Descrição de chapéu Novas formas de viver

Leilão de imóveis vira opção para quem quer vender rápido

Descontos nesse modelo podem chegar a 60% do valor de mercado

Renan Marra
São Paulo

O número de imóveis ofertados em leilões cresceu 30% de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2018, segundo empresas do ramo. Os descontos nesse modelo de venda podem chegar a 60% do valor de mercado, mas é preciso atenção para evitar prejuízos.

A modalidade que mais cresce neste ano é o leilão extrajudicial, em que os imóveis são ofertados diretamente pelo proprietário. Se antes esse mercado era restrito às propriedades de devedores retomadas pelas instituições bancárias, hoje há muitos moradores em busca de uma venda mais rápida.

“Tem muitos imóveis vazios no mercado. No leilão, a venda é mais rápida e pode haver até uma disputa de lances, que aumenta o lucro do vendedor”, afirma Pedro Barreto, diretor da empresa de leilão MaisAtivo Imóveis, que atua na modalidade extrajudicial. 

Até o fim do ano, a leiloeira espera comercializar 310 imóveis, uma alta de 30% em relação às 237 vendas de 2018.

Diferentemente dos leilões judiciais, em que os descontos são estabelecidos pelos juízes e podem chegar a 40%, no modelo extrajudicial o preço é estabelecido pelo vendedor e fica em média 30% menor que o valor de mercado.

Barreto atribui a entrada de novos adeptos nos leilões à desmistificação dos editais e operações. Atualmente a maioria das vendas é feita pela internet. As empresas disponibilizam fotos com descrições e localização do imóvel.

O corretor de imóveis Fabio Oliveira, no prédio que ele trabalha, no centro de São Paulo
O corretor de imóveis Fabio Oliveira, no prédio que ele trabalha, no centro de São Paulo - Zanone Fraissat/Folhapress

“Havia uma ideia de que o leilão era um processo de cartas marcadas. No online,  não existe qualquer interferência humana no processo. Os participantes sabem quantos lances foram feitos e os prazos”, afirma o executivo.

A Zukerman Leilões registrou aumento de 50% na oferta de imóveis no ano passado em relação a 2017, puxado pela modalidade extrajudicial. 

Hoje, cerca de 90% dos clientes da empresa são consumidores finais. Essa proporção, segundo a Zukerman, praticamente inverteu com a de investidores, que eram maioria nos últimos anos. 

Essa demanda foi o que levou a Leilão Vip a implantar um modelo exclusivo para vendas por pessoas físicas.

“Muitas pessoas perceberam que é mais vantajoso colocar o imóvel no leilão, com o preço um pouco abaixo do mercado, do que gastar dinheiro todo mês com condomínio e imposto”, diz Cristiana Boyadjian, diretora-executiva da empresa. Segundo ela, a modalidade cresceu 15% no último trimestre.

O corretor de imóveis especializado em leilões Fabio Pereira Tomé Oliveira arremata em torno de cinco propriedades por mês. Consegue lucro médio de 30%. 

Ele diz, porém, que nem sempre o retorno é o projetado. “Já arrematei um imóvel que parecia uma coisa por fora, mas por dentro era completamente diferente. O antigo proprietário arrancou portas e a privada.” As reformas estruturais demandaram 50% do valor do imóvel.

O advogado especialista em direito imobiliário Alexandre  Marcelino diz que os compradores devem desconfiar de imóveis com grandes descontos, próximos de 60%. “É uma indicação de que pode haver problemas com dívida ou disputa de herdeiros.”

Ele recomenda uma leitura atenta do edital de venda, onde são descritas as características da propriedade e informações como a existência de moradores no local.

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