Sistema de recarga para carros elétricos passa a ser obrigatório em novos prédios de SP

Lei municipal entra em vigor nesta quarta (31); medição de consumo deve ser feita de maneira individualizada

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São Paulo

Prédios residenciais e comerciais registrados na Prefeitura de São Paulo a partir desta quarta-feira (31) terão de disponibilizar sistema de recarga para carros elétricos ou híbridos.

A exigência não se aplica a empreendimentos com obras já em andamento e pode ser dispensada para condomínios construídos em programas de habitação social ou com recursos públicos —desde que estes comprovem impossibilidade técnica ou econômica.

A lei não define número mínimo de pontos de recarga por prédio. As tomadas poderão ser instaladas em cada uma das vagas na garagem ou apenas em pontos específicos acessados pelos moradores em sistema de rodízio.

Recarga para carros elétricos ou híbridos em garagem do empreendimento Urbic Ibirapuera, no Paraíso, zona sul de SP
Recarga para carros elétricos ou híbridos em garagem do empreendimento Urbic Ibirapuera, no Paraíso, zona sul de SP - Reprodução

A medição do consumo da energia elétrica deverá ser feita de maneira individualizada. Hoje, há sistemas inteligentes que conectam carregadores instalados em áreas públicas diretamente ao relógio de cada proprietário. A cobrança pode ser executada na hora da recarga ou por boletos.

Autor da lei, o vereador Camilo Cristófaro (PSB) justificou no projeto que “a atual tendência de utilização de eletricidade como energia motora de veículos em geral encontra óbice na falta de infraestrutura básica de abastecimento”. A lei foi sancionada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) em março do ano passado e entra em vigor nesta quarta.

As construtoras terão de arcar com os custos do investimento. Ainda assim, os preços dos apartamentos novos não deverão subir, avalia Carlos Borges, vice-presidente de tecnologia e sustentabilidade do Secovi-SP.

“Os imóveis que podem ser afetados são aqueles que precisarão fazer reforço na rede elétrica ou adaptações por defasagem tecnológica”, afirma Borges. “Há prédios antigos que têm problema até mesmo com a instalação de um aparelho de ar condicionado."

Se o volume de vendas continuar o mesmo de 2020, Borges estima que 25 mil novas unidades habitacionais serão comercializadas em um ano na cidade de São Paulo em empreendimentos já enquadrados na nova lei. Ele acredita que outras cidades do país deverão adotar medidas semelhantes.

Entregue em novembro de 2020, o empreendimento Urbic Ibirapuera, no Paraíso, na zona sul de São Paulo, já disponibiliza pontos de recarga para todas as vagas na garagem.

O sistema foi desenvolvido pela própria construtora. O valor consumido pelo morador é registrado em um quadro elétrico, que tem associado o número da vaga da garagem ao apartamento do condômino.

“O custo foi baixo. Implantamos o sistema em um prédio de 24 apartamentos por cerca de R$ 18 mil, já contabilizando o quadro elétrico, o cabeamento até o ponto da vaga e o eletroduto”, diz Luiz Henrique Ceotto, proprietário da construtora e incorporadora Urbic. “É como puxar eletricidade para qualquer outro lugar.”

Angela Son, gerente de projetos da construtora Trisul, reitera que o valor do investimento é facilmente absorvido pelas construtoras. Ela aponta que um equipamento para carregar os elétricos custa de R$ 12 mil a R$ 15 mil.

Um dos empreendimentos entregues pela construtora que já conta com sistema para carregar os veículos é o Atemporal Pompeia, na zona oeste de São Paulo.

Tomadas para carregar carros elétricos ou híbridos ainda são raras nos espaços públicos das cidades brasileiras. O modelo, porém, vem se consolidando como tendência mundial. No ano passado, a Noruega se tornou o primeiro país do mundo em que carros elétricos representaram mais de 50% dos novos emplacamentos em 12 meses.

No Brasil, esse mercado ainda é incipiente, mas já começa a ganhar força. Dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) mostram que o mercado dos elétricos pulou de 11.858 unidades em 2019 para 19.745 em 2020. Foi o melhor ano da série histórica iniciada em 2012.

As vendas também bateram recorde em 2020, com aumento de 66,5% nos emplacamentos em relação a 2019. Pela primeira vez o mercado de eletrificados chegou a 1% do total de veículos no Brasil, segundo a associação.

“A lei corresponde a uma tendência mundial. Cada vez mais os carros elétricos estão se tornando realidade em cidades de todo o mundo. As construtoras se adaptarão a essa realidade prevendo as demandas de energia necessárias em cada novo empreendimento”, diz João Leonardo Castro, diretor de desenvolvimento e gestão de produtos da construtora SKR.

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