Condomínios horizontais atraem moradores para a zona sul

Área externa e proximidade da natureza são diferenciais

São Paulo

A busca por casas em condomínios horizontais tem aumentado em meio à procura por mais espaço e áreas abertas gerada pela pandemia. Em São Paulo, empreendimentos em bairros da zona sul vêm ganhando destaque, atraindo compradores e chamando a atenção de incorporadoras para a região.

Alguns meses depois de a pandemia estourar, o médico Rafael Vilela, 42, decidiu sair do apartamento onde vivia com o marido e seus dois cachorros. Embora sua rotina não tenha mudado tanto —por ser médico, continuou trabalhando fora—, o marido passou a fazer home office.

O apartamento de 170 m² na Vila Cruzeiro, zona sul, apesar de grande para os padrões atuais, logo começou a parecer uma prisão. “Queríamos mais conforto para nós e espaço para os animais. Por maior que seja o apartamento, casa é casa”, diz Rafael.

Um imóvel de rua, no entanto, não passava segurança suficiente para o casal. No fim, a solução foi encontrada a algumas quadras dali, entre os limites de um condomínio no bairro Alto da Boa Vista. Um imóvel de mais de 200 m², com quintal, espaço aberto, segurança e portaria 24h.

“Tem uma área externa com jardim e árvores. De vez em quando, somos visitados por saguis, nem parece que estamos em São Paulo”, conta o médico, que se mudou para a casa no início de novembro.

Segundo dados do Grupo Zap, a demanda por casas de condomínio aumentou neste ano no estado de São Paulo. Embora cidades do interior e litoral tenham ganhado destaque no período, na capital a zona sul tem se firmado como principal região para esse tipo de empreendimento.

Na imobiliária Lopes Erwin Maack, a busca por casas de condomínio na zona sul cresceu 70% para compra e 100% para locação entre abril e outubro de 2020, comparado à média anterior à pandemia.

Cerca de 80% dos clientes vêm de apartamentos. “As pessoas buscam um espaço maior, segurança e bairros arborizados. As casas em condomínio oferecem jardim, um dos principais atrativos”, diz Ademir Gusmão, diretor de operações da imobiliária.

Entre agosto e outubro, a construtora Seed Incorp, especializada em condomínios de luxo, lançou dois empreendimentos nos bairros Chácara Flora e Alto da Boa Vista. No primeiro, o Casa Jardim Flora, 3 das 9 casas, de até 438 m², foram vendidas. Já no Chapel, 7 das 13 casas, de até 634 m², encontraram morador.

A pandemia acelerou uma demanda reprimida por casas em condomínios, auxiliada pela escassez de empreendimentos do tipo na cidade e pelas baixas taxas de juros, afirma diretor de marketing da incorporadora, Alexandre Barcellos. “Já esperávamos que fosse sair bem, mas acabou sendo mais rápido do que a gente imaginava.”

Neste ano, ele vendeu 30 casas em empreendimentos no Brooklin, também na zona sul, no espaço de dois meses.

A flexibilidade é outra característica que costuma atrair o consumidor, aponta Caio Portugal, vice-presidente de desenvolvimento urbano e meio Ambiente do Secovi-SP (sindicato da habitação). “O lote urbanizado propicia o desenvolvimento de um projeto de casa personalizada, num prazo de execução e pagamento dentro da capacidade financeira do consumidor.”

O Reserva 8, condomínio no Alto da Boa Vista ainda em fase de construção, teve um aumento de procura por seus imóveis a partir de junho deste ano. Do total de 8 casas disponíveis, 7 já foram vendidas.

Ali, a possibilidade de personalizar a planta das casas foi um diferencial. “Se o cliente quisesse ter os quartos no térreo e a cozinha no andar superior, era possível”, diz Ricardo Pucci, presidente da Galli Investimentos e Participações, responsável pelo projeto.

Apesar de estudar a possibilidade de novos condomínios, ele ressalta que os edifícios devem continuar sendo seu principal produto.

Já o foco da Seed Incorp se manterá nos condomínios em bairros nobres da capital. Barcellos destaca ainda que, embora a pandemia tenha acelerado a demanda, a aposta nesse nicho já vinha dando frutos antes disso.

A tendência, ao menos na zona sul, é que o mercado se mantenha aquecido, diz Gusmão, da Lopes Erwin Maack. “Estão previstos para os próximos dois anos dez novos projetos de condomínios nos bairros do Brooklin, Granja Julieta e Alto da Boa Vista.

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