Descrição de chapéu Tecnologia

Porteiro e interfone ficam obsoletos com controle de entrada por aplicativo

Novos recursos de segurança incluem câmera inteligente, que analisa imagens em busca de riscos

Yara Guerchenzon
São Paulo

Na contramão dos condomínios rodeados de muros altos e vigias, os novos empreendimentos residenciais estão deixando a entrada e as áreas comuns do prédio completamente à mostra.

O controle de quem entra ou sai do edifício fica por conta de portarias remotas ou aplicativos acessados diretamente pelos moradores.  

“Eliminamos muros e grades e criamos uma praça de convivência”, afirma Silvio Kozuchowicz, presidente-executivo da construtora SKR, sobre o mais recente empreendimento da empresa em Moema, na zona sul de São Paulo. Ali, as grades deram lugar a vidro blindado. 

Um aplicativo próprio da construtora, o Compass, permite que os moradores recebam no telefone celular notificações de chegada de encomendas e visitantes.

Para os donos dos apartamentos, a entrada na portaria é controlada por fechadura com identificação digital. 

O porteiro ainda existe, mas fica em uma central de controle com vidros blindados e acesso às imagens das câmeras localizadas em áreas comuns e nos acessos de pedestres e veículos.

Há ainda detecção e alerta de intrusão por meio de sensores infravermelhos.

Nos empreendimentos da Porte Engenharia e Urbanismo, uma equipe especializada em segurança patrimonial participa desde o desenvolvimento do projeto do empreendimento até a implantação.

O “kit básico” de segurança da construtora inclui portaria com acesso biométrico (por digital) para moradores e prestadores de serviço. 

Outro diferencial, de acordo com Andrea Hasse, que é gerente de arquitetura e urbanismo da Porte, está no desenho do espaço. “Projetamos calçadas largas, iluminação adequada e sem muros de concreto”, afirma Hasse. A ideia é que toda a área fique sempre visível a todos, o que inibe invasores.

Os elevadores dos empreendimentos da Porte só podem ser acessados com cartão ou senha. Nos apartamentos, há fechaduras eletromecânicas abertas por senha ou chave convencional, tanto na entrada social quanto na porta de serviço.

Nos prédios da Vitacon, construtora especializada em estúdios, as portarias virtuais viraram item padrão. 

A identificação do visitante é feita por câmera atrelada a um painel. A imagem e o áudio são transmitidos via aplicativo para o morador, que aciona a abertura do portão. 

Se o proprietário não estiver disponível, as imagens vão para uma central de monitoramento remoto. 

Na garagem, um equipamento similar ao usado nos pedágios automatizados identifica a etiqueta de RFID (identificação por radiofrequência, na sigla em inglês) nos veículos que estão cadastrados para liberar o acesso.

Os elevadores exigem cartão pessoal de acesso e um equipamento de reconhecimento facial controla a entrada na lavanderia compartilhada e em outras áreas de uso coletivo do condomínio.

De acordo com Alexandre Frankel, presidente da Vitacon, a segurança eletrônica tende a ser a mais efetiva e econômica. 

Ele afirma que o Brasil já conta com tecnologia de ponta na área, mas perde para China e Estados Unidos na qualidade dos equipamentos.

Quem corrobora é Daniel Hadam, diretor de operações da Magen Gerenciamento de Riscos Dinâmicos, que trabalha com aplicação de tecnologia em segurança eletrônica.

Ele diz que os itens mais utilizados para a segurança de prédios residenciais são a cerca elétrica e o sistema de câmeras de vigilância.

A primeira inclui barreiras eletrônicas, que funcionam com feixes de raios infravermelhos. Se alguém passa por eles, dispara um alarme para a central de monitoramento. 

Já as câmeras internas mais modernas utilizam identificação facial e análise do ambiente, por meio do gerenciamento de imagens. “Assim, o próprio sistema avisa tanto se alguém pulou o muro quanto se alguém deixou no local algum objeto que possa oferecer risco”, explica Hadam.

O mais importante, frisa, é investir em todo tipo de barreira à entrada de intrusos. “Depois que alguém invade a residência, pode render moradores e toda reação fica mais complicada”, diz.

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