Veja 9 projetos de 'cloffice', o escritório que cabe no armário

Em alta na pandemia, estações de trabalho são encaixadas no corredor, na despensa e até embaixo da escada

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São Paulo

O termo em inglês “cloffice”, junção da palavra closet com a expressão home office, representa uma nova categoria de espaços minúsculos para trabalhar em casa.

Eles nunca estiveram tão em alta. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), quase 8 milhões de brasileiros estão trabalhando em casa —antes da pandemia, a turma não chegava a 4 milhões.

E tudo indica que o modelo veio para ficar. Das grandes corporações às startups, um grande número de empresas já considera adotar o home office permanentemente.

Falta de espaço não é desculpa para seguir no improviso.

Nos nove projetos a seguir, arquitetos mostram como é possível aproveitar áreas insuspeitas e ter um home office organizado, adequado do ponto de vista da ergonomia e a salvo dos ruídos da rotina doméstica, mesmo em cantinhos tamanho PP.


1. Dentro do armário
O projeto assinado pela arquiteta Marina Carvalho é a perfeita tradução do “cloffice”.Embora espaçoso, o apartamento paulistano com 110 m², onde um jovem casal vive com o filho pequeno, não dispunha de um quarto extra para acomodar o home office.

A solução proposta foi pôr a bancada de trabalho na sala de jantar, devidamente escondida dentro de um armário que parece louceiro. “Dessa forma, é possível esconder toda a bagunça quando os moradores recebem visitas”, afirma Carvalho.

Quando inteiramente aberta, a porta do tipo camarão exibe uma espaçosa bancada para o computador e a impressora, além de gavetas para as miudezas. As prateleiras têm dupla função: expõem objetos decorativos e embutem fitas de led, que iluminam a superfície sem formar sombras.

Na estrutura feita sob medida, que mede 2,39 m de largura por 2,39 m de altura, o segredo está nos 89 cm de profundidade —até a cadeira cabe lá dentro com portas fechadas.

Cloffice montado dentro de closet pela Monise Rosa Arquitetura e Interiores
Cloffice montado dentro de closet pela Monise Rosa Arquitetura e Interiores - Julia Ribeiro/Divulgação


2. Dentro do closet
No apartamento de 85 m² de um jovem solteiro, um dos quartos foi transformado em closet, com armários planejados de um lado e do outro.Sobrou um nicho de 1,46 m de largura, sob a janela, que não merecia ser desperdiçado. Ali, a arquiteta Monise Rosa acomodou o home office: uma bancada com 50 cm de profundidade, mais nichos laterais para livros e afins.

“O cliente já tinha planos para todos os demais espaços do apartamento e não precisava de um escritório muito espaçoso. Ficou tão bom que, durante a pandemia, o home office passou a ser usado com mais frequência e não demandou qualquer adaptação.”

Projeto do Studio AG, que instalou cloffice na entrada do corredor dos quartos
Projeto do Studio AG, que instalou cloffice na entrada do corredor dos quartos - Ricardo Bassetti/Divulgação


3. No hall dos quartos
O sobrado onde a arquiteta Amanda Castro mora com o marido, no bairro paulistano da Vila Olímpia, sempre viveu cheio de amigos —e praticamente todos os espaços foram planejados para receber.Mas ela precisava de um canto para trabalhar que fosse compacto, prático e, acima de tudo, reservado.
Solução: a bancada foi parar no hall dos quartos.

Desenhado por Castro e pela arquiteta Giovana Giosa, sua sócia no Studio AG, o móvel planejado tem múltipla função: há nichos específicos para armazenar roupas de cama e de banho, casacos e sapatos, todos fechados com portas.

No canto, destaca-se o nicho aberto reservado ao home office, com 90 cm de largura e interior pintado de azul, cor que tem reconhecido efeito tranquilizador.

Cloffice instalado em corredor; projeto de Karen Pisacane Arquitetura de Interiores
Cloffice instalado em corredor; projeto de Karen Pisacane Arquitetura de Interiores - Divulgação


4. No corredor
O apartamento de 120 m² e três dormitórios estava pronto e decorado desde 2019, tudo em perfeita ordem, até que a pandemia pôs todo mundo —mãe, pai e filho adolescente— dentro de casa em período integral. Para que cada um tivesse sossego e privacidade durante a quarentena, coube à arquiteta Karen Pisacane a tarefa de descobrir espaço para um home office.

“Como eles não queriam bagunça na sala, a solução foi aproveitar metade do corredor. Na outra metade, ainda acomodei um armário para roupas de cama e banho.”Com 1,5 m de largura, o corredor tem medida suficiente para acomodar a nova estrutura sem prejudicar a circulação: a bancada de trabalho tem 1,20 m de largura por 65 cm de profundidade.

Cloffice instalado atrás da cama; projeto da In Loco Arquitetura
Cloffice instalado atrás da cama; projeto da In Loco Arquitetura - Divulgação

5. Atrás da cama
Inserir o home office dentro do quarto de dormir é uma solução comum. Mas ele geralmente fica ao lado ou diante da cama, uma configuração que a cliente da In Loco Arquitetura recusava.

“Durante a pandemia, a proprietária do apartamento passou a trabalhar em casa em horário integral. Ela fazia questão de manter o ambiente de descanso separado do espaço de trabalho, pois não queria ver a pilha de tarefas sobre a escrivaninha quando estivesse deitada”, explica o arquiteto Yago Costa, coautor do projeto.

Com a sócia Jéssica Gayoso, ele desenhou uma planta na qual a cabeceira da cama foi deslocada para a frente —no vão de 1,35 m que se abriu, foi alocada a bancada de 3,2 m de largura.

A peça inteiriça de madeira freijó, que engloba o gaveteiro lateral laqueado de branco, tem fiação elétrica embutida, com saídas para a própria bancada e para a cabeceira da cama.

Escritório instalado na despensa; projeto da Kali Arquitetura
Escritório instalado na despensa; projeto da Kali Arquitetura - Divulgação

6. Na antiga despensa
Quando adquiriu o apartamento de 170 m² já mobiliado, o casal com duas filhas pequenas não encontrou um espaço destinado ao home office. Em compensação, dentro da cozinha, havia uma generosa despensa instalada atrás da adega, com 3,9 m².

“Essa área, que era subutilizada na rotina dos quatro moradores, foi transformada em home office e passou a ser usada com frequência pela família”, conta a arquiteta Graziela Venzon, da Kali Arquitetura, autora do projeto.

Para evitar que o espaço fechado gerasse sensação de confinamento, Venzon ampliou a abertura de acesso ao home office e instalou uma porta pivotante de aço corten, com triângulos vazados cortados a laser. As aberturas ajudam a ventilar e banham o cantinho com luz natural.Lá dentro, a marcenaria compacta aproveita toda a largura de 1,50 m e abre espaço para guardados e objetos decorativos.

Cloffice instalado em quarto de cliente, em projeto da SP Estúdio
Cloffice instalado em quarto de cliente, em projeto da SP Estúdio - Divulgação


7. Ao lado da cama
Em apartamento de estudante, não se desperdiça nem um cantinho sequer. Assim foi feito neste quarto e sala de 70 m², que a filha, estudante de arquitetura, ganhou de presente dos pais.A moradora preferia que o espaço para estudos, seu futuro home office, ficasse dentro do próprio quarto.

Para que o excesso de móveis não prejudicasse a circulação, as arquitetas Fabiana Silveira e Patrícia de Palma, do SP Estúdio, propuseram eliminar a mesinha de cabeceira.

No lugar dela, instalaram a estante-escrivaninha Mango, da Tok&Stok, que possui 98 cm de largura. “Além de escritório, o móvel funciona como apoio lateral para a cama. É muito mais útil do que uma simples mesa de cabeceira”, afirma Palma.

Quarto de empregada se transformou em cloffice no projeto de Chris Schiavoni
Quarto de empregada se transformou em cloffice no projeto de Chris Schiavoni - Carlos Piratininga/Divulgação


8. No antigo quarto de empregada
No apartamento de três dormitórios, pai, mãe e o casal de filhos já tinham territórios demarcados. Ela não se incomodava de pôr o computador na mesa da sala —assim, conseguia trabalhar de olho nas crianças.

Mas ele, que desenvolve softwares, precisava de silêncio para a maratona de chamadas de vídeo, inclusive com clientes no exterior.Para a arquiteta Cristiane Schiavoni, o antigo quarto de empregada, que já tinha virado depósito de guardados, era a escolha mais natural.

Não foi tarefa simples. Com 1,60 X 2,75 m, o quartinho parecia apertado para alguém que mede mais de 2 m de altura.

“Pus o computador no canto em L, que tem maior profundidade, para que ele conseguisse esticar pernas e braços, apoiar os cotovelos na mesa e relaxar os ombros. A cadeira entra e sai sem que ele precise encolher as pernas. Com esses cuidados ergonômicos, as dores que ele sentia nas costas acabaram”, afirma a arquiteta.

O projeto de marcenaria sob medida preservou a janela, que garante iluminação natural, e reservou espaço generoso para armazenar livros e documentos.

Espaço montado embaixo da escada, assinado pela Nildo José Arquitetos Associados
Espaço montado embaixo da escada, assinado pela Nildo José Arquitetos Associados - Divulgação


9. Embaixo da escada
No apartamento dúplex localizado na Vila Madalena, em São Paulo, projetado pelo arquiteto Nildo José para um jovem solteiro, os ambientes integrados pediam uma solução criativa para o home office.

“Somados, sala de estar e cozinha têm somente 21 m². Como são espaços enxutos e com pouca circulação, o cliente pedia sensação de espaço e conforto”, diz José.E não é que o escritório foi parar embaixo da escada de chapa metálica?

​Sob um dos degraus, o arquiteto encaixou a bancada de trabalho de aço corten, com efeito enferrujado —na outra extremidade, a peça foi fixada em um dos nichos da estante planejada.

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