Construtoras instalam obras de arte para valorizar prédios de alto padrão

Instalações dão personalidade a empreendimentos e visibilidade a artistas paulistanos

Ilustração do lobby do empreendimento Alameda Jardins, da Tishman Speyer, que terá painel de azulejos “Memorial da América Latina”, de Athos Bulcão (à esquerda), escultura “Folhas Avulsas”, de latão fundido com banho de ouro, da paulistana Laura Vinci (no centro, ao fundo), e escultura “gelo #5”, de aço corten, do carioca Raul Mourão (à direita, no jardim)

Ilustração do lobby do empreendimento Alameda Jardins, da Tishman Speyer, que terá painel de azulejos "Memorial da América Latina", de Athos Bulcão (à esquerda), escultura "Folhas Avulsas", de latão fundido com banho de ouro, da paulistana Laura Vinci (no centro, ao fundo), e escultura "gelo #5", de aço corten, do carioca Raul Mourão (à direita, no jardim) Divulgação

São Paulo

Unir arquitetura e arte é uma tendência visível nos novos edifícios residenciais de alto padrão em São Paulo. As construtoras e incorporadoras têm investido em projetos que incluem obras de arte, instaladas na fachada e nas áreas comuns.

“São obras que imprimem personalidade ao prédio e dialogam com a paisagem urbana”, diz Fernando Romano, sócio-diretor da construtora Up Com. 

Um dos lançamentos recentes da empresa, o Up Date Vila Madalena, na zona oeste da cidade, prevê para a fachada um painel de 33 metros de altura por 6 metros de largura, assinado pela artista local Marcella Riani, 33. “A Vila Madalena respira arte, por isso, convidamos uma artista do bairro. Um painel desse porte torna o empreendimento exclusivo”, diz Romano. 

As 56 unidades do empreendimento, com plantas de 20 a 86 metros quadrados, têm preços que começam em R$ 300 mil. O carro chefe é a unidade de 40 metros quadrados e uma suíte. “Nosso público é jovem e investidor, já que o bairro é bastante procurado para aluguel de temporada”, pontua Romano. 

Para criar a obra de grandes proporções, a artista Riani trabalhou com recortes e colagens, formando grafismos. A inspiração foi a própria Vila Madalena. “Procurei traduzir o relevo, as curvas, os altos e baixos e a movimentação do bairro”, diz ela, que assina também uma tela de cinco metros de altura por dois metros de largura que vai ocupar uma parede do lobby.

Para Riani, o projeto serve para dar visibilidade aos artistas. “Ver meu projeto sair de uma escala pequena, na prancheta, e ganhar um tamanho monumental, é uma realização. É como dar um presente para a cidade”, afirma. 

A Up Com já havia apostado na fórmula. Os edifícios de M.Ferraz 415 (com 36 unidades de 49 a 189 metros quadrados) e M. Ferraz 339 (com 40 unidades de 49 a 186 metros quadrados) são vizinhos no bairro do Itaim Bibi, na zona oeste da capital paulista. Eles têm em comum a obra “O encontro da noite com o dia”, em grafite, produzida pela trupe de artistas franceses LightGraff Collective, no bulevar de entrada. 

“Acreditamos na mescla de arte e arquitetura, que demonstra bons resultados no exterior e tende a crescer cada vez mais no Brasil”, afirma Romano. As obras, segundo o incorporador, agregam valor e não encarecem o projeto. “O valor cabe na conta do empreendimento e traz um diferencial que só tende a valorizar”, diz ele. 

No bairro de Moema, na zona sul, o Arte Arquitetura Moema, da construtora Stan, é mais um lançamento a contar com arte. No edifício projetado pelo arquiteto Itamar Berezin, na alameda dos Jurupis, o lobby de entrada, de pé-direito duplo, vai exibir um painel de Tiago Tebet, jovem artista paulistano que trabalha com grafismos e abstratos de inspiração urbana. 

“Arte valoriza qualquer imóvel. Em São Paulo, estamos sempre correndo ou esperando. Uma painel ou escultura nas áreas comuns nos faz parar, pensar, respirar”, diz a marchand Livia Doblas.

Doblas defende que as obras, em qualquer formato ou dimensão, embutem valor ao projeto como um todo, sob diversos aspectos. “Em primeiro lugar, pela estética, que dá personalidade ao empreendimento e tira a aquela ideia de que ‘todo prédio é igual’. Ao mesmo tempo, agrega bem-estar e humaniza a obra. É um respiro visual em meio às grandes metrópoles.”

Os apartamentos terão de 47 a 97 metros quadrados, com um a três dormitórios e preços a partir de R$ 660 mil.

Mesclar arte e arquitetura é um diferencial adotado historicamente nos empreendimentos da Tishman Speyer, uma das maiores gestoras de investimentos em imóveis de alto padrão do mundo, com sede no Brasil há 22 anos.

A empresa é uma das apoiadoras do Museum of Modern Art (MoMa), de Nova York. “Belas obras de arte trazem cultura, informação e mais valor a qualquer empreendimento”, afirma Daniel Cherman, presidente da Tishman Speyer no Brasil. 

Um exemplo é o mais recente lançamento da empresa, o Alameda Jardins, no bairro dos Jardins, idealizado para o público de alto padrão. A área de lazer na cobertura, com academia e piscina de borda infinita, terá um painel mosaico de 20 metros de altura por 2,5 metros de largura de autoria do artista plástico paulistano Vik Muniz. 

Na alameda que dá acesso ao prédio, será instalada a escultura “gelo #5”, de aço corten, do carioca Raul Mourão. O lobby de acesso abrigará a escultura “Folhas Avulsas”, de latão fundido com banho de ouro, da paulistana Laura Vinci. Já o lobby residencial, com vista para os jardins projetados pela paisagista californiana Pamela Burton, vai abrigar o painel de azulejos “Memorial da América Latina” de 17 metros por 3 metros, do carioca Athos Bulcão (1918-2008).

Há ainda 54 fotografias de 68 centímetros por 2 metros da série “aéreas”, de Cássio Vasconcellos, distribuídas nos halls de elevadores de cada andar.

Tudo dialogando com a arquitetura contemporânea de linhas retas do escritório Aflalo & Gasperini e o design de interiores assinado pelo paulistano Carlos Rossi.

"As obras de arte são vistas como um aspecto de valorização do projeto a longo prazo, para moradores e visitantes”, diz Cherman. 

O empreendimento terá apartamentos de 97 a 268 metros quadrados, em um terreno a 50 metros do metrô Oscar Freire. O preço do metro quadrado é de R$ 25 mil, em média.

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