Descrição de chapéu Tecnologia

Automação controla desde a entrada de visitantes até a rega das plantas

Troca de funcionários por aplicativos permite reduzir custos do condomínio em até 25%

São Paulo

Nos anos 1990, os sistemas de automação predial eram acionados por linhas de telefone discadas, tinham algumas poucas funções e sua instalação envolvia muito quebra-quebra. 

Três décadas depois, a tecnologia é uma realidade eficiente e acessível até mesmo para condomínios antigos, erguidos na era pré-digital. 

Central de monitoramento do condomínio Viva, no Jardim Campo Grande, administrada pelo Grupo Graiche
Central de monitoramento do condomínio Viva, no Jardim Campo Grande, administrada pelo Grupo Graiche - Alberto Rocha/Folhapress

“Os equipamentos caros, que demandavam manutenção e falhavam muito, deram lugar a sensores sem fio, que transmitem as informações para a nuvem ou para outros equipamentos”, diz José Roberto Muratori, diretor-executivo da Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial (Aureside). 

“Ninguém mais precisa ter um servidor no prédio, basta uma boa conexão de internet.”

As novas tecnologias para controlar o entra e sai nas portarias estão entre as mais utilizadas. É o caso da portaria digital do empreendimento Limited Pinheiros, que a incorporadora Yuny está construindo no bairro da zona oeste de São Paulo.

Visitantes vão se identificar diante de um totem, na entrada do edifício, usando QR Code ou impressão digital. Cabe ao morador fazer o registro prévio da pessoa em um aplicativo.

O mesmo sistema vai permitir que, na ausência do morador, as entregas sejam armazenadas em um “smart locker”, armário trancado com senha. O código de acesso é trocado periodicamente e, assim, pode ser compartilhado com o entregador. 

Os recursos ajudarão também os futuros inquilinos dos 42 estúdios do Limited Pinheiros. A construtora espera que boa parte dos imóveis sejam disponibilizados para aluguel temporário na plataforma Airbnb, com alta rotatividade. “É preciso adequar os projetos a essa nova realidade”, diz Dalton Guedes, diretor da incorporadora.

Perspectiva do empreendimento Limited Pinheiros, da Yuny
Perspectiva do empreendimento Limited Pinheiros, da Yuny - Divulgação

Outra solução cada vez mais popular é a portaria remota, no qual o porteiro que controla o acesso não fica no edifício, mas em uma central. Esse mesmo profissional se encarrega de monitorar as câmeras de segurança, que dispõem de sensor de presença e são acionadas apenas quando há movimento. 

Existe ainda a portaria virtual, que dispensa o profissional e conecta os visitantes diretamente aos moradores, através de um aplicativo. 

“Todas as ferramentas substituem com vantagem os antigos dispositivos de segurança e já são comuns nos grandes centros urbanos”, afirma Muratori, da Aureside.

Rotinas como acender e apagar lâmpadas, regar plantas, vigiar o funcionamento das bombas e liberar o acesso a áreas restritas —salão de festas e academia, por exemplo— também podem ser facilmente automatizadas. 

A redução do número de funcionários proporcionada pela automação pode diminuir a taxa de condomínio em até 25%, calcula Roberto Piernikarz, diretor-sócio da BBZ, que administra prédios das incorporadoras Vitacon e Eztec, entre outras. 

O custo de pessoal responde por cerca de 70% dos gastos de um condomínio. Por isso os profissionais com altos salários, ocupados como funções mecânicas, estão desaparecendo, afirma Piernikarz.

“Um prédio automatizado não precisa de um zelador, mas de um gerente predial.” 
A tecnologia também pode otimizar a administração condominial. Os 730 empreendimentos paulistas geridos pelo Grupo Graiche usam um aplicativo que integra boa parte das funções do dia a dia de um prédio. 

Moradores podem receber boletos e notificações instantâneas quando chega uma encomenda, consultar o regimento interno e as atas das reuniões, reservar espaços comuns e acessar vídeos de segurança. O síndico, que tem acesso privilegiado, controla o fluxo de caixa e agenda manutenções. 

A troca de mensagens entre administradora, síndico e moradores também é feita pelo aplicativo. Segundo o Grupo Graiche, o número de acessos chega a 70 mil por mês.

“Tudo funciona online, 24 por dia. Além da redução da quantidade de papel, os profissionais do condomínio ficam livres para se dedicar a questões mais importantes”, avalia Luciana Graiche, vice-presidente do grupo. 

Apesar da economia, pontua Piernikarz, da BBZ, a automação dos serviços e redução da equipe pode tornar o atendimento aos moradores mais impessoal. 

Luciana Graiche avisa que a automação requer uma mudança de cultura dos funcionários, que precisam se adaptar à tecnologia, e dos moradores, que precisam ficar atentos a novas regras de conduta.

“Vai receber algum prestador de serviço, por exemplo? Tem que fazer o cadastro dele antes. Hoje, as demandas são outras, entram estranhos no prédio o tempo todo e não podemos mais trabalhar como fazíamos 20 anos atrás.”


Quanto custa

Sistema de segurança
Portaria remota, controle de acesso a áreas comuns, circuito fechado de TV, alarme de invasão e alarme técnico (detecção de vazamentos e fumaça)
Implantação a partir de R$ 20 mil
Manutenção a partir de R$ 2 mil por mês
Monitoramento 24h com pronto atendimento R$ 6 mil por mês 


Sistema de controle
Controle do nível da caixa d’água, do funcionamento das bombas, filtros das piscinas e geradores, da iluminação e da climatização de áreas comuns 
Implantação a partir de R$ 5 mil
Manutenção a partir de R$ 500 por mês

Fonte: Condomínio Eficiente 

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