Prédios ampliam áreas comuns e incluem desde sala de pilates até estúdio de foto

Inspiradas nos hobbies dos moradores, áreas de lazer ficaram maiores com redução dos apartamentos

São Paulo

Ambientes dedicados aos hobbies dos moradores vem ganhando espaço na lista de áreas de lazer dos novos condomínios paulistanos de alto padrão. Os projetos incluem opções que vão desde sala de dança, e estúdio de fotografia até um espaço para bandas ensaiarem.

A diversificação e ampliação das áreas de uso comum chega como um contraponto à redução da metragem das áreas privativas, em especial na última década, afirma Luiz Kabbach, diretor de Atendimento ao Incorporador da Lopes Imobiliária. “São nesses ambientes que o morador pode relaxar e receber amigos.”

O critério de escolha dos novos itens leva em conta a faixa etária do público-alvo. No projeto do condomínio Caminhos da Lapa, empreendimento da Tegra na zona oeste da cidade que mira famílias, o espaço intitulado Garage Band leva paredes com isolamento acústico e permite aos jovens ensaiar ou tocar para os amigos, sem incomodar os vizinhos com o som da bateria. O empreendimento tem 400 unidades, com plantas de 62 a 92 metros quadrados.

O produtor musical Mario Arapa Margarido diz que esses espaços respondem à alta na criação de novas bandas, resultado, por sua vez, da popularização de canais sobre o tema nas redes sociais. Ele alerta, contudo, que equipamentos musicais exigem manutenção especializada e manejo cuidadoso para durarem. “Caso contrário, os espaços podem se tornar abandonados."

De olho nos adultos, o Only Cidade Jardim, lançamento da Exto na zona sul paulistana, oferece estúdios para dança, pilates e artes marciais, além de uma área verde de com 4.500 metros quadrados. O lançamento possui duas torres, de 30 andares cada, e plantas de quatro suítes de 186 a 252 metros quadrados, incluindo a opção de cobertura dúplex. 

Os espaços de lazer são preenchidos também a partir de tendências. No Parque, megaempreendimento da Gamaro no Brooklin, zona sul de São Paulo, há uma área destinada apenas ao futmesa, espécie de pingue-pongue que se joga com os pés, popularizado por Neymar e Gabriel Barbosa, o Gabigol. Há ainda um estúdio de fotografia e outro de música.

O complexo tem três torres residenciais e 534 apartamentos. As plantas podem ter até 410 metros quadrados, que saem, em média, por R$ 4,7 milhões. 

Para a economista Deborah Seabra, do Grupo Zap, há um efeito negativo da ampliação das áreas de lazer dentro dos muros dos condomínios: a perda de vitalidade dos bairros. Sem a necessidade de o morador sair do condomínio para os momentos de lazer, há pouco estímulo aos espaços públicos de convívio.

“Se por um lado, os muros que separam os condomínios das ruas trazem acolhimento e segurança aos moradores, para os que estão de fora, pode gerar o efeito contrário. É uma via de mão dupla”, diz ela, que cita como exemplo o bairro do Morumbi.

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