar em conta os efeitos da pandemia, calculavam um crescimento geral do emprego de 3,7% na economia americana, entre 2019 e 2029. As novas projeções afetadas pela pandemia reduziram esse crescimento a 2,9%, sob o cenário de “impacto moderado” da pandemia, e a 1,9% sob o cenário de “impacto forte”.

​Ambas as projeções presumem que haverá mais trabalho remoto e mais demanda por serviços de tecnologia relevantes; menos viagens e menos entretenimento em pessoa; e mais investimento em saúde pública do que teria sido o caso se a pandemia não tivesse acontecido.

Garçom arrumando mesas
As 10 ocupações com as maiores quedas projetadas em relação às estimativas básicas incluem trabalho em restaurantes, de acordo com a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos - Alessandro Grassani/The New York Times

No cenário de “impacto forte”, em 2029 haverá 25% mais epidemiologistas do que a projeção original para aquele ano indicava, o que representaria a maior alta entre as quase 800 ocupações detalhadas no estudo. As 10 ocupações com maior alta em emprego projetado, com relação à projeção original, são todas nos ramos médico, de ciência da saúde e de tecnologia. As 10 ocupações com os maiores declínios em relação à projeção original incluem empregos em restaurantes, transportes e hotéis.

Em média, as novas projeções aceleram modestamente a transição ocupacional, com relação às previsões iniciais. Por exemplo, a pandemia deve causar uma aceleração no crescimento já rápido dos empregos de desenvolvimento de software, e intensificar o declínio anteriormente projetado nos empregos como caixa.

As mudanças projetadas no padrão de emprego por causa da pandemia ficam concentradas em um número relativamente pequeno de setores. Três quartos dos empregos envolvem ocupações nas quais o impacto do cenário forte sobre o mercado de trabalho difere das projeções originais em menos de 2%.Em geral, os setores para os quais foi projetado um crescimento mais rápido na próxima década, originalmente –como enfermagem, assistência de saúde doméstica e muitas outras ocupações na área de saúde–, continuam a ter as projeções de crescimento mais rápido.

10 carreiras mais promissoras

As 10 indústrias em que o impacto da pandemia mais difere positivamente da projeção original

  1. Epidemiologistas

  2. Cientistas da área médica e da saúde

  3. Desenvolvedores web e web designers

  4. Bioquímicos e biofísicos

  5. Administradores de redes e sistemas

  6. Arquitetos de redes de computadores

  7. Analistas de segurança da informação

  8. Microbiólogos

  9. Técnicos de biologia

  10. Administradores e arquitetos de bases de dados

De forma semelhante, os postos onde havia uma projeção original de maior recuo –como os de assistente administrativo, carteiro e inspetor de produtos– continuam a registrar projeções de declínio semelhante, nos cenários que consideram o efeito da pandemia. Em todas as ocupações, a correlação entre o crescimento do emprego na projeção original e as projeções que envolvem impacto forte da pandemia é de 0,92 (uma correlação de 1 quer dizer equivalência perfeita, e uma correlação de 0 quer dizer equivalência nenhuma).

Os setores registram perdas adicionais de emprego por causa da pandemia são ocupações de baixo salário nas quais os trabalhadores já enfrentam dificuldades. A projeção demonstra que as ocupações de salário mais baixo verão queda em seu número de postos de trabalho durante a década. Isso pode representar uma mudança significativa ante as projeções anteriores à pandemia, que demonstravam crescimento maior no número de postos de trabalho para as ocupações mais bem pagas e para as ocupações menos bem pagas, com alguma defasagem para as ocupações de remuneração intermediária. A pandemia pode terminar substituindo o crescimento polarizado por uma perda líquida de empregos de baixo salário.

Agrupar as ocupações por requisitos educacionais em lugar de por salários conta uma história semelhante. Para os empregos que requerem diplomas de graduação e pós-graduação, o crescimento no número de postos de trabalho continua quase o mesmo, sob as projeções afetadas pela pandemia, do que era na projeção original. A queda no crescimento projetado do emprego causada pela pandemia se concentra quase inteiramente em postos de trabalho que requerem diploma de segundo grau ou diploma algum.

A pandemia faz com que projeções sejam um negócio arriscado. As projeções de curto prazo sobre o PIB e o emprego dependem de coisas como o ritmo de mutação do vírus e de distribuição da vacina. As previsões de prazo mais longo dependem de que mudanças permanentes a pandemia pode causar na maneira pela qual trabalhamos e gastamos nosso dinheiro.

Mas a pandemia já alargou as desigualdades existentes; e as novas projeções indicam que o efeito desigual sobre o emprego pode durar muito mais que a pandemia.

10 carreiras menos promissoras

As 10 indústrias em que o impacto da pandemia mais difere negativamente da projeção original

  1. Recepcionistas de cafés, restaurantes e bares

  2. Bartenders

  3. Atendentes de agência de turismo

  4. Recepcionistas do ramo da hotelaria

  5. Garçons e garçonetes

  6. Balconista de guichê de informações

  7. Caixas

  8. Comissários de bordo

  9. Operadores de metrô

  10. Motoristas de ônibus

Tradução de Paulo Migliacci

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