Leilão é boa saída para quem tem pressa em vender imóvel

Processo leva dois meses, em média, mas valor pode ficar abaixo do preço de mercado

São Paulo

Para quem quer vender um apartamento e não tem tempo a perder, optar por um leilão de imóveis pode ser uma boa saída. Nesse modelo, o processo todo costuma levar, em média, de um a dois meses. Em troca, alertam especialistas, o proprietário precisa estar preparado para oferecer um valor abaixo do preço do mercado. 

“Diante da lentidão do mercado imobiliário nos últimos três anos, o leilão ganha espaço pela rapidez da negociação como aliada”, afirma Tiago Galdino, diretor financeiro do portal Imovelweb. Para ele, essa é uma alternativa ainda é pouco explorado no Brasil por desconhecimento de boa parte dos vendedores e compradores sobre as regras da negociação.

Um proprietário pessoa física pode participar do leilão extrajudicial desde que tenha toda a documentação em dia. Há ainda o leilão judicial, determinado pela Justiça e que envolve, por exemplo, imóveis cujo dono está inadimplente.

O processo é público, justamente para garantir a sua idoneidade. “Todo o processo é publicado em edital. O leilão não pode funcionar como um clubinho fechado, o que garante transparência de ambos os lados”, diz Galdino. 

“As pessoas acreditam de que todo imóvel de leilão tem pepino, o que é um erro cultural. O imóvel só entra em leilão extrajudicial se não tiver dívidas tributárias”, afirma o diretor. 

Há cerca de um ano, o Imovelweb firmou uma parceria com o portal Vip Leilões para investir nesse formato de venda. “Para quem tem o imóvel anunciado há mais de um ano, por exemplo, sugerimos leiloá-lo. Melhor baixar o preço no leilão do que no anúncio. Muitas vezes, ao considerar ofertas abaixo do valor anunciado, o cliente faz um leilão informal, sem perceber”, defende Galdino.

Isso não significa que o imóvel será “liquidado” por um preço abaixo da média. Esse é outro engano comum, de acordo com o leiloeiro Fernando Cerello, da Mega Leilões, empresa que atua há dez anos nesse mercado.

Quem decide o lance mínimo é o proprietário, que pode sempre recusar a oferta. “Há um preço acordado e dali não passa por menos, só por mais”, diz o leiloeiro.

Nesse modelo de venda, os apartamentos chegam a ter descontos de 20% ou mais em relação ao preço de mercado. Mas há a chance de o imóvel numa disputa de lances que amplia o lucro do vendedor. 

Já os custos da venda são menores. A comissão do leiloeiro, em torno de 5%, é paga pelo comprador. Nas vendas intermediadas por imobiliárias, a comissão do corretor pode chegar a 6% do valor do imóvel, bancada pelo proprietário.

Para quem considera vender seu imóvel em leilão pela primeira vez, Cerello, da Mega Leilões, dá o passo a passo. “É preciso ter um valor em mente e a documentação regularizada”, diz ele. Em seguida, parte-se para a publicação do edital. “A chave é ter um edital com as condições bem claras: prazo, o valor mínimo, valor de comissão, quem paga os custos do processo, entre outros itens”, diz ele.

O leilão eletrônico costuma ficar aberto por 30 dias em um auditório virtual. A finalização pode acontecer em um leilão físico, caso o comprador queira dar o lance pessoalmente. O vendedor conta ainda com uma ampla divulgação dos portais.

“Só um leiloeiro consegue vender 250 imóveis em 30 dias”, diz Cerello, que comanda, em média, 500 leilões por mês. “O mercado está aquecido com a queda dos juros nos financiamentos imobiliários. O momento é oportuno”, afirma.

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